Filho se indigna com narrador dedicando gol ao acusado da execução do pai em cabine de rádio que o homenageia

Valério Luiz Filho foi às redes sociais para desabafar sobre episódio protagonizado por Romes Xavier durante o jogo Aparecidense 1 x 2 Atlético

Narrador Romes Xavier dedica segundo gol do Atlético a Maurício Sampaio | Foto: Reprodução

O advogado Valério Luiz Filho usou suas redes sociais nesta segunda-feira, 14, para publicar uma nota sobre o que relatou ser um “apoio moral” ao cartorário Maurício Sampaio, acusado de ser o mandante da execução de seu pai, Valério Luiz, em 5 de julho de 2012. O réu irá a júri popular no dia 14 de março.

O episódio correu no jogo Aparecidense x Atlético, realizado no sábado, 12,  em Aparecida de Goiânia. O narrador Romes Xavier – da Rádio Bandeirantes 820 AM e ex-presidente da Associação dos Cronistas Esportivos de Goiás (Aceeg) – dedicou o segundo gol da vitória do rubro-negro, por 2 a 1, a Sampaio. Detalhe: a equipe da emissora ocupava, no espaço de trabalho da imprensa no Estádio Aníbal Toledo, a Cabine Valério Luiz.

Veja o vídeo com a narração e a dedicatória feita por Romes Xavier:

Veja agora a íntegra nota de Valério Luiz publicada no Instagram

Ontem completamos 1 ano sem meu avô, Manoel de Oliveira [também radialista esportivo]. E daqui a exatamente um mês, dia 14 de março, começa o tão aguardado Júri Popular dos acusados de assassinar o jornalista Valério Luiz de Oliveira, meu pai. E o que o Romes Xavier faz? Transmitindo um jogo pela Rádio Bandeirantes, veículo no qual meu pai trabalhava quando foi executado, e de dentro de uma cabine chamada “Cabine Valério Luiz”, no estádio Aníbal Toledo (Aparecida de Goiânia), dedica a narração de um gol a Maurício Sampaio, justamente o réu a quem é imputado ser o mandante do crime.

Não é a primeira vez que a equipe faz algo do tipo. Há algumas semanas, o repórter Arthur Magalhães travou uma longa entrevista com Sampaio, na qual disse que o cartola tinha “o seu respeito”. Romes também vem reiteradamente defendendo as atitudes extracampo de Adson Batista, como o episódio no qual o presidente do Atlético-GO arrancou a máscara de um jornalista. Eu não sei qual é a relação de Romes com a atual diretoria do Atlético-GO, e nem quero saber. Também não é do meu feitio cobrar solidariedade das pessoas, mas acredito que, dadas as circunstâncias, é possível, sim, mais sensibilidade, profissionalismo e respeito.

Nunca critiquei jornalistas e veículos de comunicação que cobrem, dentro das suas funções normais, o Atlético-GO. Nunca critiquei sequer os advogados de Sampaio, quando do exercício das defesas para as quais foram contratados. Mas sempre confrontei abertamente aqueles que, perante o homem acusado pelo Ministério Público de destruir nossa família, usaram suas vozes e canetas para franquear-lhe apoio moral: Nilson Gomes, Hélmiton Prateado, Felipe Furtado, e agora Romes Xavier. Entidades de proteção à liberdade de expressão e a imprensa nacional já começaram a me procurar para a cobertura do julgamento, e ninguém poderá se comportar como se nada estivesse acontecendo.

 

Valério Luiz foi assassinado no início da tarde do dia 5 de julho de 2012, ao entrar em seu carro após deixar a Rádio Bandeirantes 820 AM, na época sediada no Setor Serrinha. As cinco pessoas acusadas do crime são: Maurício Sampaio, apontado como mandante; Urbano de Carvalho, acusado de contratar policial que teria matado Valério; Ademá Figueiredo, cabo da PM acusado de executar o cronista; Marcus Vinícius Pereira Xavier, açougueiro, que teria participado do planejamento do crime; e Djalma da Silva, PM denunciado por atrapalhar as investigações.

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