Cansaço, dores ósseas e anemia podem indicar mieloma múltiplo; veja os sinais e os novos tratamentos
04 agosto 2026 às 18h50

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Os avanços no diagnóstico e no tratamento do mieloma múltiplo têm ampliado as possibilidades de controle da doença e aumentado a qualidade de vida de pacientes. Novas combinações de medicamentos, imunoterapias e terapias celulares vêm sendo incorporadas ao tratamento, permitindo respostas mais duradouras, inclusive em casos considerados de maior complexidade.
O mieloma múltiplo é um tipo de câncer hematológico que se desenvolve na medula óssea e afeta os plasmócitos, células responsáveis pela produção de anticorpos. Quando sofrem alterações, essas células passam a se multiplicar de forma descontrolada e produzem proteínas anormais, que podem causar danos aos rins, aos ossos e ao sistema imunológico.
Segundo o hematologista Gustavo Fernandes, a incorporação de terapias como anticorpos monoclonais, esquemas terapêuticos mais intensivos, anticorpos biespecíficos e tratamentos com células CAR-T modificou o manejo da doença nos últimos anos.
“Hoje, conseguimos alcançar respostas mais duradouras e, em alguns casos, uma condição que chamamos de cura funcional, quando a doença permanece controlada por longos períodos, permitindo ao paciente manter sua rotina e expectativa de vida”, afirma.
Apesar dos avanços terapêuticos, o diagnóstico precoce continua sendo um dos principais desafios. Isso ocorre porque os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos e podem ser confundidos com outras doenças. Entre os sinais mais comuns estão cansaço relacionado à anemia, dores ósseas, alterações na função renal, aumento dos níveis de cálcio no sangue e fraturas espontâneas.
“Muitas vezes, o mieloma se manifesta inicialmente como uma anemia aparentemente simples. A investigação adequada nesses casos é essencial para identificar a doença em estágios iniciais, quando há maior possibilidade de preservar órgãos e alcançar melhores resultados com o tratamento”, explica o especialista.
O diagnóstico é realizado por meio de exames laboratoriais, como hemograma, dosagem de ureia, creatinina e cálcio, eletroforese de proteínas séricas e urinárias, imunofixação e análise das cadeias leves livres Kappa e Lambda. Exames de imagem, como PET-CT, ressonância magnética e tomografia, ajudam na avaliação do comprometimento ósseo. A confirmação da doença é feita por meio de mielograma e biópsia de medula óssea.
Além do tratamento medicamentoso, o transplante autólogo de células-tronco permanece como uma estratégia indicada para parte dos pacientes, contribuindo para respostas mais profundas e prolongadas. O acompanhamento periódico também é considerado essencial para monitorar a resposta ao tratamento e identificar possíveis recaídas.
Os principais fatores de risco associados ao mieloma múltiplo incluem idade avançada, sexo masculino, histórico familiar da doença, obesidade, exposição a determinados produtos químicos e maior incidência entre pessoas negras. Segundo Gustavo Fernandes, o aumento das opções terapêuticas permite individualizar o tratamento conforme as características e a evolução da doença.
“O mieloma múltiplo deixou de ser uma doença com opções limitadas. Há um número crescente de terapias disponíveis e em desenvolvimento, o que permite adaptar o tratamento de acordo com o perfil de cada paciente e a evolução da doença. Com acompanhamento especializado, o paciente pode seguir com qualidade de vida, autonomia e dignidade”, conclui.
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