Após enfrentar depressão e efeito sanfona, psicóloga cria método para emagrecer sem dietas restritivas
04 agosto 2026 às 15h24

COMPARTILHAR
A psicóloga e mestre em Análise do Comportamento Leana Bernardes afirma que o método de emagrecimento que desenvolveu surgiu a partir da própria experiência com o efeito sanfona, a depressão e as mudanças provocadas pela perimenopausa.
Segundo ela, a proposta busca promover alterações permanentes nos hábitos alimentares e na rotina, em vez de apostar em dietas restritivas ou soluções de curto prazo. Ao Jornal Opção, Leana contou que, apesar de atuar há mais de duas décadas na área da Psicologia, enfrentava dificuldades para manter o peso.
De acordo com a psicóloga, a metodologia reúne conceitos da Análise do Comportamento, da Neurociência e da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Ela explica que a proposta é atuar simultaneamente na construção de uma relação mais equilibrada com a alimentação, na prática regular de atividade física e na organização da rotina.
A virada ocorreu após receber o diagnóstico de depressão em meio à perimenopausa, quando decidiu aplicar em si mesma os princípios científicos que utilizava no atendimento aos pacientes. “O método nasceu de uma vivência pessoal. Durante muitos anos, eu vivia exatamente o que tantas mulheres conhecem bem: o ciclo do efeito sanfona, a culpa alimentar e a sensação de que, por mais que eu tentasse, nada se sustentava”, afirma.
“Não se trata de mais uma dieta, mas de um novo sistema de funcionamento, adaptado à realidade de cada mulher. Não vendo emagrecimento. Vendo a instalação de um novo sistema operacional, que ensina a mulher a funcionar de um jeito que sustenta a mudança”, diz.

Segundo Leana, um dos diferenciais da abordagem está na compreensão das causas que levam as pessoas a repetirem comportamentos considerados prejudiciais. Ela afirma que a maioria dos programas de emagrecimento parte da ideia de que falta informação ou força de vontade, enquanto seu método busca identificar os fatores que mantêm esses padrões.
“O problema raramente é saber o que fazer. É entender por que o comportamento se repete e criar condições para que o saudável se torne mais fácil de repetir. A mudança não depende de motivação, que naturalmente oscila, mas de um sistema que funciona mesmo nos dias difíceis”, explica.
Entre os principais obstáculos ao emagrecimento, a psicóloga cita o comer emocional, a autossabotagem, a culpa e a busca constante por recompensas imediatas. Conforme ela, nesses casos a comida deixa de cumprir apenas a função de nutrir e passa a ser utilizada para aliviar emoções como ansiedade, tristeza, estresse e cansaço.
“O efeito sanfona é a consequência natural desse ciclo: a pessoa restringe, perde o controle, sente culpa, recomeça. E cada recomeço vem carregado de autocrítica, o que alimenta o ciclo novamente”, afirma. Para romper esse padrão, Leana diz que o trabalho consiste em identificar os gatilhos emocionais associados à alimentação, modificar crenças que favorecem a autossabotagem e desenvolver estratégias para lidar com as emoções sem recorrer à comida.
“Um aprendizado central é este: um deslize não anula uma trajetória inteira. Comer um doce ou faltar a um treino não significa fracasso. O que faz diferença é a capacidade de retomar o caminho sem transformar um episódio isolado em motivo para desistir”, ressalta.
Questionada sobre a crescente utilização de medicamentos para perda de peso, a psicóloga afirma que esses recursos podem fazer parte do tratamento, desde que acompanhados por profissionais habilitados. No entanto, ela considera que os remédios, por si só, não promovem mudanças duradouras.
“Os medicamentos podem ajudar a reduzir o apetite e facilitar o início do processo, mas não ensinam a lidar com o comer emocional, não reestruturam crenças e não constroem hábitos”, diz. Segundo Leana, a psicoterapia desempenha justamente esse papel ao trabalhar os aspectos comportamentais e emocionais envolvidos no emagrecimento.
“Quando a pessoa para a medicação, o que sustenta o resultado é o comportamento. Se os hábitos não foram construídos, o risco de recuperar o peso é alto”, afirma. Para a psicóloga, a estratégia mais eficaz combina diferentes abordagens. “O medicamento pode abrir a porta. Mas é o comportamento que mantém a casa em pé. Sem hábitos construídos, qualquer resultado é temporário”, conclui.
Leia também:


