Pelo menos 14 candidatos declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que fazem parte da comunidade LGBTQIA+ e disputam nas eleições de 2026 em Goiás. O levantamento foi realizado pelo Jornal Opção, com base nas informações divulgadas pelo TSE no DivulgaCand

Os nomes aparecem em diferentes disputas. A maior parte concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), mas também há candidatos que tentam chegar à Câmara dos Deputados e uma candidatura na chapa para o Senado, na condição de primeiro suplente.

Entre os 14 nomes, estão candidatos com diferentes trajetórias na política e na vida pública, além de pessoas que disputam a eleição pela primeira vez. As declarações registradas no sistema eleitoral também mostram diferentes orientações sexuais dentro do grupo.

Confira os candidatos:

Candidato(a)CargoPartidoNúmero
Bombeira LunaDeputada estadualMDB15391
Cris SouzaDeputada estadualPSB40004
Fausto AndréDeputado federalUP8000
Fabrício RosaDeputado estadualPT13000
Ju DamandoDeputada estadualPT13030
Mateus MouraDeputado estadualPSOL50100
Samuel MendesDeputado estadualPSB40444
Victor Dutra1º suplente de senadorPV400
Bárbara BombomDeputada federalPSOL5024
Maju FerrariDeputada federalPT1367
Matheus RibeiroDeputado estadualPSDB45145
Mãe Isabel de OxumDeputada federalPT1307
Flaviane Santos Deputada federalPT1399
Thefi AmâncioDeputada federal PSOL50990

A disputa por uma cadeira na Alego concentra sete dos 14 nomes identificados pelo levantamento. Outros quatro concorrem a deputado federal. Victor Dutra aparece em uma situação diferente: ele integra uma chapa para o Senado como primeiro suplente de Isaura Lemos (PSB).

Entre os partidos, o PT reúne o maior número de candidaturas LGBTQIA+ identificadas pelo levantamento, com quatro nomes. PSB e PSOL aparecem na sequência, com duas candidaturas cada. MDB, UP, PV e PSDB têm um candidato cada.

Distribuição das 14 candidaturas LGBTQIA+ identificadas no levantamento político, detalhadas por cargo pretendido (Alego, Federal e Senado) e por legenda partidária (com destaque para PT, PSB e PSOL) | Foto: Reprodução/IA

Orientações declaradas

Os registros eleitorais também permitem identificar a orientação sexual declarada pelos candidatos. Entre os nomes levantados pelo Jornal Opção, aparecem declarações de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, pansexuais e assexuais.

Bombeira Luna e Cris Souza declararam-se lésbicas. Fausto André aparece como assexual. Ju Damando declarou-se bissexual, enquanto Mateus Moura aparece como pansexual. Samuel Mendes e Victor Dutra declararam-se gays. Mãe Isabel de Oxum também aparece como lésbica no registro eleitoral.

A declaração de orientação sexual passou a fazer parte dos dados disponibilizados pela Justiça Eleitoral para as candidaturas. A medida permite identificar a presença de pessoas LGBTQIA+ nas eleições a partir de uma informação declarada pelos próprios candidatos, sem que seja necessário fazer inferências sobre a vida pessoal de quem disputa o pleito.

Entre os candidatos está Fabrício Rosa, vereador de Goiânia pelo PT e uma das figuras mais conhecidas da política LGBTQIA+ em Goiás. Ele concorre agora a uma vaga de deputado estadual. Outro nome conhecido do eleitorado goiano é o jornalista Matheus Ribeiro, que disputa uma cadeira na Alego pelo PSDB. O jornalista já concorreu à Prefeitura de Goiânia, onde recebeu 46.875 votos, e ganhou projeção nacional ao apresentar o Jornal Nacional.

A lista também reúne nomes com atuação em diferentes áreas e movimentos sociais, mostrando que a participação LGBTQIA+ na disputa eleitoral não está concentrada em um único nicho político ou segmento.

Dois indeferimentos e uma renúncia

Além das 14 candidaturas deferidas, o Jornal Opção também identificou outros três nomes que chegaram a aparecer no processo eleitoral, mas que não entram na conta das candidaturas aptas considerada na reportagem.

Alexandre Cruz e Diego Jejees tiveram as candidaturas indeferidas. Já a Terapeuta Ariel Cruz optou pela renúncia à disputa.

Por isso, os três nomes são citados separadamente. Eles fazem parte do levantamento dos registros relacionados a candidatos LGBTQIA+ em Goiás, mas não são contabilizados entre as 14 candidaturas deferidas.

A diferença é importante porque o número de pessoas que aparecem inicialmente no sistema eleitoral não representa necessariamente a quantidade de candidatos que estará apta a disputar as eleições. Os registros podem mudar de situação durante a tramitação na Justiça Eleitoral, seja por deferimento ou indeferimento, seja por renúncia ou substituição.

O levantamento considera, portanto, 14 candidaturas LGBTQIA+ deferidas em Goiás. O cenário ainda pode ser atualizado conforme novas decisões da Justiça Eleitoral sejam incorporadas ao sistema de divulgação de candidaturas do TSE.

Representação ainda é pequena nos espaços de poder

A presença de candidatos LGBTQIA+ nas eleições de 2026 ocorre em um cenário de ampliação gradual da representação política desse grupo, mas ainda marcado pela sub-representação nos espaços de poder. As eleições municipais de 2024, por exemplo, registraram um recorde de 225 pessoas LGBTQIA+ eleitas no país, sendo 222 vereadores e três prefeitos, segundo levantamento da organização VoteLGBT. Em 2020, haviam sido 97 eleitos para esses dois cargos.

No Congresso Nacional, porém, a presença continua proporcionalmente pequena. Nas eleições de 2022, 20 pessoas LGBTQIA+ foram eleitas para cargos no Legislativo e no Executivo, segundo levantamento da Aliança Nacional LGBTI+ citado pela Folha. Entre elas estavam cinco deputados federais. O grupo representava cerca de 1% das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados.

A atual legislatura também registra avanços históricos. Em 2023, Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) se tornaram as primeiras mulheres trans a ocupar cadeiras na Câmara dos Deputados. Erika Hilton também passou a ocupar, em 2026, a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, ampliando a presença LGBTQIA+ em espaços de comando dentro do Congresso.

A própria coleta de dados sobre orientação sexual representa uma mudança recente. O TSE passou a incluir essa informação nos registros eleitorais a partir das eleições municipais de 2024 e, em 2026, pela primeira vez, o dado passou a aparecer nas estatísticas das eleições gerais. Até 18 de agosto, 1,93% dos 20.575 candidatos registrados haviam declarado orientações LGBTQIAPN+, embora o preenchimento do campo seja opcional. Entre aqueles que efetivamente informaram a orientação sexual, o percentual era de 3,58%.

Mais do que ampliar a quantidade de candidatos, a presença desses grupos nos espaços de decisão tem um significado relacionado à própria diversidade da representação política. Pessoas LGBTQIA+ estiveram historicamente afastadas de cargos eletivos e de estruturas de poder, enquanto temas diretamente relacionados a essa população — como combate à discriminação, segurança, saúde, educação, trabalho e direitos civis — continuam sendo objeto de disputas políticas.

A representação, por si só, não significa que todos os candidatos LGBTQIA+ tenham as mesmas posições ou defendam uma agenda política única. A comunidade é diversa e está distribuída por diferentes partidos, ideologias e projetos. A presença de representantes com essas trajetórias, entretanto, amplia as experiências sociais que chegam aos espaços onde são formuladas leis e políticas públicas.

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