A Câmara Municipal de Goiânia aprovou, nesta semana, dois projetos considerados prioritários pelo presidente do Legislativo, Romário Policarpo (PSDB): o reajuste da remuneração dos conselheiros tutelares da capital e a flexibilização das regras urbanísticas relacionadas à exigência de vagas de estacionamento em estádios e centros de treinamento esportivo. Segundo Policarpo, as medidas atendem a demandas históricas da cidade e devem impactar diretamente tanto a política de proteção à infância quanto a estrutura do futebol profissional goiano.

Durante entrevista, Policarpo classificou como “extremamente importante” a aprovação do reajuste para os conselheiros tutelares de Goiânia. Segundo ele, a correção salarial era reivindicada há anos pela categoria e havia sido apresentada ainda nos primeiros meses da gestão do prefeito Sandro Mabel.

“O Conselho Tutelar é uma ferramenta importante no cuidado da criança e do adolescente na nossa cidade. Era uma demanda muito antiga, porque o salário dos conselheiros tutelares estava desatualizado há muitos anos”, afirmou.

Policarpo destacou que os profissionais frequentemente utilizam recursos próprios para garantir atendimentos e deslocamentos, diante da falta de estrutura oferecida pelo poder público municipal. Segundo ele, mesmo com a aprovação do reajuste, os valores ainda estão abaixo da responsabilidade exercida pelos conselheiros.

“Acho, inclusive, que ainda é um salário aquém daquilo que eles proporcionam, porque esses conselheiros tutelares, por diversas vezes, por falta de estrutura da própria Prefeitura de Goiânia, acabam tirando do próprio bolso para atender nossas crianças e adolescentes”, declarou.

Estacionamentos

Além da pauta social, o presidente da Câmara também comemorou o avanço do projeto que altera as regras de exigência de vagas de estacionamento para estádios e centros esportivos da capital. A proposta busca adequar a legislação urbanística de Goiânia à realidade do futebol contemporâneo e às exigências da Confederação Brasileira de Futebol para emissão de alvarás de funcionamento.

Segundo Policarpo, a legislação atual trata estádios da mesma forma que grandes empreendimentos comerciais geradores de tráfego intenso, impondo exigências consideradas inviáveis para as estruturas esportivas já existentes na cidade.

“Hoje o futebol está um pouco atrasado em relação à realidade da mobilidade urbana. Nenhum clube consegue alvará para seus estádios por causa da exigência do número de vagas de estacionamento, que é muito alta”, afirmou.

O parlamentar citou como exemplo o Estádio Hailé Pinheiro, conhecido como Serrinha, pertencente ao Goiás Esporte Clube. Segundo ele, a legislação atual exigiria cerca de três mil vagas de estacionamento para o local.

“Nem o Maracanã tem três mil vagas, porque, no mundo inteiro, o ideal é que o torcedor vá ao estádio usando transporte público, e não transporte individual”, argumentou.

A proposta cria regras específicas para estádios, centros de treinamento e estruturas esportivas profissionais, diferenciando esses espaços de outros empreendimentos urbanos. O texto prevê que o cálculo das vagas considere áreas administrativas, operacionais e de atendimento ao público, excluindo áreas técnicas e esportivas.

Segundo Policarpo, a medida deve beneficiar diretamente não apenas a Serrinha, mas também estruturas utilizadas pelo Vila Nova Futebol Clube e pelo Atlético Clube Goianiense, além de equipamentos públicos históricos como o Estádio Serra Dourada e o Estádio Olímpico Pedro Ludovico.

“É impossível pensar no Goiás funcionando sem a Serrinha, mas não só a Serrinha. Essa lei beneficia também Atlético, Vila Nova, Serra Dourada e Estádio Olímpico”, afirmou.

O presidente da Câmara também associou o fortalecimento da infraestrutura esportiva ao impacto econômico e turístico do futebol em Goiânia.

“Talvez seja aqui, na nossa cidade, o que mais traga turistas, porque toda semana tem gente de fora do estado vindo jogar contra os nossos três clubes”, disse.

Policarpo ainda citou articulação conjunta com a prefeitura e com representantes da Federação Goiana de Futebol para viabilizar a proposta. Segundo ele, o texto já recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da Câmara e deve seguir para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), antes de ser encaminhado para sanção do prefeito.

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