Caiado esquece discurso da “nova política” ao defender coação de Adib a servidores

Prefeito de Catalão e coordenador da campanha democrata pode ter cometido crime de propaganda irregular. Entenda

Reprodução

Áudio polêmico divulgado nesta semana aponta para incoerência de discurso na coligação “A Mudança é Agora” do candidato ao governo de Goiás pelo Democratas, Ronaldo Caiado.

Na gravação, o prefeito de Catalão e coordenador da campanha do democrata, Adib Elias (MDB), coage servidores comissionados para que declarem apoio ao senador e ao candidato a deputado estadual Deusmar, também do DEM.

“Eu não quero ser autoritário, eu preciso de você. […] Vou fazer uma reunião lá na secretaria de educação e outra com os comissionados, eu não vou pressionar ninguém, só vou entregar um adesivo do Caiado e do Deusmar, quem pregar são meus companheiros”, diz Adib na gravação.

Em resposta à imprensa, o prefeito confirmou a veracidade do áudio, mas ressalva que não fez nada ilegal. Na mesma declaração, ele ainda revela que concedeu reajuste a professores da rede municipal, além do esperado, para pedir voto logo em seguida.

A prática foi defendida por Caiado nesta quarta-feira (29/). Procurada pelo Jornal Opção, a assessoria do democrata alegou que Adib estava licenciado da prefeitura quando fez a reunião e que o “momento é de pedir voto, e foi o que fez”. “O senador defende pedir voto. É o que ele está fazendo neste momento”, assumiu.

A defesa de Caiado chama a atenção, já que o senador é o primeiro a bradar quanto à implementação das “novas práticas políticas”, sem corrupção e atos imorais. É para o que atenta o deputado estadual com reduto eleitoral em Catalão, Gustava Sebba (PSDB).

Em entrevista, o tucano atenta que a situação vai contra os princípios da moralidade e questiona até mesmo a legalidade da prática. “No áudio, Adib fala que vai na secretária pedir voto e não pode pedir voto dentro de órgão público. É crime eleitoral”, atesta.

A reportagem procurou advogados eleitorais que confirmaram que Adib pode ter cometido crime, caso tenha de fato usado o espaço da prefeitura para pedir votos. Conforme a legislação eleitoral, é vedado fazer campanha em bens públicos e de uso comum.

O Jornal Opção tentou entrar em contato com Adib Elias, mas o prefeito não atendeu às ligações.

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