Cadu é denunciado por latrocínio, tentativa de latrocínio, receptação e porte ilegal de arma de fogo

Peça acusatória também inclui pedido à Justiça da quebra do sigilo telefônico do acusado e que sejam tomadas medidas pertinentes para assegurar sua integridade física e psicológica

Foto: Reprodução/ Folha de São Paulo

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Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, de 28 anos, considerado inimputável pelo duplo homicídio que vitimou o cartunista Glauco Vilas Boas e seu filho em 2010, foi denunciado na última terça-feira (16/9) pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) pelos crimes cometidos recentemente em Goiânia e que são atribuídos a ele, entre os quais um latrocínio (roubo seguido de morte) e uma tentativa de latrocínio. Pelos crimes cometidos há quatro anos, o jovem ficou internado em uma clínica psiquiátrica até agosto de 2013, pois apresentava traços de esquizofrenia, mesma doença que atinge sua mãe.

A denúncia, oferecida pelo promotor de Justiça Fernando Braga Viggiano, também inclui os crimes de receptação e porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada, além da solicitação à Justiça da quebra do sigilo telefônico do acusado e que o Judiciário tome as medidas administrativas pertinentes para assegurar sua integridade física e psicológica –– teme-se, por exemplo, que ele venha a cometer suicídio.

A denúncia pede que Carlos Eduardo Nunes seja condenado por latrocínio (artigo 157, parágrafo 3º, do Código Penal), tentativa de latrocínio (artigo 157, parágrafo 3º, combinado com artigo 14, inciso II), receptação (artigo 180, caput), e porte de arma de fogo com supressão de numeração (artigo 16, parágrafo único, inciso I, da Lei nº 10.826/2003).

Sequência de crimes

O promotor detalha na acusação os quatro crimes supostamente cometidos por Cadu na capital em agosto último, de forma sequenciada. Consta na peça acusatória que no dia 28 do mês passado o jovem tentou subtrair uma saveiro branca do agente penitenciário Marcos Vinícius Lemes D’Abadia, que ao perceber a tentativa de furto se aproximou do suspeito e com ele iniciou luta corporal, ao fim da qual acabou sendo atingido por um tiro. Marcos Vinicius permanece internado em estado grave, em tratamento, e chegou a ficar em coma. O fato, registrado por câmeras de segurança, ocorreu por volta das 15h50, na Rua T-28, no Setor Bueno.

Três dias depois, na noite de 31 de agosto, também para roubar um carro, a polícia credita a Cadu a morte de Matheus Pinheiro de Morais, abordado na Praça do Colégio Ipê, também no Setor Bueno, quando estacionou com seu Honda Civic branco em frente ao prédio em que mora sua namorada, que também estava no veículo. De acordo com a denúncia, Cadu foi flagrado passando pelo local junto a um comparsa ainda não identificado quando decidiu descer para cometer o crime.

Ao se aproximar do veículo de Matheus, Cadu sacou a arma e bateu duas vezes no vidro ordenando que ele e a namorada saíssem do veículo e deixassem lá todos os pertences, mas quando o jovem abriu a porta para sair, foi atingido. Matheus chegou a correr em busca de socorro, mas morreu minutos depois.

Cadu então entrou no carro da vítima e fugiu, jogando para fora o celular de Matheus para evitar a localização, enquanto o comparsa seguiu no outro carro, um Honda City, estacionado nas proximidades.

O promotor também detalha a perseguição policial que resultou na prisão de Cadu no último dia 1º, quando a polícia identificou os dois suspeitos após um delegado flagrar os veículos em atitude suspeita. De acordo com informações da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), houve perseguição e troca de tiros. Ricardo Pimenta Júnior se entregou e Cadu, mesmo ferido, conseguiu fugir. A polícia conseguiu prendê-lo durante tentativa de assalto a uma farmácia, logo depois da perseguição.

Histórico dos fatos:

– No início da tarde do dia 1º de setembro, em Goiânia, a PM prendeu Ricardo Pimenta Júnior e Carlos Eduardo Sundfeld Nunes;

– No dia 2 os dois foram apresentados à imprensa em coletiva na Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH). De acordo com o delegado responsável pelo caso, Thiago Damaceno, a dupla integra uma organização criminosa especializada em roubos de veículos que atua em Goiânia;

– Também no dia 2 de setembro a juíza Telma Aparecida Alves Marques, da 1ª Vara de Execução Penal (VEP) de Goiânia, prestou esclarecimentos sobre a soltura de Carlos Eduardo. A magistrada esclareceu que para expedir a decisão de sua soltura, Cadu é acompanhado mensalmente pela Justiça; que foram feitos vários laudos, inclusive pela junta médica do TJGO e que, todo mês, é apresentado um relatório;

– Dia 2, a viúva de Glauco Vilas Boas concede entrevista ao Jornal Folha de São Paulo frisando que sabia que ao ser solto o jovem voltaria a cometer crimes;

– Em 3 de setembro o juiz Gustavo Dalul Faria, da 5ª Vara Criminal de Goiânia, converteu a prisão em flagrante de Cadu em prisão preventiva. Nota divulgada pela assessoria doTJGO registrou que a decisão se baseou nos indícios da materialidade e da autoria dos crimes por parte de Cadu. Segundo entendimento judicial, a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública;

– Também no dia 3 em entrevista ao Jornal Opção Online, o coordenador de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do Município, Sérgio Nunes, informou que o pai do jovem ligou ao Caps em que Cadu era atendido no dia 26 de agosto informando uma alteração de comportamento no filho;

– No dia 10 o delegado Thiago Damasceno informou que o inquérito de Cadu estava finalizado e que ele seria indiciado por tentativa de latrocínio e latrocínio consumado.

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