Brinquedos do Mutirama passavam apenas por “manutenção visual”, revela engenheiro

Depoimento de profissional que atuava no parque confirma negligência da prefeitura que resultou em tragédia no último mês

Depoimento do engenheiro técnico responsável pela manutenção dos brinquedos do Parque Mutirama à polícia comprova a negligência e o amadorismo da gestão municipal na condução do espaço de lazer. É para o que aponta o titular do 1ª Distrito Policial de Goiânia, o delegado Izaías Pinheiro, responsável pelas investigações que apuram as causas da pane em uma das atrações do parque, que deixou 11 pessoas feridas, no dia 26 de julho.

Segundo ele, durante depoimento, o engenheiro afirmou que era feita apenas uma “manutenção visual” em todas as atrações do parque, incluindo o brinquedo Twister, alvo da pane. “Uma manutenção estrutural nunca sequer foi feita”, revelou Izaías ao Jornal Opção, nesta quarta-feira (16/8).

Ainda de acordo com o delegado, a atração deveria ser desmontada e passar por um raio-x geral a cada 10 anos, no mínimo. O brinquedo já estava no parque há 33 anos, entretanto, e nunca foi alvo de revisão.

À polícia, o profissional de engenharia ainda apresentou um termo de adesão para trabalho voluntário, o que comprovaria que ele, de fato, continuava a prestar serviços à administração municipal, mesmo após ser demitido pela gestão do prefeito Iris Rezende (PMDB) no início do ano. “E isso não exclui a responsabilidade da prefeitura, apenas a divide”, pontua o delegado.

O depoimento do engenheiro à polícia também relevou uma contradição em relação ao que foi alegado pela prefeitura. Segundo a administração municipal, o engenheiro estava no parque no momento do acidente envolvendo o brinquedo Twister. O próprio profissional, contudo, afirmou que só chegou ao local após a pane na atração.

A incongruência nos depoimentos também será alvo de acareação, conforme adiantou o delegado à reportagem.

Amadorismo

As investigações sobre o caso Mutirama revelaram, ainda, mais uma prova do amadorismo do Paço na administração do parque. De acordo com o delegado, o responsável por operar o brinquedo que foi alvo de pane no último mês não possuía qualquer capacitação.

O profissional, na verdade, integrava o quadro de faxineiros do espaço de lazer e operava o brinquedo como tarefa extra. À polícia, ele argumentou que a tarefa era muito simples e consistia basicamente em “apertar um botão”.

“É claro que esta pessoa em questão não teve qualquer responsabilidade sobre o ocorrido, mas prova, mais uma vez, o amadorismo e a incompetência da prefeitura”, pontua.

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