Negócio de R$ 255 milhões envolve banco, carros irregulares e empresa ligada a Edir Macedo
18 maio 2026 às 11h03

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O banco Digimais transferiu uma carteira de financiamentos de veículos considerada problemática, incluindo contratos ligados a carros com irregularidades e até um automóvel roubado, para uma empresa ligada ao pastor e empresário Tiago Gouvêa, da Alive Church.
A negociação envolveu a Hatikvah Participações, empresa que atua no mercado de crédito consignado. Segundo documentos obtidos pelo Estadão, a carteira foi vendida por cerca de R$ 255 milhões. Como parte do acordo, o banco receberia participação em um fundo de investimentos ligado aos negócios imobiliários do pastor.
Entre os casos incluídos no pacote está o do técnico em segurança Rafael Cascardi, que financiou um Celta 2014 por meio do Digimais e acabou descobrindo, após uma abordagem policial, que o veículo era roubado. A Justiça determinou o cancelamento do contrato, mas a disputa judicial passou a ser conduzida pela Hatikvah, e não mais pelo banco.
Outro cliente afetado é o fotógrafo Rodrigo Menezes Martins. Ele relata que comprou um carro que apresentava defeitos constantes e tentou desfazer o negócio, sem sucesso. Mesmo após decisão judicial suspendendo as cobranças, afirma que continuou recebendo cobranças relacionadas ao financiamento.
A operação faz parte de uma série de negociações feitas pelo Digimais para retirar ativos considerados de alto risco do balanço financeiro da instituição. Investigações e reportagens recentes apontam que o banco vinha repassando carteiras com altos índices de inadimplência e créditos de difícil recuperação para fundos e empresas parceiras.
Em nota, Tiago Gouvêa afirmou que ofereceu ao banco operações de empréstimo consignado voltadas a servidores públicos de municípios onde já atua. O Digimais não comentou o caso.
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