Bancários de Goiás votam reajuste de até 4,8% e Caixa pode entrar em greve; veja o que está em negociação
03 setembro 2026 às 16h05

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Os bancários de Goiás iniciaram nesta quinta-feira, 3, a votação das propostas negociadas para a campanha salarial da categoria. As assembleias envolvem trabalhadores da rede privada, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal e seguem até sexta-feira, 4. No caso da rede privada, também haverá votação presencial itinerante nas agências.
Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários do Estado de Goiás, Sergio Luiz da Costa, a proposta negociada prevê reajuste correspondente a 100% do INPC mais 0,6% de ganho real. A estimativa considera uma inflação entre 3,90% e 4,22%, o que levaria o reajuste para uma faixa próxima de 4,8%.
“Esse ano nós conseguimos o INPC cheio, 100% do INPC, mais 0,60 de ganho real. Em 2027, o reajuste também vai ser nessa mesma proporção”, afirmou Sergio Luiz ao Jornal Opção.
A data-base dos bancários é 1º de setembro. De acordo com o sindicalista, a convenção coletiva tem duração de dois anos, e as negociações também ocorrem por meio de uma mesa permanente com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Caixa concentra discussão sobre plano de saúde
Embora as três categorias estejam em processo de votação, a situação da Caixa Econômica Federal é a que apresenta, neste momento, maior possibilidade de paralisação. Isso ocorre principalmente por causa das discussões envolvendo o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados.

“A perspectiva é que a proposta na Caixa seja rejeitada”, disse o presidente do sindicato. Caso a rejeição se confirme, a categoria poderá iniciar uma greve por tempo indeterminado a partir de 8 de setembro. Segundo Sergio Luiz, a possibilidade não está restrita a Goiás. “A projeção é greve nacional na Caixa”, afirmou.
Na Caixa, os trabalhadores analisam tanto a Convenção Coletiva de Trabalho quanto o Acordo Coletivo de Trabalho. O segundo contempla questões específicas dos empregados da instituição, entre elas o plano de saúde.
Banco do Brasil tem negociação diferente
No Banco do Brasil, a discussão não apresenta, segundo o sindicato, a mesma perspectiva de greve existente na Caixa. A pauta está concentrada principalmente no reajuste salarial e na preservação das cláusulas já existentes. “O Banco do Brasil fica restrito mais aos reajustes e à manutenção das cláusulas e das convenções já preexistentes”, explicou Sergio Luiz.
A votação dos empregados do banco ocorre separadamente, assim como acontece com os trabalhadores da Caixa e da rede privada.
A votação também envolve os trabalhadores dos bancos privados que atuam em Goiás. Entre as instituições estão Bradesco, Itaú, Safra, Santander e Mercantil, além de outros bancos integrantes da rede privada.
Na avaliação do presidente do sindicato, não existe atualmente uma situação específica entre os bancos privados que apresente a mesma possibilidade de greve discutida na Caixa. “A questão dos bancos privados, voltando à CCT, não tem uma questão do Saúde Caixa igual tanto o pessoal da Caixa”, afirmou.
A assembleia da rede privada começou de forma online nesta quinta-feira e permanece aberta até sexta-feira. Também está prevista votação presencial itinerante em agências.
Categoria reúne cerca de 10 mil bancários em Goiás
O Sindicato dos Bancários de Goiás representa aproximadamente 8,4 mil trabalhadores em sua base. Considerando outras bases sindicais existentes no Estado, como Jataí, Itumbiara, Rio Verde, Anápolis e Catalão, o número de bancários vinculados à federação chega a aproximadamente 9,5 mil a 10 mil profissionais.
A campanha salarial deste ano já teve um momento de mobilização em 20 de agosto, quando houve paralisação nas instituições financeiras. Segundo Sergio Luiz, o movimento ocorreu em reação a propostas discutidas nas negociações.
“Eles queriam fazer um índice abaixo do INPC, colocando o IPCA dos alimentos. E também dividir a categoria em faixa etária para dar o reajuste salarial”, afirmou.
Depois da manifestação, as negociações avançaram para a atual etapa de votação das propostas.
Vale-alimentação e outros benefícios também estão na mesa
A negociação não envolve apenas os salários. Benefícios como vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche também fazem parte das discussões entre trabalhadores e instituições financeiras.
Um dos pontos de divergência foi justamente o índice de reajuste do vale-alimentação. Segundo o presidente do sindicato, houve uma tentativa de utilizar um indicador específico relacionado à inflação dos alimentos. “Então nós não aceitamos mudar o índice”, afirmou Sergio Luiz.
Para o sindicalista, a manutenção das regras atuais é importante para garantir que os benefícios acompanhem a correção prevista na negociação salarial.
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