Aumento do pedágio em Goiás terá que ser explicado no TCU

Aumento autorizado em abril teve a maior alta na praça de Goianápolis (168%), seguido de Alexânia (137%), Professor Jamil (131% e Itumbiara (125%)

Parecer técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) acatou a representação que aponta irregularidades no aditivo contratual que permitiu reajuste de até 193% no pedágio em rodovias federais goianas. O documento foi apresentado pelo deputado federal Elias Vaz (PSB) e pelo senador Jorge Kajuru (Podemos). O relatório segue para apreciação do relator no Tribunal, Walton Alencar.

Os parlamentares pediram a suspensão cautelar do aumento, entretanto, antes de tomar qualquer decisão, o documento do TCU estipula que a Agência Nacional de Transportes Terrestres e a Concessionária das Rodovias Centrais do Brasil S.A (Concebra) terão um prazo de cinco dias para que expliquem sobre a assinatura do aditivo e encaminhem também a documentação, incluindo cronograma de elaboração de projetos e realização de obras.

Na análise do reajuste, a equipe técnica constatou um excedente tarifário, ou seja, a diferença entre a tarifa média praticada (R$ 6,90) e a tarifa calculada (R$ 3,10). O valor pode gerar aos cofres da Concebra um pagamento de R$ 579 milhões, sem descontar os valores das multas e também de punições financeiras que a empresa deveria receber por descumprimento do contrato. Ainda, segundo o documento, é apontado que existe o risco da concessionária receber esse excedente tarifário e não executar as obras previstas de recuperação, dado o tempo exíguo do aditivo, 20 meses, e a extensão de rodovias sob a gestão da Concebra, além do histórico de descumprimento contratual da empresa.

De acordo com Elias Vaz, “a concessionária passou anos descumprindo o contrato, o que deixou as rodovias em péssimas condições e está lesando os motoristas, seja pela falta de segurança ou por danos causados aos veículos. E ainda recebe de presente aumentos que chegam a quase 200% nos próximos 20 meses”, diz. Segundo o parlamentar, o aditivo é prejudicial e deixa os motoristas sem nenhuma garantia de que o serviço previsto em contrato será executado.

O deputado chegou a realizar audiência pública na Câmara Federal para discutir sobre o assunto. Na ocasião, técnicos apresentaram relatório indicando que em torno de 90% das obrigações previstas no contrato de concessão de rodovias federais não tinham sido cumpridas pela Concebra. Apesar disso, a concessionária recebeu reajustes de 22% acima da inflação no período. Em abril, o aumento foi autorizado e a maior alta no pedágio foi na praça de Goianápolis, 168%. Em Alexânia, chegou a R$137%. Já em Professor Jamil o índice foi de R$131% e em Itumbiara chegou a 125%.

De acordo com o documento, a empresa tinha executado apenas 85 quilômetros de duplicação dos quase 650 quilômetros previstos. O relatório também apontou que a Concebra não realizou nenhum trecho dos 45 quilômetros de faixas adicionais, 30 quilômetros de contornos, 36 quilômetros de vias marginais e 11 acessos e não construiu nenhuma das 38 passarelas e nenhum dos quatro retornos exigidos em contrato.

A Concebra atua em rodovias federais que cortam Goiás desde 2014. Em 2019, a empresa foi alvo da Operação Infinita Highway, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, por suspeita de prestar informações falsas para simular o cumprimento das metas previstas no contrato de concessão.

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