Após pressão, Meta admite riscos das redes para crianças; veja cuidados recomendados
26 agosto 2026 às 19h14

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A Meta, responsável pelo Instagram e Facebook, chegou a um acordo nesta quarta-feira, 26, para encerrar um julgamento nos Estados Unidos relacionado aos impactos das redes sociais sobre crianças e adolescentes. O caso reacendeu o alerta sobre os riscos da exposição precoce e do uso excessivo dessas plataformas por menores de idade.
Pelo acordo, a companhia aceitou pagar US$ 16,7 bilhões, aproximadamente R$ 86 bilhões, e se comprometeu a promover mudanças na utilização das plataformas pelo público infantojuvenil.
A discussão vai além do tempo que crianças e adolescentes permanecem diante das telas. Durante uma fase marcada pelo desenvolvimento cerebral e pela formação da identidade, o contato constante com redes sociais pode aumentar a exposição a conteúdos inadequados, padrões irreais de aparência, violência, pornografia, publicidade de jogos de azar e comunidades extremistas.
O uso excessivo também pode estar relacionado a problemas como ansiedade, sintomas depressivos, dificuldades de socialização e insatisfação com a própria imagem.
Quando celular e redes sociais devem entrar na rotina?
Uma das recomendações mais conhecidas é do psicólogo norte-americano Jonathan Haidt, autor de “A Geração Ansiosa”. Ele defende que smartphones com acesso amplo à internet não sejam disponibilizados antes dos 14 anos e que o acesso às redes sociais seja adiado até os 16.
O especialista também recomenda evitar celulares nas escolas e ampliar o tempo dedicado a brincadeiras, convivência presencial e atividades que proporcionem maior autonomia às crianças.
Dentro de casa, estabelecer limites claros também pode fazer diferença. Evitar celulares durante as refeições e retirar os aparelhos dos quartos na hora de dormir estão entre as medidas indicadas.
Outra alternativa é definir horários para utilização da internet e criar momentos em família nos quais todos, inclusive os adultos, permaneçam longe das telas.
Pais devem ficar atentos a mudanças de comportamento
O comportamento dos filhos pode indicar quando a relação com as redes sociais começa a interferir na rotina. Queda repentina no desempenho escolar, isolamento, perda de interesse por atividades que antes despertavam prazer e dificuldade para abandonar o celular estão entre os sinais de alerta.
Nesses casos, a orientação é que pais e responsáveis procurem entender o que está acontecendo antes de transformar o acompanhamento em punição.
Manter conversas frequentes sobre os conteúdos consumidos, as pessoas com quem os filhos interagem e as experiências vividas no ambiente virtual pode ajudar a identificar situações de risco.
Configurações aumentam segurança nas redes
Os próprios aplicativos oferecem ferramentas que podem aumentar a proteção de usuários mais jovens. Manter contas privadas, limitar mensagens enviadas por desconhecidos e restringir marcações e menções estão entre as medidas disponíveis.
Pais e responsáveis também podem recorrer aos controles parentais dos aparelhos e plataformas para estabelecer limites e acompanhar determinados aspectos da utilização.
No Instagram e em outras redes que permitem reutilização de vídeos, recursos que possibilitam que terceiros reproduzam ou ampliem a circulação das publicações também podem ser restringidos.
Especialistas ressaltam, porém, que nenhuma ferramenta tecnológica substitui o acompanhamento familiar. Além de estabelecer regras, o comportamento dos próprios adultos serve de referência. Quando pais também conseguem deixar o celular de lado durante refeições, conversas e momentos de lazer, os limites deixam de ser apenas uma exigência para os filhos e passam a fazer parte da rotina da família.
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