Após agressão de estudante, Segurança Pública aprimora ação policial em manifestações

Secretário Ricardo Balestreri diz que episódio que feriu gravemente o estudante Mateus Ferreira acarretou o estabelecimento de novas práticas dentro da polícia

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Cinco meses após o caso do estudante Mateus Ferreira, que ficou gravemente ferido ao ser agredido por um policial militar durante uma manifestação em Goiânia, o secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária de Goiás (SSPAP), Ricardo Balestreri, afirma que o episódio acarretou a adoção de novas práticas pela polícia goiana.

“Aprofundamos a criação de métodos internos, nossa polícia de Choque, que é especialista em manifestações, começou a dar aulas nas demais unidades policiais que eventualmente acompanham manifestações e planejamos iniciar um curso de formação em cidadania para os policiais. Além disso, temos a adoção do sistema de inteligência da PM2 lançado recentemente”, citou.

“Foi um episódio lamentável, depois disso houve um estabelecimento de novas práticas e tudo foi devidamente apurado”, comentou. Balestreri foi um dos convidados a participar de uma audiência pública na sede do Ministério Público Federal de Goiás (MPF-GO) sobre segurança pública e manifestações sociais.

Apesar disso, ele reconhece que a polícia brasileira, em geral, é despreparada quando o assunto é manifestações sociais.

“A polícia do Brasil ainda precisa de muitas oportunidades de preparação. A democracia brasileira é muito jovem. Nós herdamos uma cultura de ditadura, então muitas vezes não sabemos os mecanismos mais técnicos de como agir. Os países europeus, por exemplo, têm uma tradição secular com manifestações populares. Nós somos um país jovem e uma democracia mais jovem ainda. Precisamos fazer essa aprendizagem”, ponderou.

Mateus Ferreira ficou em estado grave e teve que passar por uma série de cirurgias depois que foi agredido durante protesto contra as reformas do presidente Michel Temer (PMDB), no Centro de Goiânia. Imagens do momento da agressão mostram o policial acertando um cassetete no rosto do estudante.

A Polícia Militar (PM) de Goiás afastou das ruas o capitão Augusto Sampaio de Oliveira Neto, subcomandante da 37ª Companhia Independente, em Goiânia. Ele também foi indiciado e responde pelo crime de lesão corporal grave.

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