Apesar da queda de 12 pontos, 17% do eleitorado segue desconfiado da urna eletrônica

Pesquisa Datafolha mostra aumento em taxa de confiança, até entre eleitores do presidente Jair Bolsonaro (PL)

Sistema eletrônico de votação brasileiro quando foi lançado foi considerado avanço tecnológico | Foto: Agência Brasil

Há 26 anos, eleitores de 57 municípios brasileiros conheceram pela primeira vez a urna eletrônica. As eleições eram municipais e datava de 1996, ao todo 70 mil urnas coletaram 32 milhões de votos, isto é, um terço do eleitorado da época. Uma novidade que acelerou a apuração dos votos e deu mais transparência ao processo. A partir daí, o equipamento ganhou confiança e credibilidade, poucos duvidavam da eficaz. Nos últimos anos, contudo, rumores surgiram e, consequentemente, eleitores passaram a desconfiar do aparelho eletrônico utilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições.

Para cientista política Ludmila Rosa, as incertezas que pairaram sobre a confiabilidade do sistema eleitoral se intensificaram com as investidas do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acerca da apuração das últimas eleições presidenciais daquele país. Assim, o mesmo discurso começou a ser adotado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em relação às urnas eletrônicas.

“Nós colhemos um pouco dessa tentativa, desse movimento no Brasil, especialmente quando a gente começou a ter repercussão das pesquisas de opinião e isso muito desfavorável ao presidente da República. Pesquisas também qualitativas envolvendo o governo, envolvendo o enfrentamento do governo em relação à pandemia. Então muito são os dados que deponham contra esse governo e ele precisava ter álibis para justificar qualquer insurgência em relação ao resultado das eleições deste ano”, aponta a especialista.    

A segurança sobre o uso do sistema eletrônico eleitoral foi reforçada pelas instituições, de maneira mais firme pela Justiça, que chegou a cassar o mandato do deputado estadual do Paraná, Fernando Francischini (PSL), por ter propagado informações falsas acerca da urna eletrônica e o sistema de votação nas eleições de 2018. Com isso, o TSE demonstrou que não toleraria novos questionamentos da credibilidade da urna sem a apresentação de evidências. O resultado de campanhas pró-sistema eletrônico saiu em levantamento do instituto Datafolha. A pesquisa mostra redução no número daqueles que desconfiam do uso do aparelho, caindo de 29% para 17%, em relação a 2020 e a confiança saltando de 69% para 82%.

O instituto quis saber também em qual modelo os entrevistados prefeririam votar. 77% optaram pelo sistema eletrônico e 20% optaram pelo voto no papel, registrando queda de 3%, em relação ao levantamento anterior. Dentre os eleitores do presidente Jair Bolsonaro (PL), a quantidade daqueles que confiam na urna eletrônica é alto: 70%. Foram ouvidos 2.556 entrevistados em 181 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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