Aos 51 anos, mulher volta a estudar e leva os pais de 69 e 74 anos para a sala de aula em Goiânia
18 agosto 2026 às 18h47

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A decisão de Selma Santos Barrozo, de 51 anos, de voltar a estudar acabou levando outros dois integrantes da família para a sala de aula. Moradora de Goiânia há oito anos, ela procurou a Escola Municipal Madre Francisca, na Vila Pedroso, em agosto de 2025, para matricular o filho.
Como a unidade não oferecia a etapa de ensino necessária para o jovem, Selma foi apresentada à Educação de Jovens e Adultos (EJA) e decidiu retomar a própria trajetória escolar. Poucos dias depois, incentivou os pais a fazerem o mesmo.
Francisco Nonato Barrozo, de 74 anos, passou a frequentar a mesma turma da filha. Já Maria da Paz Pereira Santos Barrozo, de 69, iniciou o processo de alfabetização no primeiro período.
A partir daí, a família passou a compartilhar também a rotina escolar. Selma e o pai realizam atividades juntos e trocam conhecimentos durante as aulas, enquanto a mãe dá os primeiros passos no processo de alfabetização.
Segundo a coordenadora pedagógica da escola, Tanildes Barnabé da Silva Costa, tudo começou quando Selma procurou a unidade para matricular o filho.
“Ela procurou a escola para o filho, estudante da segunda fase do Ensino Fundamental. Foi informada que a unidade não oferecia a segunda fase. No entanto, recebeu um convite inesperado de retornar à sala de aula e retomar a própria trajetória escolar. A sua ida à escola possibilitou que três integrantes da mesma família retomassem seus estudos”, relata.
Para Selma, o retorno aos estudos também abriu espaço para novos planos. Ela conta que passou a se sentir mais segura para ler em público e agora estabeleceu como meta chegar ao ensino superior.
“O retorno aos estudos me ajudou a pensar mais em mim e a valorizar as pessoas que estão ao meu redor. Estou recuperando o que não dei valor lá atrás. Me motivo e tenho uma meta de fazer faculdade. Quero mostrar para os meus filhos que sou capaz”, afirma.
A experiência de dividir a sala de aula com os próprios pais também ganhou um significado especial para Selma.
“Estudar com meus pais é um sonho, uma forma de retribuir o que eles fizeram por mim no passado. Somos uma família e ajudamos uns aos outros na sala de aula. Meus pais são de idade, mas isso não quer dizer que eles não podem conseguir. Agora, um pega na mão do outro”, diz.
EJA reúne cerca de 750 estudantes em Goiânia
A Educação de Jovens e Adultos é destinada a pessoas a partir dos 15 anos que não concluíram a escolarização na idade regular. Na rede municipal de Goiânia, a modalidade atende do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental e funciona principalmente no período noturno.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação (SME), a EJA é oferecida em 18 escolas municipais, além de salas de extensão instaladas em espaços parceiros, como Centros de Referência de Assistência Social (Cras), associações e centros comunitários. Ao todo, são 55 salas, que atendem aproximadamente 750 estudantes.
O público inclui trabalhadores, moradores de ocupações urbanas e pessoas em situação de vulnerabilidade social. A rede também mantém cinco turmas de EJA integradas à Educação Profissional, em parceria com o Instituto Federal de Goiás (IFG).
Em 2025, 60 estudantes concluíram o primeiro segmento da modalidade. Para 2026, a previsão da SME é que outros 60 alunos concluam essa etapa.
Entre as estratégias adotadas pela secretaria estão a busca ativa de estudantes que interromperam a escolarização, o acompanhamento pedagógico e a oferta de salas de extensão em locais de trabalho. Os alunos também têm acesso gratuito à alimentação escolar, material didático e uniforme.
A EJA é oferecida nas seguintes escolas municipais:
Escola Municipal Geralda de Aquino — Cidade Jardim
Escola Municipal Jardim Nova Esperança — Jardim Nova Esperança
Escola Municipal Maria da Terra — Bairro Floresta
Escola Municipal Brice Francisco Cordeiro — Vila Itatiaia
Escola Municipal Prof. Leonísia Naves de Almeida — Morada do Sol
Escola Municipal Marcos Antônio Dias Batista — Setor Estrela Dalva
Escola Municipal Bom Jesus — Jardim Novo Mundo
Escola Municipal Professora D’Alka Leles — Residencial Orlando de Morais
Escola Municipal Madre Francisca — Vila Pedroso
Escola Municipal Prof. Marília Carneiro Azevedo Dias — Jardim Guanabara 2
Escola Municipal Dom Tomás Balduíno — Residencial Jardins do Cerrado 1
Escola Municipal Laurindo Sobreira do Amaral — Conjunto Vera Cruz
Escola Municipal Residencial Itaipu — Residencial Itaipu
Escola Municipal Jesuína de Abreu — Parque Amazônia
Escola Municipal José Alves Vila Nova — Parque Atheneu
Escola Municipal Prof. Moacir Monclar Brandão — Jardim América
Escola Municipal Solar Ville — Solar Ville
Escola Municipal Renascer — Real Conquista
Também há turmas em instituições parceiras, como o CRAS Jardim Novo Mundo, Associação Polivalente São José, Projeto Emanuel, Casa Terapêutica Vida Nova e Centro de Trabalho Comunitário Casa de Deus. As matrículas podem ser feitas pela Secretaria Municipal de Educação de Goiânia ou diretamente nas unidades que oferecem a modalidade.
Segundo a SME, não é necessário apresentar histórico ou documentação escolar anterior. Para a matrícula, são solicitados documento pessoal e comprovante de endereço. Os estudantes matriculados têm acesso a professores, alimentação, material escolar e uniforme fornecidos pela rede municipal.
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