Aliados goianos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) evitam falar do escândalo revelado pelo Intercept Brasil nesta quarta-feira, 13, envolvendo o filho de Bolsonaro e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), e o banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio pressionou Vorcaro por dinheiro para o filme “Dark Horse”, que homenageia seu pai.

A reportagem do Jornal Opção tentou contato com o vereador Major Vitor Hugo e com o deputado federal e presidente do PL Goiânia Gustavo Gayer. Não obtendo retorno até fechamento dessa matéria.

O vereador por Goiânia, Oseias Varão (PL) afirmou a reportagem que não estava a par do assunto, e que por este motivo não iria se manifestar sobre o caso.

Conversas Vazadas

Mensagens obtidas pelo Intercept Brasil revelam detalhes das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre o financiamento do filme biográfico “Dark Horse”, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a reportagem, Vorcaro teria se comprometido a repassar US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para a produção cinematográfica. Documentos e mensagens analisados pelo site indicam que ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações financeiras.

Os diálogos mostram Flávio Bolsonaro atuando diretamente nas negociações e cobrando a liberação de recursos para o projeto. Em uma das mensagens divulgadas, enviada em 16 de novembro de 2025, o senador escreveu a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. A conversa ocorreu um dia antes da prisão do banqueiro na Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central.

Em outro trecho revelado pelo Intercept, Flávio demonstra preocupação com atrasos nos pagamentos da produção internacional do filme. Em áudio enviado a Vorcaro, o senador afirma que a equipe estava “tensa” com a situação financeira do projeto.

“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. Tem muita parcela para trás e está todo mundo tenso”, teria dito o parlamentar.

Na sequência, Flávio menciona atores envolvidos na produção e afirma: “Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras renomadíssimos do cinema americano”.

A reportagem também aponta participação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, do deputado federal Mario Frias, do empresário Thiago Miranda e de Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro.

De acordo com os documentos divulgados, parte dos recursos teria sido transferida pela empresa Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.

As mensagens mostram ainda que Vorcaro acompanhava pessoalmente o cronograma de pagamentos e tratava o filme como prioridade. Em conversa com Fabiano Zettel, o empresário teria determinado: “Não pode falhar mais”.

O Intercept afirma que os diálogos abrangem o período entre dezembro de 2024 e novembro de 2025 e foram verificados por meio de cruzamento de informações bancárias, registros públicos e documentos sigilosos.

Resposta de Flávio

Após a polêmica, o senador Flávio Bolsonaro se manifestou por nota. No documento, o parlamentar negou irregularidades e defendeu a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.

“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes dos bandidos”, afirmou o senador.

Flávio afirmou que o projeto cinematográfico foi financiado com recursos privados e negou qualquer relação com dinheiro público ou intermediação junto ao governo. “O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, escreveu.

O senador também afirmou que conheceu Vorcaro apenas em dezembro de 2024, quando, segundo ele, “não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”. Ainda na nota, Flávio disse que retomou contato com o empresário apenas após atrasos nos pagamentos do filme.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, declarou.

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