A alergia alimentar tem se tornado uma preocupação crescente entre pais e profissionais da saúde. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, cerca de 6% a 8% das crianças com menos de 3 anos possuem algum tipo de alergia alimentar. No total, a condição afeta entre 2% e 10% da população.

Durante a Semana Nacional da Conscientização Sobre Alergia Alimentar, uma ação voltada para profissionais da educação será realizada no dia 16 de maio, no auditório da Associação Médica de Goiás, em Goiânia. A atividade contará com orientações da médica Germana Pimentel Stefani, integrante do Departamento de Alergia Alimentar da ASBAI.

A imunologista e alergista Maria Letícia Chavarria explica que o aumento dos casos pode estar relacionado às mudanças ambientais e de hábitos da sociedade moderna. “A gente acredita que, em função de mudanças de hábitos, alterações climáticas e da industrialização, essas mudanças podem influenciar o organismo humano a ponto de percebermos esse aumento das alergias alimentares”, afirmou ao Jornal Opção.

Maria Letícia Chavarria é imunologista e alergista | Foto: Reprodução

Segundo a especialista, as crianças pequenas estão entre os grupos mais afetados porque é justamente nessa fase que ocorre a introdução alimentar após o aleitamento materno. “Quando essa introdução ocorre, é que aparecem muitas manifestações alérgicas em crianças que possuem predisposição”, explica.

Entre os principais sinais de alerta estão vermelhidão ao redor da boca, erupções na pele, cólicas, vômitos, diarreia e até sangue nas fezes após o consumo de determinados alimentos. “Os pais geralmente percebem rapidamente que a criança não está bem. A partir disso, é necessário investigar e suspender o alimento suspeito”, diz Chavarria.

Os alimentos que mais costumam provocar alergias são leite, ovo, trigo, soja, peixes, crustáceos e castanhas. De acordo com a médica, leite e ovo lideram os casos na infância, enquanto castanhas e frutos do mar são mais frequentes entre adolescentes e adultos.

A especialista também destacou a diferença entre alergia alimentar e intolerância. Segundo ela, a intolerância costuma provocar apenas sintomas digestivos, enquanto a alergia pode gerar manifestações na pele e reações imunológicas mais amplas. “Na intolerância, o paciente normalmente não apresenta vermelhidão ou erupções na pele. Já a alergia pode provocar empolamentos e reações cutâneas”, afirma.

Apesar da preocupação, a médica ressalta que muitas crianças desenvolvem tolerância aos alimentos com o passar do tempo, especialmente nos casos de alergia a leite e ovo. “Não é necessariamente para sempre. Muitas crianças deixam de apresentar alergia ao crescer. Já alergias a crustáceos e castanhas tendem a persistir mais”, explica.

Segundo Chavarria, atualmente também existem tratamentos de dessensibilização alimentar para alguns casos específicos, realizados com acompanhamento médico especializado.

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