Aids matou jogador do time do Internacional. Ele jogou no Santos e foi artilheiro da Copa do Brasil

gerson1Gérson da Silva não era um craque como Pelé, Romário ou Ronaldo Fenômeno. Mas era um grande atacante, um centroavante como poucos — sólido como uma rocha. Quem sabe, até, um Dario melhorado. Quase um Walter, o atacante que jogou no Goiás e hoje está no Fluminense. Seu negócio era fazer gols — não importava se feios ou bonitos. Para ele, gols eram sempre bonitos, se feitos com a ponta do pé, com a canela ou com o ombro. Na Copa Brasil, jogando pelo Internacional de Porto Alegre, fez 23 gols, em 1989, 1991 e 1992. Mas o Gérson, o centroavante destemido, não conseguiu vencer a Aids e morreu com apenas 28 anos, em 1994. A família, segundo a ESPN, garante que morreu abandonado pelo Inter. Este time ganhou um título nacional, em 1992, graças, em larga medida, aos gols decisivos de Gérson.

A mulher de Gérson, Andréa Mayr Felipe da Silva, relata: “Ele tinha vindo do treino, a gente tinha acabado de almoçar, e aí ele recebeu um telefonema do clube pedindo para ele repetir o exame… Depois, ele foi abandonado. Ele ficou internado uma semana, e o clube nunca ligou para saber onde o jogador estava e por que não aparecia para treinar”. Gérson jogou também no Santos, no Guarani, no Paulista (SP) e Atlético Mineiro. Todos o esqueceram.

Silas, de 49, ex-craque do São Paulo e agora técnico de futebol, foi o único amigo do mundo esportivo que o ajudou. “Naquela época, 20 anos atrás, falar de Aids era um negócio… Eu acompanhei àquela fase inicial da doença do Gérson, mas ele não falou para mim que ele estava doente… Ele me pedia para levá-lo na clínica para tomar o medicamento, que era o AZT, mas ele não falava nada, e eu também não, era aquele silêncio, né… Silêncio de irmão”. Na época, chegou-se a negar que o atacante tinha Aids.

Com Gérson doente, e sem dinheiro, Andréia trabalhou como faxineira para sustentar a família, composta de três filhas. O jogador morreu em 17 de maio de 1994. Mas Andréa afirma que ele morreu antes, “ainda com vida”, devido ao abandono. “A vida acabou para ele não foi quando ele morreu, mas foi quando ele foi abandonado, pelos amigos e pelo clube, ali acabou o Gérson da Silva, centroavante.”

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