Africana é a primeira mulher a dirigir a Organização Mundial do Comércio

Formada por Harvard, com doutorado pelo MIT, Ngozi Okonjo-Iweala diz que é preciso ajudar os países pobres a obter a vacina contra a Covid

Uma das notícias mais positivas do ano: uma mulher — e negra — foi eleita para o cargo de diretora-geral da Organização Mundial do Comércio. Trata-se da nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, de 66 anos. Formada em Economia por Harvard, é doutora em Economia Regional e Desenvolvimento pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Foi ministra das Finanças da Nigéria e diretora do Banco Mundial. Quando presidente, Donald Trump operou para barrar sua indicação. Com o presidente democrata, Joe Biden, as barreiras foram removidas.

Ngozi Okonjo-Iweala: nova diretora-geral da Organização Mundial do Comércio | Foto: de Fabrice Coffrini/AFP

Conhecida por ser boa de briga, Ngozi Okonjo-Iweala afirma que quer contribuir para arrancar os países da crise e para requalificar suas economias — que foram afetadas pela pandemia do novo coronavírus. “Uma OMC forte é vital se quisermos nos recuperar completa e rapidamente da devastação causada pela pandemia. Estou ansiosa para trabalhar com os membros para moldar e implementar as respostas políticas de que precisamos para fazer a economia global funcionar novamente”, afirma a nova diretora da OMC. “A organização enfrenta muitos desafios, mas trabalhando juntos podemos tornar a OMC mais forte, mais ágil e mais bem adaptada às realidades de hoje.”

Ngozi Okonjo-Iweala sugere que, sob seu comando, a OMC será firme na ajuda aos países pobres para que obtenham a vacina contra a Covid-19. A economista quer um mundo mais integrado, e não apenas em termos retóricos.

O governo dos Estados Unidos, segundo seu representante na OMC, David Bisbee, “está empenhado em trabalhar em estreita colaboração com Okonjo-Iweala e ela pode contar com os Estados Unidos como um parceiro construtivo”. A economista, apontada como brilhante e conhecedora do funcionamento da economia mundial, é uma aposta dos EUA para “recolocar” os negócios globais nos trilhos.

A economia global tende a se tornar mais multilateral e menos bilateral — Estados Unidos versus China — com Ngozi Okonjo-Iweala? Não se sabe. Só o tempo dirá. Mas uma OMC mais inclusiva, ainda sem que vender ilusões igualitaristas, é possível, na visão da economista.

A escolha de uma economista que não pertence aos grandes centros capitalistas — Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Inglaterra — é um bom sinal. Não que Ngozi Okonjo-Iweala se tornará representante dos países menos ricos — afinal, é uma realista —, mas ao menos poderá incluir suas pautas no debate da OMC.

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