Aava Santiago diz que PSDB de Marconi Perillo facilitou saída de homens, mas perseguiu mulheres que romperam com o partido
29 julho 2026 às 11h15

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A vereadora por Goiânia Aava Santiago (PSB) afirmou que o PSDB de Goiás, presidido pelo ex-governador Marconi Perillo, adota uma postura de perseguição e trata de forma desigual homens e mulheres dentro da legenda. Em entrevista a uma rádio da capital, a parlamentar sustentou que o partido facilitou a saída de filiados homens em diferentes momentos, enquanto buscou judicializar ou dificultar a trajetória de lideranças femininas.
Segundo Aava, ex-deputados estaduais como Tião Caroço (União Brasil) e Diego Sorgatto (União Brasil) conseguiram deixar o partido fora da janela partidária, em 2020, após acordos que resultaram em expulsões formais e impediram questionamentos por infidelidade partidária. Para a vereadora, a mesma estratégia nunca foi aplicada às mulheres que romperam com o grupo político. “O que resta ao Marconi são homens ressentidos, homens da velha política, homens amplamente conhecidos pelos goianenses, porque as mulheres, na prática, o partido exclui de perto de si”, afirmou.
A parlamentar também citou casos de outras lideranças femininas para reforçar a tese de perseguição. Segundo ela, o PSDB tentou cassar o mandato da deputada federal Flávia Morais (MDB) quando ela disputou a presidência da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e adotou postura semelhante contra a ex-deputada Doutora Cristina (Solidariedade) após sua candidatura à Prefeitura de Goiânia.
“O grupo de Marconi se resumiu a um grupo de homens com pouca relevância eleitoral, com uma pequena musculatura política e que, se não conseguem pelas urnas, porque não conseguiram pelas urnas inviabilizar a Leda Borges, nem a Doutora Cristina e muito menos a Flávia Morais, então partiram para outros caminhos”, declarou.
Ao comentar o processo que resultou na cassação de seu mandato pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), Aava afirmou que a desembargadora Stefane Fiúza acolheu, em seu voto, argumentos da defesa baseados nas diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre violência política de gênero. A defesa sustenta que a atuação política da vereadora foi enfraquecida dentro do partido e defende que o caso seja analisado sob os protocolos do CNJ para situações de possível violência política contra mulheres.
Aava afirmou ainda que decidiu deixar o PSDB sem carta de anuência porque viu a oportunidade de romper com o que classificou “como um ambiente abusivo.” Ela informou que permanecerá no mandato enquanto recorre da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Procurado, o PSDB informou que, a princípio, não divulgará nota sobre as declarações, sob o argumento de que ainda cabe recurso e de que a vereadora continua exercendo o mandato.
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