“A saúde não pode continuar sendo negligenciada”, defende Cremego em carta aberta

Conselho criticou o desmantelamento dos serviços, superlotação das unidades, escassez profissional, falta de medicamentos, além de “descaso e desrespeito com o médico e com a sociedade”

“Uma das funções do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) é a fiscalização do exercício da profissão, sempre zelando pelo respeito à ética médica e pelo bom atendimento à população”, é o que enfatiza uma carta aberta divulgada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), na manhã desta terça-feira, 16, antes de afirmar que a saúde, em Goiás, está sendo negligenciada.

A carta diz ainda que nos últimos anos, o resultado desta tarefa tem revelado o agravamento dia a dia de uma crise que compromete o trabalho do médico, coloca em risco o exercício da profissão, a segurança e a saúde do profissional e “resulta em uma assistência muitas vezes morosa, sem resolutividade e longe da qualidade que a população deveria receber”.

Para  o Conselho, essa precarização da saúde pública, “com o desmantelamento de serviços, a superlotação das unidades de atendimento, escassez de profissionais, falta de materiais e medicamentos, ineficácia da assistência, descaso e desrespeito com o médico e com a sociedade”, vem acontecendo apesar da atuação séria e rigorosa do Cremego no Estado.

Outro trecho reforça que a cada fiscalização feita dentro do cronograma rotineiro de trabalho do Conselho ou atendendo a denúncias, o Cremego notifica as diretorias das unidades, as Secretarias Estadual e Municipais de Saúde e o Ministério Público Estadual, “apontando as falhas e cobrando providências em prazos estabelecidos”. “Contudo, o que temos recebido como resposta só reforça o descompromisso com a saúde pública e limitações legais nos impedem de ir além”, salienta.  

Para o conselho, as consequências desta “falta histórica” de compromisso com a saúde podem ser vistas na crise que atinge hoje unidades, como o “superlotado” Hospital Materno Infantil e o Cais de Campinas. “No caso do Cais de Campinas, ressaltamos que após seis anos ininterruptos de fiscalização, cobranças e concessões de prazos para reparos, o Cremego interditou eticamente a unidade em setembro passado, mas ao invés de sanar as falhas, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) preferiu recorrer à Justiça e liminarmente garantiu o funcionamento precário do serviço”, destaca.

Outro trecho da carta divulgada pelo Cremego diz que além das deficiências apontadas, mudanças administrativas também têm comprometido o atendimento na rede pública. Uma delas, segundo o Conselho, foi a recente alteração na forma de liberação de internações no Hospital Araújo Jorge, uma referência em tratamento de câncer em toda a região. “A burocratização desta liberação, imposta pela Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, vem represando o atendimento, retardando o início da assistência e comprometendo o tratamento de centenas de pacientes”.

“Diante deste quadro já caótico e de seu anunciado agravamento, o Cremego vem a público cobrar dos órgãos gestores da saúde, do Governo Estadual e da Prefeitura de Goiânia ações imediatas e concretas para sanar as deficiências nas unidades públicas. A contratação de mais médicos tem pouca ou nenhuma eficácia se as condições de trabalho não forem melhoradas”, destaca o documento.

Por fim, o Conselho diz esperar uma resposta “urgente” dos gestores e contar com o apoio do Ministério Público e da sociedade “para que juntos possamos continuar trabalhando e, principalmente, alcançando um resultado positivo com esse trabalho, garantido aos médicos condições de atender e à população, condições dignas de atendimento. A saúde não pode continuar sendo negligenciada”, pontua.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) e com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), mas não obteve retorno até a publicação da matéria.

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