A busca por direitos de igualdade de gênero

A primeira mulher a ocupar o cargo de Presidente da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás, Patrícia Carrijo, afirma que as mulheres já conseguiram vencer muitas barreiras mas que a caminhada ainda é longa e necessita de mais apoio

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2019, as mulheres contabilizavam cerca de 52% do número total de integrantes da população brasileira. Além disso, elas são chefes de família em cerca de metade dos lares do país. A cada dia que passa é mais comum vermos mulheres ocupando os mais diversos lugares na sociedade como um todo.

A juíza Patrícia Carrijo é a primeira mulher a ocupar um alto cargo da área de magistratura no Estado de Goiás, sendo eleita Presidente da Associação dos Magistrados. Ela afirma que as mulheres não são parte de uma minoria e precisam desempenhar vários papéis na sociedade, o que  lhes demanda um grande esforço, fazendo com que precisem conciliar diversas funções em casa e no trabalho.

Patrícia afirma ainda que a independência financeira é algo essencial para o sexo feminino, pois é por meio dessa conquista que elas poderão se libertar de situações de opressão. “Precisamos também conquistar a nossa independência intelectual, precisamos ter a liberdade de escolher a nossa profissão por exemplo e precisamos ser livres para escolhermos de que forma vamos nos vestir e como vamos nos comportar”, reitera ela. 

Segundo a juíza, não podemos negar que ainda vivemos em uma sociedade machista, em que campanhas de conscientização fazem-se necessárias. Ela ressalta que é preciso que a violência de gênero seja trabalhada nas escolas com as crianças, desde cedo. Além disso, a magistrada reitera que a justiça como um todo precisa atuar de maneira a reprimir as situações de preconceito por meio das leis e da força policial.

Patrícia reforça ainda o fato de que as situações de violência enfrentadas por muitas mulheres foram agravadas pela pandemia em que o mundo se encontra atualmente, pois, devido a isso, as vítimas passaram a precisar conviver mais com seus agressores dentro de casa. Diante disso, a juíza afirma que é necessário que se construa uma rede de apoio que vise dar todo o suporte necessário e imediato a mulheres que resolvem expor seus casos na tentativa de se libertarem da violência e dominação sofridas.

“Não adianta essa mulher denunciar a violência sofrida, o marido ser preso e ela passar a não ter como colocar comida na mesa. Essa mulher precisa que sejam tomadas medidas imediatas, pois graças a essa falta de independência financeira que se dá às vezes, ela não consegue denunciar os abusos sofridos”, reitera. “Sabemos que isso começa às vezes com um tapa, com o controle do celular, até o ponto que tudo cresce e acaba culminando em um feminicídio por exemplo”, ressalta.

Carreira e Conquistas

A Presidente da Asmego afirma ainda que ter sido escolhida como a primeira mulher para ocupar o cargo na Associação, foi uma conquista muito grande. Ela encara esse fato como algo desafiador e diz que a cobrança diante dessa ocupação acabou fazendo com que ela trabalhe mais e tenha que abrir mão de alguns momentos em família, em prol de um outro bem que é a sua carreira. “Sabemos que a cobrança é maior quando assumimos uma responsabilidade que nenhuma outra mulher tinha assumido antes.”, reitera.

Patrícia afirma acreditar que as mulheres ainda têm muito para contribuir ocupando cargos na política e criando leis que busquem a igualdade de gênero. “A taxa de representatividade ainda é muito baixa e sabemos que isso só mudará por meio de políticas, de empresas que deem as mesmas oportunidades a homens e mulheres por exemplo.”, afirma a presidente da Asmego.

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