Natural de Minas Gerais, o médico emergencista Rasível dos Reis Santos Júnior comanda a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás desde 2024. Com experiência em gestão pública e medicina de emergência, foi secretário de Saúde de Betim, subsecretário de Saúde de Minas Gerais e atuou no Hospital Sírio-Libanês, onde participou do Projeto Lean nas Emergências, iniciativa implantada em mais de 200 hospitais do país.

À frente da saúde goiana, Rasível acompanha uma das principais frentes de investimentos do Estado. Entre elas estão o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora), construído e equipado por R$ 255 milhões, segundo o secretário, e a implantação do novo Hospital de Urgências de Goiás (Hugo).

Em entrevista, Rasível também detalha os planos para o novo Hugo, que deverá passar dos atuais 342 para 460 leitos, ampliar de 54 para 90 as vagas de UTI e dobrar de 10 para 20 o número de salas cirúrgicas.

O secretário destaca ainda uma característica da nova estrutura: “70% dos leitos estão distribuídos em apartamentos individuais. Não conheço nenhum hospital no país que tenha 70% dos leitos de internação em apartamentos individuais que seja 100% SUS”.

Ton Paulo – Gostaria de falar sobre alguns avanços demonstrados pelos dados da saúde. Em alguns casos, tivemos um aumento muito expressivo. Por exemplo, nas cirurgias eletivas. Em 2018, eram cerca de 6.300. Em 2025, foram 146 mil cirurgias realizadas. Ao que se deve esse aumento tão expressivo no número de cirurgias e também de leitos de UTI regionalizados, secretário?

Trabalhamos, junto com o agora ex-governador Ronaldo Caiado, na regionalização, de fato, da saúde no Estado de Goiás. E são várias camadas na questão da regionalização. A primeira delas foi ampliar os serviços, ampliar a oferta.

E, nessa ampliação da oferta, nós definimos mais oito hospitais, construindo também o Hospital de Águas Lindas, que estava há quase 20 anos em construção. Construímos o Cora em 25 meses e ampliamos a capacidade dos hospitais de realmente responder às necessidades da população.

Então, só para a gente entender também essa questão, para as pessoas compreenderem, temos a cirurgia de urgência. Ela pode ser hospitalar ou ambulatorial. E temos as cirurgias eletivas, que também podem ser hospitalares ou ambulatoriais. O que é a cirurgia hospitalar? É aquela em que, para fazer a cirurgia, o paciente precisa se internar.

Na ambulatorial, o paciente faz o procedimento e vai para casa, não precisa se internar. Então, entre as cirurgias que a gente faz, temos as cirurgias eletivas hospitalares. E o que aconteceu?

Eram feitas 2.153 cirurgias por ano nos hospitais estaduais em 2018. Em 2025, nós fizemos 35.412 cirurgias eletivas hospitalares. Então, isso representou um aumento de 16 vezes no número de cirurgias realizadas.

Rasivel Santos | Foto: Guilherme Alves / Jornal Opção

Isso porque a gente ampliou os leitos. E ampliou de forma significativa. Para você entender, nós saímos de 2.142 leitos nos hospitais estaduais para 4.259. Então, tivemos um aumento de 98% no número de leitos. Em terapia intensiva, a gente saiu de 274 leitos, em 2018, para 720 em 2025.

Além disso, havia leitos de terapia intensiva em apenas três municípios, que eram Anápolis, Aparecida de Goiânia e Goiânia. Agora, temos leitos de terapia intensiva públicos em 22 municípios.

Quando vamos para cirurgia de urgência, saímos de 4.330 cirurgias em 2018 para 76.167 em 2025. Um aumento, também, de 17 vezes. E nessa cirurgia de urgência, para ser totalmente transparente, a gente tem as cirurgias hospitalares, as cirurgias de urgência hospitalares, a gente tem urgência ambulatorial também. Saindo de 3.538 em 2018 para 69.643 em 2025. E em 2018, saímos de ambulatoriais 792 para 6.524. Ou seja, se somar 6.524 com 69.643, a gente chega a 76.167 que foram feitas de urgência em 2025.

Ton Paulo – Uma das críticas feitas por alguns candidatos ao governo, entre eles o ex-governador Marconi Perillo, que disputa novamente o cargo neste ano, é de que teria sido ele o responsável pela entrega da maioria dos hospitais estaduais que temos hoje. Por outro lado, esse discurso é rebatido por quem afirma que, em alguns casos, houve a entrega da estrutura física, mas os hospitais não chegaram a entrar em funcionamento. Como avalia esse argumento?

Temos diversos exemplos. Mas, para começar, vamos falar do que ele efetivamente entregou. Podemos pegar o Hugol como exemplo. O Hugol foi inaugurado em 2015. Sabe com quantos leitos? Com 172. Só para se ter uma ideia, a construção e os equipamentos do Hugol, com esses 172 leitos, custaram R$ 263 milhões.

Hoje, depois da chegada do então governador Ronaldo Caiado, o hospital foi ampliado e conta com 512 leitos. O Hugol, que custou R$ 263 milhões para ser construído e equipado, custa atualmente R$ 444 milhões por ano para funcionar, o equivalente a R$ 37 milhões por mês. Então, é preciso observar a dimensão disso.

Quando vamos para cirurgia de urgência, saímos de 4.330 cirurgias em 2018 para 76.167 em 2025

Também posso citar Uruaçu. O ex-governador que estava à frente do Estado em 2018 inaugurou diversas vezes o HCN, em Uruaçu, mas o hospital não atendeu um paciente sequer naquele período.

Outro exemplo é Águas Lindas. Assumi a Secretaria da Saúde em janeiro de 2024 e vim para Goiás em 2023. Naquele momento, o Hospital de Águas Lindas estava há quase duas décadas em construção. A previsão inicial era de uma unidade com cerca de 6 mil ou 7 mil metros quadrados. Nós concluímos o Hospital de Águas Lindas com 18 mil metros quadrados.

O hospital foi inaugurado em junho de 2024 já em funcionamento, atendendo a população e realizando, inclusive, cirurgias eletivas.

Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Também temos o Cora. Iniciamos e concluímos o Cora em 25 meses, e não em 20 anos, como ocorreu com o Hospital de Águas Lindas. Isso foi possível porque adotamos um modelo construtivo e uma nova forma de gestão para a construção do hospital, utilizando uma organização da sociedade civil. Conseguimos construir e entregar o hospital em 25 meses. Esse é um fato extremamente importante e significativo.

E há outra questão que precisa ser esclarecida. O Cora custou aos cofres públicos, para ser construído, equipado e colocado em funcionamento em julho de 2025, R$ 255 milhões.

Há informações sendo divulgadas de que teriam sido gastos bilhões de reais. Isso é informação falsa, fake news. O hospital custou R$ 255 milhões para ser construído e equipado. Os dados estão disponíveis no Portal da Transparência.

Ton Paulo – Quanto ao Cora, qual a capacidade atendimento dele hoje?

O Cora, nesse primeiro ano de funcionamento, atendeu 473 novos pacientes. Já realizamos 2.841 sessões de quimioterapia, 1.552 cirurgias, muitas delas de grande porte, 5.884 consultas médicas e 5.658 exames de imagem.

O Cora também conta com um ginásio de robótica voltado à reabilitação oncológica. É o primeiro com essa estrutura na região Centro-Oeste. Desconheço outro que seja tão completo, porque temos todos os equipamentos necessários para realizar a reabilitação oncológica dos pacientes.

Imaginem se esse hospital tivesse sido construído no mesmo padrão em que foi iniciado o Hospital de Águas Lindas. Ficaríamos 20 anos construindo o Cora

Agora, uma reflexão que precisamos fazer é sobre tudo o que foi realizado nesse primeiro ano. Imaginem se esse hospital tivesse sido construído no mesmo padrão em que foi iniciado o Hospital de Águas Lindas. Ficaríamos 20 anos construindo o Cora. É preciso observar a quantidade de pessoas que deixaram de ser atendidas em Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal, por causa da incompetência do governo anterior.

Secretário de saúde de Goiás, Rasivel dos Reis | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Por isso, digo que maus políticos fazem mal à saúde, principalmente à saúde dos mais necessitados. Bons políticos, por outro lado, fazem muito bem à saúde das pessoas, porque cuidam do marginalizado, do desvalido, daquela pessoa que não tem força para lutar pelas próprias necessidades. Essa é uma questão extremamente importante.

Ton Paulo – Sobre o Hugo, a Assembleia Legislativa deu aval ao financiamento de R$ 500 milhões junto ao BNDES para a aquisição do novo prédio que será a sede do hospital. É uma estrutura moderna e ampla, localizada próxima à UEG. Com o novo Hugo, o Estado será capaz de ampliar os atendimentos realizados pela unidade?

Sem dúvida. Vamos sair dos atuais 342 leitos do Hugo para 460 leitos no novo hospital. Também haverá uma ampliação dos leitos de enfermaria. Hoje, temos 288, e passaremos para 370. Em relação aos leitos de UTI, o Hugo conta atualmente com 54 e passará a ter 90 no novo prédio.

Também vamos sair de 10 salas de centro cirúrgico para 20, incluindo duas salas de hemodinâmica e quatro salas de cirurgia robótica.

Ou seja, além de modernizar o hospital, também vamos expandir sua capacidade. Outro aspecto importantíssimo é que, como aquele hospital estava sendo construído pela iniciativa privada, 70% dos leitos estão distribuídos em apartamentos individuais. Não conheço nenhum hospital no país que tenha 70% dos leitos de internação em apartamentos individuais.

Portanto, vamos entregar um hospital que, sem dúvida, em pouco tempo será uma unidade pública de excelência, o melhor hospital público do país.

Secretário de saúde de Goiás – Rasivel dos Reis. Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Para se ter uma ideia, não temos hemodinâmica no atual Hugo, mas teremos esse serviço no novo hospital. Isso permitirá que a unidade também seja referência para o atendimento de casos de infarto agudo do miocárdio e para a realização de angioplastia primária, atendendo toda essa região do Estado.

Também passaremos a realizar ressonância nuclear magnética, exame que não está disponível atualmente no Hugo. Além disso, com a ampliação da capacidade cirúrgica no novo hospital, a unidade também poderá se tornar referência em cirurgias eletivas.

Isso permitirá reduzir ainda mais a lista de espera por esses procedimentos, além de diminuir o tempo de atendimento e dar uma resposta mais rápida aos pacientes que aguardam por cirurgias eletivas.

Ton Paulo – Outro ponto que o ex-governador Marconi Perillo costuma citar é a questão das policlínicas. Ele afirma que as obras dessas unidades foram iniciadas durante o governo dele. Eu queria saber o que há de concreto nisso. Alguma policlínica chegou a ser entregue? Quais começaram a funcionar durante a gestão de Ronaldo Caiado? Quais unidades vocês efetivamente entregaram e quais já estavam em funcionamento?

Não havia nenhuma policlínica funcionando. As seis policlínicas foram abertas a partir de 2021. Foi entre 2021 e 2022 que essas seis unidades entraram em funcionamento. Também não havia previsão de serviços de hemodiálise nessas policlínicas.

Foi o então governador Ronaldo Caiado quem implantou a hemodiálise nessas unidades. Ou seja, eram obras inacabadas, algumas ainda em estágio bastante preliminar.

Secretário de saúde de Goiás – Rasivel dos Reis. Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Apesar de ter assumido um governo falido, com dívidas e obras inacabadas por todo o Estado, além de ter enfrentado uma pandemia, o hoje ex-governador Ronaldo Caiado conseguiu, a partir de 2021, iniciar a entrega das policlínicas e colocá-las em funcionamento.

Eu costumo dizer que aquilo que o ex-governador Marconi fez, fez errado. Quem consertou foi Caiado

Além disso, ampliou a estrutura dessas unidades com a implantação de serviços de hemodiálise, ressonância magnética e outros equipamentos de diagnóstico. A Policlínica de Posse, por exemplo, conta com ressonância magnética.

Portanto, esse trabalho foi realizado pelo ex-governador Ronaldo Caiado. Inclusive, algumas pessoas costumam falar sobre as policlínicas: “Pode até mudar o nome, mas quem fez foi o Marconi”. Eu costumo dizer que aquilo que o ex-governador fez, fez errado. Quem consertou foi Caiado.

Ton Paulo – E o senhor avalia que, caso Daniel Vilela seja reeleito, haverá continuidade desse processo, tanto das obras já entregues quanto da implantação de novas unidades?

Sem dúvida. Estamos fazendo uma verdadeira revolução. Como disse no início da entrevista, a regionalização possui várias camadas. Uma delas, que o governador Daniel Vilela está desenvolvendo agora, é dar escala aos hospitais.

Expandimos os serviços, os hospitais, o número de leitos, inclusive de terapia intensiva, e a quantidade de cirurgias. Também avançamos na qualidade e na integração desses serviços. Mas ainda faltava uma etapa.

Muitos hospitais, mesmo regionalizados, ainda são pequenos. O que o governador Daniel Vilela está fazendo agora é justamente ampliar essas unidades. O Hospital de Jataí, por exemplo, passará a ter 230 leitos. No Heapa, em Aparecida de Goiânia, vamos sair de 71 para 124 leitos.

Para se ter uma ideia, a unidade de Formosa passará de 87 para 298 leitos. Na prática, será outro hospital

Também estamos expandindo o Hospital de Jaraguá, que atualmente possui pouco mais de 30 leitos e passará a contar com quase 100, inclusive com ampliação da capacidade de terapia intensiva. Estamos ainda ampliando os serviços de hemodiálise em todas as policlínicas. Nas unidades que possuem sete cadeiras, vamos passar para 20. Onde ainda não há hemodiálise, estamos implantando o serviço.

Para se ter uma ideia, a unidade de Formosa passará de 87 para 298 leitos. Na prática, será outro hospital. Também colocamos em funcionamento o novo pronto-socorro, com uma estrutura moderna, separação de fluxos, organização e classificação de risco.

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Há uma entrada específica para o chamado paciente vertical, que é aquele que chega andando, e outra para o paciente horizontal, que chega de ambulância. Essa organização permite segmentar os fluxos e prestar um atendimento mais adequado, contribuindo para reduzir mortes e complicações evitáveis. Esse trabalho está sendo realizado em todo o Estado.

Também estamos concluindo a Policlínica de Mozarlândia. Já publicamos o edital da Policlínica de Mineiros e está em fase de publicação o edital da Policlínica de Campos Belos.

Portanto, há uma quantidade significativa de obras em andamento para dar escala aos hospitais e ampliar a eficiência, a qualidade e a integração dos serviços. O objetivo é melhorar os resultados e fazer as entregas de que a população precisa.