5º reajuste no combustível gera revolta em motoristas de aplicativo

Gasolina e diesel, respectivamente, acumularam altas de 41% e 34%

Frame de vídeo gravado durante a manifestação da última terça-feira. |Créditos: Fábio Júnior

Cerca de 200 motoristas de aplicativo se reuniram em protesto na porta da base da Petrobras de Senador Canedo na tarde da última terça-feira, 02. A manifestação e a paralização dos motoristas teve início no começo da manhã e foi aumento dos preços dos combustíveis, que esse ano já sofreram vários reajustes.

Segundo o motorista de aplicativo Fábio Júnior, a principal reinvindicação dos idealizadores do movimento é a implementação de políticas públicas e a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), imposto estadual que incide sobre a venda e o transporte de produtos. “A gente não é contra o governo, a gente é a favor de políticas públicas para conter o preço do combustível”, completa Fábio.

Fábio explica que as manifestações e paralizações vêm sido organizadas de forma independente pelos motoristas, através de grupos de conversa por aplicativo. Na última sexta-feira, 26, motoristas também se reuniram na Praça Cívica e no Senador Canedo, sob a mesma reinvindicação.

Aumento no combustível

Segundo o economista Walter Marin, a revolta com o reajuste é justificável, já que o aumento dos combustíveis é algo que reflete diretamente no bolso dos brasileiros. “Diferente dos produtos que possuem substitutos, o aumento nos combustíveis provoca um aumento em cadeia em diversos outros produtos”, explica.

De acordo com a Petrobrás, o aumento é devido a necessidade de alinhamento internacional. Isso, porque em 2016 a Petrobrás adotou o Plano de Paridade Internacional (PPI), em resposta à política de controle de preços que existente durante o governo de Dilma Rousseff (PT). A fórmula então é utilizada para calcular a relação entre os preços do Brasil e do mercado internacional não é revelada.

“Para começar, por ser um monopólio, a Petrobrás não consegue atender a demanda interna de combustível, então para conseguir, ela importa petróleo.  Se tivessem mais refinarias, pode ser que elas dessem conta de abastecer internamente o Brasil sem a necessidade de importação”, completa Walter.

Walter ainda explica que o aumento dos combustíveis dificulta o ingresso de capital estrangeiro no país. Isso acaba sendo prejudicial dado que o Brasil não possui recursos o suficiente para bancar a expansão dos investimentos e da capacidade produtiva em prol de reduzir o desemprego. “Boa parte dos trabalhadores sobrevive através da atividade informal, o que inclui os motoristas de aplicativo”, conclui.

Reajustes em 2021

Ao todo, só esse ano foram cinco reajuste nos combustíveis (sendo cinco aumentos na gasolina e quatro no diesel) que fizeram a gasolina já encarecer 41,3% e o diesel 34,1%. O último foi anunciado na última segunda-feira, 01, pela Petrobrás. Com o novo aumento, o preço da gasolina que sobe 4,8% e passa a ser vendido pelas refinarias para as distribuidoras por R$2,60 o litro. Já o diesel teve variação de 5%, sendo vendido a R$2,71.

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