T-55 e T-10 ganham nova configuração viária; especialistas divergem sobre efeitos das mudanças
15 junho 2026 às 18h29

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A Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) iniciou nesta segunda-feira, 15, a operação definitiva do novo sistema viário nas avenidas T-55 e T-10, no Setor Bueno, em Goiânia. Segundo o secretário Tarcísio Abreu, a pasta fará inicialmente um trabalho educativo para orientar os motoristas sobre as mudanças, mas reforçou que é proibido estacionar em qualquer dos lados da Avenida T-55, que passa a operar com quatro faixas de circulação.
“Estamos há três semanas sinalizando, colocamos cartazes nos veículos orientando que é proibido estacionar, que não pode parar. A ideia é que nesta semana ainda façamos alguns educativos, mas, a partir de agora, vamos começar realmente com as atuações”, afirmou.
De acordo com o secretário, a principal mudança na T-55 foi justamente a retirada das vagas de estacionamento para ampliar a capacidade da via. “Nós restringimos o estacionamento para poder ter quatro faixas de rolamento desde a Avenida 85 até a Avenida T-3. Então, são quatro faixas com maior volume, toda sinalizada e orientada”, explicou.
Abreu ressaltou que a proibição vale para ambos os lados da avenida e pediu que os motoristas se adaptem à nova realidade. “Não dá mais para parar em frente ao local como a gente, às vezes, está acostumado aqui em Goiânia. Temos estacionamentos nas vias adjacentes e em outras paralelas. Será preciso, em alguns casos, estacionar um pouco mais longe e fazer pequenos deslocamentos a pé”, disse.
Na T-10, por outro lado, a situação é diferente. Segundo ele, a avenida manteve vagas de estacionamento dos dois lados e passou a operar com quatro faixas no sentido da Avenida T-3 até a Avenida 85.
Outra novidade, segundo o secretário, é a sincronização dos semáforos ao longo do corredor. “Eu acho que a grande mudança, junto com a geometria da via, é a onda verde com os semáforos sincronizados. Tudo isso fortalece a circulação, ajuda os motoristas e o que a gente pede agora é atenção com essas grandes mudanças”, afirmou.
Tarcísio Abreu avaliou positivamente o primeiro dia útil de funcionamento integral do novo sistema viário. “Cheguei aqui cedinho, cinco e pouco da manhã eu estava aqui. O prefeito Sandro Mabel esteve comigo e andamos a pé por todas as vias. Realmente rodou muito bem o trânsito”, afirmou.
Ele reconheceu, entretanto, que ainda há pontos de adaptação, especialmente em relação à nova configuração da rotatória da Praça da T-55 e ao respeito às regras de estacionamento. “São algumas adaptações que as pessoas vão ainda se acostumar, mas, no geral, foi muito positivo”, disse.
O secretário alertou que veículos estacionados em locais proibidos e que estejam prejudicando a fluidez poderão ser removidos imediatamente. “Se o veículo estiver parado e atrapalhando o trânsito, esse veículo será removido. O guincho está aqui desde as cinco horas da manhã. Esquinas e pontos que gerem gargalos ou prejudiquem o transporte coletivo terão remoção definitiva”, enfatizou.
As mudanças fazem parte do programa de desobstrução das vias arteriais lançado pelo prefeito Sandro Mabel. Segundo Abreu, a iniciativa prevê intervenções em 36 corredores viários, totalizando cerca de 300 quilômetros.
“Já implementamos corredores como Jamel Cecílio, Castelo Branco, Mutirão e agora T-55 e T-10. O ganho mínimo foi de 30% no tempo de deslocamento. Aqui, a expectativa também é de uma melhora entre 30% e 40% com todas as ações implementadas”, afirmou.
Sobre a preocupação com a segurança dos pedestres nas conversões à direita livre, especialmente diante do grande fluxo de estudantes na região, o secretário disse que a SET manterá agentes no local e implantará novas sinalizações.
“O pedestre é o elo mais fraco do trânsito e precisa ter prioridade. Na direita livre, o pedestre é a prioridade. O motorista precisa ter paciência, parar e dar preferência para quem está atravessando”, declarou.
Ele acrescentou que a prefeitura está testando um novo sistema de alerta luminoso próximo às faixas de pedestres, inspirado em experiências observadas durante viagem recente a Lisboa. “É uma luz amarela piscando para alertar o motorista sobre a travessia. Estamos implementando nessa primeira faixa e vamos acompanhar como será o comportamento dos usuários”, concluiu.

Prioridade aos carros; diz especialista
As mudanças implantadas pela Prefeitura têm priorizado a fluidez dos carros em detrimento dos pedestres e dos usuários do transporte coletivo, que também dependem de deslocamentos a pé para acessar os ônibus.
A avaliação é do professor do Instituto Federal de Goiás (IFG) e especialista em transportes, Marcos Rothen, que critica a retirada de estacionamentos, a adoção de conversões à direita livre e a falta de infraestrutura segura para travessias. “É uma mudança que privilegia grande parte dos carros, em detrimento dos outros carros e dos pedestres da população local. É só para os carros andarem com maior velocidade, com muito prejuízo principalmente para o pedestre”, afirma.
Segundo Rothen, a ausência de semáforos e tempos exclusivos para travessia tornou pontos das avenidas T-10, T-55 e T-3, especialmente nas proximidades do Parque Vaca Brava, mais perigosos para quem circula a pé. Ele critica a implantação de conversões à direita livre em locais com grande fluxo de pessoas e afirma que a medida contraria práticas adotadas em outras cidades. “Onde há muito pedestre, não tem lugar do mundo que faça isso. O pedestre ficou largado, não tem como atravessar as avenidas com segurança”, diz.

O especialista também questiona a retirada de vagas de estacionamento ao longo da T-55 e os impactos para idosos, pessoas com deficiência e motoristas que precisam desembarcar passageiros ou acessar estabelecimentos comerciais. Para ele, as alterações transformam uma área residencial e comercial densa em um corredor de passagem para veículos em alta velocidade. “Isso não é engenharia de trânsito. Privilegiar o carro é fácil. O desafio é garantir o acesso das pessoas”, afirma Rothen, acrescentando que avenidas largas e com menos interferências podem estimular excessos de velocidade.
Em relação ao transporte coletivo, Rothen avalia que os benefícios são limitados e que alguns usuários podem ser prejudicados pelo aumento das distâncias entre os pontos de parada e os locais de destino. “O passageiro também é pedestre. Ele vai ter que andar mais e enfrentar dificuldades para atravessar as avenidas. Nem todo mundo consegue caminhar rápido ou correr para atravessar uma rua”, afirma.
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