“Vou ser fiscal do povo e votar de acordo com minha consciência”

Comerciante do ramo de material de construção diz que não teve compromisso com grupos para ser eleito vereador na capital

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Dock Júnior

Eleito pelo PSDC em Palmas, com 1.345 votos, Vandim da Cerâmica é natural de Tiros (MG), tem 54 anos, é casado, técnico em contabilidade e marceneiro. Desde 2001, é comerciante na capital no ramo de materiais básicos para a construção civil, estabelecido no distrito agroindustrial de Taquaralto.

Evando José de Oliveira foi o vereador mais votado, por dois mandatos, na cidade goiana de Rubiataba, entre 1992 e 2000, sendo presidente da Câmara de Vereadores daquele município no último biênio e por esta razão tem vasta experiência como parlamentar. Vandim é um sujeito simples na essência e relatou, nesta entrevista, ter compromisso com o povo que o elegeu e não com grupos políticos, uma vez que chegou à Câmara, ele garante, de forma independente.

Em termos de partidarismo, quais as razões que o levaram a se filiar ao PSDC para a disputa eleitoral de 2016?
Me filiei à esta sigla um ano antes das eleições, cumprindo a lei eleitoral. Tive o critério de escolher um partido que não tivesse vereadores nem medalhões políticos. Aliado a isso, o PSDC foi o único partido que me abriu espaço para que eu expusesse minhas ideias e projetos, sem qualquer interferência.

Enquanto político na cidade goiana de Rubiataba, estive filiado e exerci dois mandatos de vereador pelo PMDB. Fizemos, à época, na condição de presidente da Câmara, a revisão da Lei Orgânica daquele município e do Regimento Interno, além de várias outras ações e projetos que beneficiaram a população. Entretanto, já no Estado do Tocantins não encontrei aberturas no diretório peemedebista que me permitissem desenvolver a atividade política.

Para o grande público de Palmas, sua eleição foi uma surpresa, visto que seu nome era quase desconhecido. Como o sr. recebeu essa votação e quais os fatores que considera relevantes para que isso ocorresse?
A política quase sempre traz surpresas, todavia, muitos vereadores que tinham mandatos foram reeleitos. Essa chamada renovação na Câmara de Palmas ainda foi muito tímida e atribuo isso ao pequeno tempo de campanha – 45 dias –, uma vez que os políticos veteranos já eram conhecidos do grande público.

Em relação a minha vitória, considero que formamos um grupo sólido dentro do PSDC. Mesmo diante de dificuldades e com poucos recursos, o conhecimento junto à comunidade residente na região sul da cidade foi preponderante.

Considero que os meus amigos foram responsáveis pela minha eleição. A mídia quase escassa se resumiu a poucos adesivos em carros e “santinhos” com foto e número. Consegui colocar carro de som nas ruas apenas nos últimos 15 dias. Não recebi o apoio de deputados ou candidatos a prefeito nem tampouco subi no palanque de nenhum deles. Exatamente por esta razão, não tenho compromisso com grupos políticos. Foi uma eleição independente.

Dentro deste contexto, em relação ao prefeito reeleito Carlos Amastha, o sr. pretende se posicionar como situacionista ou oposicionista?
Penso que oposição inconsequente é burrice. Acredito que a representação da população que me elegeu – e também os que não votaram em mim – deve ser feita com responsabilidade e coerência. Vou agir como fiscal do povo, e exatamente por não ter “rabo preso” com ninguém vou votar as matérias de acordo com a minha consciência. Meu eleitorado é uma fatia carente e humilde da população palmense e que precisa de amparo do poder público. Preciso corresponder às expectativas deles.

Os votos que o sr. recebeu estão basicamente concentrados na região sul da capital?
Basicamente sim, Taqua­ralto – Setores Sônia Regina, Bela Vista, Morada do Sol – e Jardins Aurenys. Porém, considero que cometi um equívoco durante a campanha: disse publicamente que não perderia a eleição para nenhum concorrente nos assentamentos São João I, II e III, baseado nos serviços prestados naquelas comunidades. Logi­camente, os adversários viram naquele eleitorado um grande potencial de votos e acabaram por atacar meu reduto. Resultado: acabei perdendo muitos votos por lá.

Quais são os projetos mais relevantes, que o sr. pretende apresentar logo no primeiro ano de legislatura?
Pelo meu conhecimento e minha experiência parlamentar, vou sentar e debater com as lideranças de cada bairro dessa base política, as necessidades de cada uma destas comunidades. Vamos mapear a cidade, visando entender e solucionar os gargalos existentes. Os requerimentos e projetos serão apresentados após ouvir a população. Não adianta requerer o benefício X para este ou aquele setor, se o que eles precisam, de forma urgente, é o benefício Y.

As áreas prioritárias, como não poderia deixar de ser, certamente é saúde, educação, segurança, entretanto, há uma reclamação latente do povo de Palmas: o alto custo das taxas e dos serviços públicos. Nesta nova legislatura, atuando como fiscal do povo, precisamos debater e rediscutir essas tarifas públicas.

Uma pauta certeira para a próxima legislatura é a revisão da planta de valores imobiliários. Qual é o seu posicionamento?
A planta de valores atual é injusta, assim como outras tarifas. O porcentual do imposto não foi majorado, mas o valor venal dos imóveis sim e isso jogou os valores do IPTU e do ITBI lá em cima. Os valores desses terrenos estão fora da realidade e isso deve ser debatido e revisto. A população anseia por isso.

Outra situação: o cinturão verde de Palmas precisa ser repensado, uma vez que nos moldes atuais não atende os propósitos para os quais foi criado. A questão das ocupações e invasões nos arredores da cidade também precisa ser revista. Esses loteamentos clandestinos são um mal para a cidade e tornam o custo dos serviços públicos dispendioso. Em pouco espaço de tempo, esses loteamentos se transformarão em problemas sociais insolucionáveis e precisamos regulamentar isso.

Quais são suas perspectivas para essa legislatura que inicia a partir de 2017?
Sempre disse na minha campanha e repito: precisamos formar um grupo que vai fazer a diferença. A imagem da Câmara está arranhada e precisamos recuperá-la. Ouvindo prioritariamente a população, pretendo ser um parlamentar diferente e honrar os votos que me foram concedidos no último pleito.

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