Shopping a céu aberto põe comerciantes e Paço Municipal em rota de colisão

No local onde será instalado o mercado a céu aberto em Taquaralto: nem tudo é maravilha

Foto: Divulgação

A Prefeitura de Palmas tem midiaticamente veiculado que a implantação do shopping a céu aberto, em Taquaralto, é um sucesso absoluto. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico e Emprego, Kariello Coelho, os empresários estão bem receptivos e dispostos a aderir ao projeto. “Explicamos todas as vantagens que eles terão. Destacamos que será feita uma reforma na fachada de todos os locais para que atendam às exigências do projeto arquitetônico e estrutural”, explicou, destacando que essa padronização na fachada das lojas, que contará com a construção de marquises, beneficiará também os pedestres, pois o espaço funcionará como uma grande calçada coberta, protegendo-os do sol e da chuva.

O secretário enfatizou que já está em andamento o processo de revitalização e modernização da avenida, monitoramento por câmeras e bolsões de estacionamento planejados, visando proporcionar comodidade aos visitantes. Além disso, os empresários que aderirem ao projeto também terão isenção de IPTU e taxa de coleta de lixo por um período de três anos, além de acesso a empréstimos subsidiados, ofertados pelo Banco do Povo, Agência de Fomento do Estado do Tocantins e Caixa Econômica Federal.

Tudo muito bacana, tudo muito grã-fino, contudo, a adesão por parte dos comerciantes está longe de ser unânime.

Muitos empresários de Taqua­ralto são contra o projeto pro­posto pelo prefeito Carlos Amas­tha (PSB), que deve custar R$ 17 milhões aos cofres públicos. Na terça-feira, 25, parlamentares estaduais e municipais, entre os quais o deputado Wanderlei Barbosa (SD) e os vereadores Léo Barbosa (SD), Milton Neris (PP), Vandim da Cerâmica (PSDC) e Lúcio Campelo (PR), estiveram em reunião com os comerciantes da Avenida Tocantins. E ouviram o descontentamento dos empresários com o projeto.

Falta de estacionamento

Entre os questionamentos estão a falta de estacionamento, uma exigência do Plano Diretor da cidade. “Por que está tirando o estacionamento se o Plano Diretor obriga?”, questiona o vereador Milton Neris, ao falar da falta de diálogo entre a prefeitura e os comerciantes. “A prefeitura está estreitando a pista e está dificultando para os empresários”, completa.
Outra crítica dos comerciantes é a falta de licença ambiental no projeto da prefeitura. Algumas árvores já estão sendo cortadas sem autorização, outras estão morrendo pela falta de cuidados. Os acessos para escoamento artificial de água, pontos importantes que impediam o alagamento das vias em dias chuvosos, foram retirados, o que certamente resultará em enchentes e alagamentos.

Um mandado de segurança já foi impetrado perante a 4ª Vara da Fazenda e Registros Públicos de Palmas, e tramita sob o nº. 0023899-68.2017.827.2729. A magistrada Silvana Maria Parfieniuk, antes de conceder a segurança pleiteada, intimou a autoridade coatora – prefeito de Palmas – para que em 72 horas, preste esclarecimentos acerca da ausência da audiência pública sobre o referido projeto, bem como requisita outras informações.

Os comerciantes querem a embargar a obra para que o projeto seja discutido e todas as irregularidades sejam solucionadas, para não prejudicar o comércio da área que é a que mais gera emprego na região sul da capital. O deputado Wanderlei Barbosa considerou que a classe empresarial da região está apavorada com as modificações na avenida. “É preciso ouvir as manifestações dos empresários, pois eles acreditavam em um projeto que viria para melhorar o comércio”, ressaltou o parlamentar.

O prefeito Amastha, como sempre, esbarra e tropeça em sua própria arrogância. Ao que deixa transparecer, ou o gestor se julga um ditador colombiano, que tudo pode, e que democracia é apenas uma utopia do vernáculo, ou acredita, piamente, que no Tocantins só tem índio, que não conhecem seus direitos e aceitarão sem questionamentos todas suas imposições. Seria louvável que ele entendesse que nenhuma das duas hipóteses é real.

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