“Quero ser reeleito sob o manto da defesa dos princípios cristãos e da família tradicional”

Filipe Martins fala ao Jornal Opção sobre os desafios e o cenário da eleição municipal deste ano

Vereador Filipe Martins | Foto: Aline Batista

Goianiense radicado no Tocantins desde 1988, Filipe Martins foi assessor parlamentar do ex-senador João Ribeiro (falecido em 2015), atuando na base parlamentar central daquele político, Palmas. Posteriormente, exerceu o cargo de chefe de gabinete do ex-vereador de Palmas pastor João Campos. O trabalho social desenvolvido por esses parlamentares também contribuiu sobremaneira para a formação política do jovem vereador, eleito em 2016, pelo PSC, após obter 1.831 votos na capital.

Filho do ex-deputado federal, Pastor Amarildo Martins – missionário evangélico e pioneiro de Palmas – como integrante da igreja Assembleia de Deus/Madureira, Filipe viu despertar em si a vocação social e o interesse em continuar lutando pelos ideais e direitos das comunidades as quais assistia.

Empresário da comunicação e da agropecuária, é graduado em Gestão Pública, na atual legislatura é vice-presidente Comissão de Finanças, Tributação, Fiscalização e Controle e membro da Comissão de Administração Pública, Urbanismo e Infraestrutura. 

O Sr. migrou do PSC para o PSDB na última janela de transferências. Por quais razões isso ocorreu, considerando a sigla anterior estava muito alinhada com sua ideologia e filosofia cristã?
Independentemente da filosofia que aquele partido carrega, tenho meus princípios éticos e cristãos. Fui filiado por muitos anos, após meu pai, o ex-deputado federal Pastor Amarildo, praticamente ressuscitar a sigla no Tocantins. Contudo, na última eleição ocorrida em 2018, já não tínhamos o controle/domínio do partido. Por isso, tivemos que nos submeter ao encaminhamento que o partido tomou e, mesmo após meu posicionamento contrário, não possível reverter a decisão. Enfrentei a disputa e concorri ao cargo de deputado estadual, contudo, sabia que a chapa era muito “pesada”, uma das razões pelas quais obtive mais de 13 mil votos, mas fiquei apenas como suplente. 

Mesmo que houvesse ganhado a eleição, teríamos feito reflexões. Como isso não aconteceu, fizemos uma reflexão ainda mais profunda. Era necessário mudar de partido na próxima janela partidária, que ocorreu em março deste ano. Assim foi feito e me filiei ao PSDB, em razão da prefeita Cinthia Ribeiro já estar nesse partido e comandá-lo, garantindo-me legenda para o pleito de 2020, em igualdade de condições.

Mas parece que o seu destino é enfrentar “chapas pesadas”, uma vez que no PSDB são quatro vereadores de mandato na disputa…
A chapa é muito competitiva, composta pelos quatro vereadores de mandato, além de ex-secretários municipais, líderes comunitários, pioneiros da capital, todos com bons serviços prestados à comunidade. Alguns já passaram pelas urnas e obtiveram boas votações, enquanto outros fazem sua estreia, mas posso garantir que o grupo está coeso e bem alinhado para a disputa que se aproxima. 

Vou para o pleito com muita tranquilidade, a minha base é o segmento religioso, que defende os princípios cristãos, a família tradicional, os bons costumes e contrária à ideologia de gêneros. Já proferi inúmeros discursos sobre os jogos satânicos da internet, que influencia nossas crianças e provoca tragédias. Considero, portanto, que tenho me posicionado, no parlamento, de forma ética e coerente. 

Como o Sr. vislumbra as possibilidades de eleição da atual prefeita, Cinthia Ribeiro?
Vejo com chances boas e reais. Palmas não sabe o que é um canteiro de obras – como está ocorrendo agora – desde a gestão do prefeito Eduardo Siqueira Campos, que se encerrou em 1996. 

Eu fui o relator do projeto que aprovou o empréstimo de U$ 60 milhões de dólares junto à Cooperativa Andina de Fomento. Estudei muito sobre a capacidade do município de contrair empréstimos, como também de pagá-los, por isso fui favorável. Eu sabia que esses recursos iriam transformar a cidade, como está ocorrendo agora. 

Dentro desse contexto, muitas quadras estão recebendo pavimentação asfáltica. A 812 Sul, por exemplo, por tantos anos injustiçada, agora receberá os benefícios. Trata-se de uma quadra industrial, com inúmeras empresas que geram renda, emprego e impostos para o município, mas que estava sofrendo com a poeira e falta de estrutura. Por tudo isso, vejo a prefeita com grandes chances de reeleição

Dentre as campanhas políticas que o Sr. já enfrentou, a de 2020 será a mais atípica?
Sem dúvidas, voltamos todos à estaca zero. Primeiro, porque nunca disputamos sem coligações de partidos e formação de chapas; segundo, em razão da pandemia decorrente do coronavírus, pois não haverá o corpo a corpo que, diga-se de passagem, já decidiu muitas eleições.

Qual é fórmula correta para ganhar essas eleições? Ninguém sabe. As plataformas digitais serão grandes aliadas, reconheço, mas ainda insuficiente para chegar a todo eleitorado. Além disso, o fato do próprio partido ter que alcançar o coeficiente eleitoral, ao invés das chapas, muda o cenário do jogo político.  

Considerando que o Sr. vai disputar uma reeleição, qual a diferença básica daquela que o elegeu pela primeira vez?
Enquanto o candidato a vereador diz ao eleitor o que irá propor e divulga suas ideias, o vereador de mandato deve pedir votos mostrando o que já fez. Graças a Deus tenho serviços prestados no parlamento, requerimentos e projetos de lei aprovados que mudaram a vida e beneficiaram a população palmense. 

Na área da saúde, por exemplo, o projeto que diminui o tempo do atendimento para exames e consultas eletivas é de minha autoria, ainda em 2017. O incentivo e parceria à doação de sangue junto ao empresariado, também. 

Outro projeto, que acabou não sendo aprovado, mas ligou o alerta da discussão foi a cobrança dos 10 metros cúbicos de água, como tarifa mínima, mesmo que a família não consuma tal quantidade. Na minha opinião, uma cobrança totalmente indevida, pois cada consumidor deveria pagar apenas aquilo que, efetivamente, consumiu. 

Ainda em 2017 também já questionávamos a alta tarifa de esgoto (80%). É um projeto que deve ser proposto pelo poder executivo e não pelo legislativo, mas é uma discussão pertinente e necessária. Veja, essa empresa concessionária de água (BRK Ambiental) quer contrair um grande empréstimo para fazer um investimento em todo Estado, entretanto, precisa da autorização da Câmara de Vereadores de Palmas. Isso significa que a capital, na condição de maior cidade e população do Estado, vai ser a “avalista” do empréstimo. Particularmente, eu não acho justo e não concordo com isso. Sou o relator do processo na Comissão de Finanças e afirmo com toda certeza: nos termos que foi proposto, meu parecer será contrário. Não é eu esteja atrasando os investimentos da BRK em todo Estado do Tocantins, eu quero apenas que seja feita justiça social com os nossos consumidores. 

Posso enfatizar também os projetos – já aprovados em 2018 – que autorizam a tarifa social para os microempreendedores individuais de Palmas, hoje bandeira do presidente Bolsonaro, como também para todos os templos religiosos da capital, independente do credo ou culto. 

Como membro e vice-presidente da Comissão de Finanças, vários processos tiveram sua relatoria. As contas do ex-gestor Carlos Amastha (PSB) chegaram há poucos dias do TCE-TO para análises. Qual o atual andamento?
Em 2019, fui o relator das contas do ex-prefeito relativas a 2013, cujo parecer foi pela aprovação, aguardando ir ao plenário para votação. Agora em 2020, também fui designado relator da prestação de contas dele, referente a 2014. O trâmite é realmente muito lento e isso é lamentável, pois sabemos que poderia haver mais celeridade por parte do órgão de controle.

No que concerne a 2014, solicitei parecer da Procuradoria Geral da Câmara sobre os dados. Após isso, farei minhas análises e estudos e apresentarei o meu relatório. 

Participar de Comissões importantes no parlamento municipal é fruto do conhecimento ou de articulação?
(Risos) Ambos, mas afirmo que trata-se de um árduo e importante trabalho. Particularmente, nunca me candidatei para fazer parte da CCJ, que é considerada a Comissão mais importante, uma vez que recebe todos os processos inicialmente e analisa sua constitucionalidade. 

Eu sempre entendi que é mais importante fazer parte das Comissões que analisam o mérito dos projetos. Essa discussão sobre os impactos das proposições, os benefícios ou malefícios, realmente me impulsionam. Por isso, faço parte da Comissão de Finanças e também de Urbanismo. Sem desmerecer quaisquer outras Comissões, aquelas que participo desenvolvem um papel brilhante. 

Mas em relação ao conhecimento em si, tão substanciais na elaboração dos relatórios?
É de vital importância conhecer a constituição federal, o regimento interno do parlamento e a lei orgânica do município. Sem isso, é melhor que o vereador nem se candidate a ser membro de qualquer uma das Comissões. 

Na condição de pré-candidato a vereador de Palmas, qual a mensagem que o Sr. deixa ao eleitorado?
Ainda não posso pedir votos. Contudo, posso dizer que hoje sou vereador graças à divina misericórdia de Deus e aos companheiros de luta, que acreditaram no projeto em defesa dos princípios morais, da vida, da família tradicional e de uma sociedade mais justa. 

Foram quatro anos de muitas lutas, porém, prazerosas e cheias de alegrias no coração. Tenho consciência mais do que tranquila e acredito que a grande maioria das soluções para os dilemas que a sociedade enfrenta, saem dos parlamentos. 

É preciso, portanto, olhar o histórico dos candidatos, o trabalho prestado, as propostas apresentadas e a coerência delas. Sou candidato a reeleição para intensificar tudo isso e poder fazer, se for a vontade de Deus e do povo, ainda muito mais.  

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