Quem é quem depois da janela partidária

Temendo ficar sem legenda para disputar as eleições, deputados da base do governo se filiaram a partidos de oposição 

Agora começa de verdade a corrida eleitoral. O fim da janela partidária e do prazo de filiação para quem deseja ser candidato permite saber quem é quem no processo das eleições. Muita coisa mudou. A mudança mais significativa se refere à decisão dos partidos de vetar candidatos com cargos eletivos, o que fez alguns deputados da base governo buscarem espaço nos partidos de oposição.

Cabe uma indagação: como esses deputados vão se comportar no plenário da Assembleia Legislativa daqui para frente? Vão continuar governistas ou vão assumir discurso de oposição?

Um dado é certo: o fim da janela partidária e a troca de partido fizeram encolher a bancada do governo. Em vez de 22 deputados, a bancada governista deve somar no máximo 17 parlamentares. Muitos não retornarão ao plenário da Assembleia no próximo mandato. A federação governista não conseguirá eleger mais do que 12 deputados. Daí a decisão de alguns de procurar espaço nos partidos de oposição.

O deputado federal Carlos Henrique Gaguim trabalhou muito para fortalecer o Republicanos e, de quebra, garantir sua reeleição. De repente, viu seu projeto político ruir, com a filiação do governador Wanderlei Barbosa, que assumiu a direção do partido.

O partido era comandado pelo seu filho, Bruno Amorim.  Com a filiação do governador, o Republicanos passou a ser o partido mais procurado, aumentando a concorrência. O partido ganhou a adesão dos deputados Ricardo Ayres e Toinho Andrade e do empresário Josep Madeira, entre outros. Isso fez Gaguim mudar de lado e voltar ao União Brasil, partido da deputada Dorinha Seabra, candidata ao Senado na chapa de Ronaldo Dimas (PL). Ayres, Andrade e Madeira são candidatos a deputado federal. Sendo que o partido do governador tem potencial para eleger até dois deputados federais.

O deputado estadual Jair Faria que também integrava a base do governo teve de trocar o MDB pelo União Brasil e terá de fazer campanha no palanque de oposição. Faria chegou ao seu partido prometendo realizar todos os esforços para eleger Dorinha senadora.

Senado
A filiação do treinador de futebol Vanderlei Luxemburgo ao PSB, com a possibilidade de ser candidato a senador, deixa a disputa pela única cadeira do Senado mais acirrada. Se falavam em empate entre Kátia Abreu (PP) e Dorinha Seabra (UB), Luxemburgo chega para desequilibrar. Tem condições de deslanchar e até surpreender. O ex-governador Marcelo Miranda (MDB) parece cada vez mais distante de emplacar candidatura ao Senado, como gostaria.

A senadora Kátia Abreu conseguiu organizar uma federação partidária em âmbito estadual e mantém o controle do pP, PSD e Avante, uma estrutura partidária considerável. A senadora, porém, enfrenta resistência por parte de alguns parlamentares, que desejam como candidata a deputada Dorinha Seabra. Possibilidade cada vez mais remota, visto que a deputada tem manifestado a disposição de compor chapa com Ronaldo Dimas.

Palácio Araguaia
A disputa pelo Palácio Araguaia deve afunilar para cincos pré-candidatos – Ronaldo Dimas (PL), Wanderlei Barbosa (Republicanos), Laurez Moreira (PDT), Paulo Mourão (PT) e Ozires Damaso (PSC). O ex-senador Ataídes Oliviera (Pros) mantém conversações com o governador Wanderlei Barbosa e admite apoiar projetos políticos diferentes. Tudo indica que Ataídes não será mais candidato ao governo, até porque não conseguiu legenda para tanto.

Laurez Moreira tem grande possibilidade de deixar a candidatura ao governo para compor com o governador Wanderlei Barbosa. Ele próprio não descarta essa possibilidade, mas garante que essa decisão não será tomada agora, mas depois de percorrer o Estado e avaliar a aceitação do nome, que ainda não é tão conhecido em algumas regiões. Laurez tem sido citado nas rodas políticas como vice ideal que qualifica e contribui para uma composição geográfica da chapa majoritária.

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