“Os problemas da saúde estadual não passam pela falta de recursos, mas sim de gestão”

O governadoriável do PSB diz que o atual governo poderia fazer mais pelo Tocantins e expõe suas propostas para áreas importantes do estado

A principal proposta do candidato é reproduzir o que implementou no município de Palmas quando prefeito | Foto: Divulgação

Carlos Amastha é o candidato do PSB a governo do Estado do Tocantins nas eleições de outubro e, entre sua plataforma de propostas, a principal delas é reproduzir os avanços, progressos e políticas públicas implementadas por ele no município de Palmas, quando prefeito da capital, em todas as cidades tocantinenses. Carlos Enrique Franco Amastha é colombiano de Barranquilla, naturalizado brasileiro desde 1990 e radicado em Palmas desde 2007. Empresário no ramo de educação a distância e de shopping centers, elegeu-se prefeito de Palmas em 2012 pelo PP, com 49,6% dos votos. Foi reeleito em 2016, já pelo PSB, após conquistar 52,3% dos votos válidos.

O sr. renunciou ao comando da prefeitura de Palmas com a finalidade de se candidatar a governador nas eleições de outubro de 2018. Contudo, em razão da cassação do ex-governador Marcelo Miranda (MDB), o sr. disputou a eleição suplementar no mês de junho, obtendo 123.103 votos, que foram insuficientes para chegar ao segundo turno. Considerando sua reconhecida popularidade, a quais fatores o sr. atribui aquela derrota?

Vejo nossa performance na eleição suplementar de forma positiva. A rigor, os números mostram que não há o que se falar em derrota, mas em vitória, considerando as circunstâncias absolutamente peculiares da eleição suplementar. Não enfrentamos apenas a exiguidade do tempo para estruturar nossa campanha de forma a mostrar, principalmente no interior, que os resultados de nossa gestão vitoriosa em Palmas poderiam, podem e vão ser alcançados no em todo o estado.

Enfrentamos também um cenário de extrema desesperança do eleitor tocantinense, mais uma vez sobressaltado com nova cassação de um governador em meio a um estado sucateado em praticamente todas as áreas, o que se fez refletir num histórico número de abstenções e de votos nulos e brancos. E, por fim, o nosso pior obstáculo, que foi o de enfrentar o uso deslavado da máquina pública por parte do governador tampão, sem legitimidade popular, afrontando a própria legislação eleitoral, para se eleger a qualquer preço.

Cabe, aqui, abrir um parêntese para lembrar que o pleito suplementar ainda não acabou para a Justiça Eleitoral e que o governador pode ser apeado do cargo a qualquer momento por conta dos seus atos irresponsáveis e antirrepublicanos, muito bem ilustrados pelas imagens dos policiais federais no Palácio Araguaia, apreendendo, com a devida autorização da Justiça, documentos que podem provar seus desmandos com o dinheiro público. Por tudo isso, não há que se falar em derrota na nossa campanha. Há que se falar, sim, em derrota do espírito público, tão longe desse governo que está aí.

Porque o sr. optou por se aliar e formar chapa com os senadores Ataídes Oliveira (PSDB) e Vicentinho Alves (PR), que buscam reeleição e, de certa forma, representam a “velha política” que tanto o sr. criticou?

Antes de tudo, quero deixar bem claro que fiz a melhor composição política que podia fazer para governar o Tocantins. Estou orgulhoso da aliança firmada porque ela agrega pessoas que já contribuem e podem contribuir muito mais para o Tocantins. Meus dois senadores já comprovaram no Congresso Nacional que são competentes. Basta ver os números: quase R$ 800 milhões em recursos para os municípios tocantinenses. Vicentinho Alves tem papel de destaque na luta pelos direitos dos trabalhadores e das minorias. Ataídes Oliveira tem trabalho reconhecido na luta contra a corrupção. Vão nos ajudar muito. E o meu vice, Oswaldo Stival (PSDB), será fundamental no nosso projeto para tirar o Tocantins do atraso.

Em relação à escolha do seu vice, o que mais interferiu na sua decisão: as ideias desenvolvimentistas do de Oswaldo Stival ou o seu potencial econômico como empresário?

Oswaldo Stival é, sim, um homem de sucesso como empre­sário do ramo agropecuarista em Gurupi e que caiu como uma luva no nosso projeto, pois alia o espírito empreendedor adquirido no setor privado a uma enorme capacidade e vontade de usar sua experiência em benefício do setor público. Antes do potencial econômico, há o potencial humano para ajudar o Tocantins a se desenvolver, se modernizar e gerar emprego e oportunidades para os tocantinenses de todas as regiões. E, para que isso aconteça, é fundamental que a gestão pública passe por mudança profunda, com novas práticas de governança que passa, entre outros pontos, pela desburocratização do estado. Stival terá participação importante nessa mudança.

O sr. foi criticado por ter desfeito antigas alianças com PTB e PCdoB, por exemplo, e outras mais recentes, como a com o PT, firmada na eleição suplementar. Quais são as verdadeiras razões desses rompimentos?

Entendo que temos que valorizar a nossa aliança atual, que, pra mim, repito, foi a ideal. A aliança dos sonhos, como costumo falar. E o resultado concreto a gente está vendo em Palmas e em todas as regiões do estado. Os tocantinenses percebem agora com mais clareza que o nosso projeto é o melhor para o To­can­tins, que precisa de um governo forte, com homens fortes e com co­ragem e vontade para mudar a história do Tocantins para melhor. No mais, o que aconteceu es­tá dentro da normalidade de­mocrática, na qual as divergências acontecem, ainda mais dentro de um cenário com muitos partidos, cujos interesses não envolvem apenas as questões regionais.

O sr. é conhecido por utilizar muito as redes sociais para se comunicar com a população e, principalmente, com seu eleitorado. O sr. acha que, neste pleito, as plataformas digitais poderão su­perar até mesmo a TV e o Rá­dio, tradicionais meios de comunicação quando o assunto é campanha política? O sr. intensificará a campanha pela internet?

O tocantinense é conectado. A exemplo do que vivemos em Pal­mas, o cidadão se acostumou a resolver seus problemas pela internet. Não é diferente do que acontece na campanha. Saber que o candidato está nas redes para manter o diálogo aberto é fundamental.

Agora, como ex-prefeito e candidato a governador, continuo com esse meu estilo comunicativo. Todo dia logo cedo posto um “Bom dia, Tocantins” e tenho certeza, que assim como o palmense, o tocantinense gosta disso. O papel das redes sociais, não só em uma campanha, mas no dia a dia das pessoas, é fundamental, sobretudo pelo seu perfil democrático, que nos permite falar diretamente com as pessoas em qualquer lugar onde elas estejam.

Nas minhas redes sociais, como todos sabem, ninguém mexe. Eu faço meus vídeos ao vivo e coloco no Facebook e interajo com as pessoas. No perfil político da campanha, é a assessoria que coloca as mensagens, divulga a agenda com minhas ações que todos podem acompanhar por lá. Ressalto que o nosso perfil não mudará em relação ao que foi nas duas campanhas vitoriosas em Palmas e na eleição suplementar, pois nossa mensagem é franca, direta e verdadeira com todos.

Se eleito em outubro, como seria o seu novo modelo de gestão? Há alguma possibilidade, devido às dificuldades financeiras do estado, de o sr propor aumento ou criação de impostos?

Totalmente fora de cogitação, até porque precisamos atrair investimentos e fortalecer os já existentes. O nosso plano de governo é bem claro e se baseia numa política tributária justa, que privilegie quem produz, ou seja, o micro, pequeno e grande empresário dos mais variados segmentos. Vamos criar incentivos, e não restrições, pois o Tocantins precisa arrecadar, fazer o bolo crescer, e não será com mais impostos, e sim fazendo a roda da economia girar, gerar renda e emprego. Temos que fazer política tributária, não política de arrecadação, como sempre se fez no estado, apenas para custear a máquina inchada e nada ou quase nada para investimentos em áreas vitais como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura.

Encontramos a administração municipal nessa mesma situação e, mesmo enfrentando uma das maiores crises da história recente do País, Palmas cresceu economicamente, gerou emprego e foi uma poucas capitais do País a se salvar do arrocho por duas razões simples. Reorganizamos as finanças públicas ao fazer cortes drásticos de gastos desnecessários e apostamos nas campanhas em parceria com o comércio e nos grandes eventos. Deu certo. Vai dar certo também no estado.

Assim como já houve a descentralização dos atos executivos em Pal­mas, criando sub-prefeitura da re­gião Sul, o sr. propõe a criação de dez governadorias por todo território tocantinense, visando fortalecer o desenvolvimento. Poderia explicar melhor esse projeto e quanto seria, aproximadamente, o custo desta descentralização?

Primeiramente, cabe lembrar que a descentralização da administração pública já foi testada com sucesso tanto aqui no Brasil quanto fora. O Tocantins, mesmo após a divisão territorial, continua um estado grande e suas regiões apresentam necessidades e potencialidades muitas vezes diferentes, o que faz a gestão precisar de um diagnóstico mais preciso da realidade de cada uma delas para melhor direcionar suas ações de forma mais rápida e precisa. Será justamente esse o papel das dez governadorias, braços autônomos do estado que irão juntar órgãos administrativos em cada capital para executar políticas de desenvolvimento econômico, social, ambiental, e também oferecer serviços rápidos e de qualidade por meio de programa de sucesso, como o Resolve Palmas, e que agora serão ampliados com o Resolve Tocantins, o Resolve Saúde, o Tocantins Educa, entre outros. Juntar tudo isso, aliado a informatização dos serviços, significa economia de custos, aproximação o governo do cidadão e dos municípios e fazer os prefeitos trabalharem por benefícios comuns, como, por exemplo, melhorar a gestão dos hospitais.

Partindo desse princípio de descentralização e considerando que Pal­mas é uma das únicas capitais do Bra­sil que não possuem um Hospital Mu­nicipal, questiona-se por que uma unidade hospitalar não foi construída durante sua gestão à frente da Prefeitura. Não foi uma das suas promessas de campanha? Es­ta não é mais é uma proposta que se encaixa na sua linha de gestão?

O caos na saúde pública de Palmas quando assumimos a prefeitura em 2013 não era menos diferente do que ocorre hoje no estado. Os poucos postinhos de saúde funcionavam em casas alugadas sem nenhuma estrutura física para abrigar um serviço tão essencial como esse. Sem falar na tortura para se conseguir fazer consultas e exames na falta de remédios.

Fizemos muito mais do que construir um hospital municipal. Colocamos Palmas como uma das melhores, se não a melhor, capitais em oferta de saúde de qualidade. Cons­truímos o Ambulatório Mu­ni­cipal Atenção à Saúde, uma referência em atendimento especializado, que realizou mais de 20 mil atendimentos, mais de 15 mil consultas com especialistas e 1,5 mil pequenas cirurgias. Construímos 19 unidades de saúde, os centros de fisioterapia e de tratamento para pacientes envolvidos com álcool ou droga, com toda estrutura de atendimento. E ainda uma Unidade de Pronto Aten­di­mento [UPA Norte], além de reformarmos a UPA Sul.

Hoje, o palmense já prefere ser atendido na saúde pública municipal à particular. E nossos serviços poderiam estar ainda melhores se não tivéssemos que absorver a demanda causada pela péssima administração da saúde estadual, cuja face mais visível está bem aqui entre nós, que é o Hospital Geral de Palmas.

Aproveitando o tema, o sr. tem criticado a gestão estadual quando o assunto é saúde. Quais são suas propostas efetivas para resolver esse problema, alvo de tantas manchetes ruins?

Como venho sempre dizendo, e o sucesso da gestão da saúde em Palmas prova isso, os problemas da saúde estadual, com ratos ocupando os lugares de pacientes e médicos nos hospitais absolutamente sucateados, não passam pela falta de recursos, mas sim de gestão.

Falta eficiência na gestão do orçamento e transparência nos processos de compra de remédios, insumos e equipamentos. Sobram roedores, pois esse é o ambiente propício para a proliferação deles.

É bom lembrar que o governador, mesmo diante dos ratos, fez dois contingenciamentos de recursos para a saúde. Portanto, a solução é simples. Vamos usar o dinheiro da saúde para a saúde. Temos recursos. Nosso orçamento para área é de mais de R$ 1,5 bilhão. Urgência total na conclusão das obras dos hospitais de Gurupi e de Araguaína, e na reforma dos hospitais de Dianópolis, Augus­tinópolis, Formoso do Araguaia, Miracema e Colinas, além da ampliação do Hospital Geral de Palmas.

Temos o compromisso de construir outros cinco novos hospitais regionais. Mas vamos investir também na outra ponta, que são os profissionais de saúde, e uma de nossas medidas será estimular a fixação de médicos e residentes no interior, lembrando que Palmas possui o maior programa de residência médica do Brasil. E as governadorias terão papel fundamental na efetivação das políticas de saúde, com o Resolve Saúde reduzindo o tempo de espera para consulta e exames.

Outra medida não menos importante será o combate aos desvios na saúde, com a implantação do Núcleo de Combate à Corrupção em parceria com o Ministério Público Estadual, Tribunal de Contas da União e que envolverá o próprio usuário na fiscalização.

Em relação à educação, o Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb) tem classificado as escolas municipais, que até pouco tempo estavam sob sua gestão, com excelentes níveis de avaliação. Até que ponto é possível transferir esses índices para as escolas estaduais?

Em Pedro Afonso, há uma obra, bancada com recursos federais, de escola estadual de tempo integral padrão abandonada desde 2013. Orçada em R$ 9 milhões, a obra está parada por falta de contrapartida de R$ 800 mil do governo. Ela é uma das oito escolas de tempo integral que estão abandonadas no estado. Isso vai muito além de má gestão. Isso é um crime contra os tocantinenses, é um crime contra as crianças e jovens, contra o futuro do Tocantins. Vamos concluí-las com urgência e reforço aqui o compromisso já estipulado no meu plano de governo de construir outras 20 escolas de tempo integral, entre elas as temáticas, voltadas para a vocação econômica de cada região. Assim como fizemos em Palmas, vamos criar o Tocantins Aprova, cursinho preparatório para o Enem, voltado para estudantes da rede pública de ensino, criar o Prouni do Tocantins, bolsas para acesso a universidade privadas. E ainda levar a Unitins a todas as cidades por meio de educação a distância.

O sr. tem afirmado que o estado deve fazer parcerias com a finalidade de aliviar a pressão da gestão pública, viabilizando recursos para executar projetos, com a criação de fundos, além de um conselho da sociedade civil organizada e uma auditoria externa para isso. Poderia explicar ao eleitorado que parcerias seriam essas e como elas funcionariam?

Vamos estabelecer parcerias e convênios com entidades e instituições que desenvolvam ações sociais, esportivas, ambientais, ou seja, nas mais diversas áreas. Obviamente, teremos o cuidado de promover controle externo via auditoria independente para garantir a aplicação correta dos recursos públicos envolvidos e, principalmente, garantir que esses projetos tenham continuidade independentemente de quem estiver no comando do Palácio Araguaia. Partimos sempre do princípio da boa fé e temos exemplos muito positivos de trabalhos interessantes em Palmas e no interior.

Em que pese a discussão passar pelos parlamentos federal e estadual, na condição de governador do Tocantins, o sr. seria favorável à emancipação de distritos como Taquaralto e Luzimangues, por exemplo, que preenchem vários requisitos para caminharem sozinhos, como população acima de 25 mil pessoas e geração de emprego e renda suficientes para a sustentação de um município?

Esta é, antes de mais nada, uma decisão que cabe exclusivamente aos moradores de Taquaralto e de Luzimangues.

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