Agrotins movimenta agronegócio e expectativa é de que tenha gerado R$ 580 milhões em negócios

Expositores da Agrotins otimistas pelo resultado que, mais uma vez, deve ultrapassar a casa de meio bilhão de reais | Foto: Divulgação/Seagro

Expositores da Agrotins otimistas pelo resultado que, mais uma vez, deve ultrapassar a casa de meio bilhão de reais | Foto: Divulgação/Seagro

Os números finais da Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins Brasil 2015) só de­­vem sair no início desta semana, mas as expectativas dos mais de 500 expositores é de que este ano tenha movimentado cerca de R$ 580 milhões em negócios. O evento durou cinco dias.

A Agrotins é uma realização do governo do Tocantins, através da Secretaria de Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro) e suas vinculadas Instituto de Desenvol­vimento Rural (Ruraltins) e Agência de Defesa Agropecuária (Adapec).

Na avaliação do titular da Seagro, Clemente Barros houve uma evolução da produção agrícola do Tocantins nos últimos 15 anos. “Os nossos avanços no setor do agronegócio são incontestáveis e os dados nos mostram isso. Em 2000, há 15 anos, o valor da nossa produção não atingiu R$ 200 milhões. Já em 2014, superou o valor de R$ 2 bilhões. Em 2015, estamos colhendo uma safra de 3 milhões de toneladas, em uma área de mais de 1,2 milhão de hectares; crescemos mais de 300% em área plantada e mais de 500% na produção”, destacou.

“O governo do Tocantins se compromete em trabalhar no apoio não só do grande, mas também do pequeno produtor. A grandeza do Tocantins é a grandeza do Brasil”, sustentou o governador Marcelo Miranda, na solenidade de abertura do evento. “O desenvolvimento passa, não só por ações estruturantes, mas pela pluralidade econômica, força tecnológica e cidadania”, emendou Clemente Barros.

O secretário-executivo do Minis­tério da Agricultura, Caio Rocha, elogiou a iniciativa de incluir pesquisa e ensino na Feira. “Isso é um exemplo de tecnologia, de conhecimento, de troca de experiência. Saio daqui levando mais uma experiência por esse Brasil. Um exemplo de uma feira organizada, da soma de esforço, da divisão de responsabilidades”, comentou. “Temos a responsabilidade, no Brasil, de nos próximos 10 anos, aumentar em 40% a produção brasileira para poder atender a produção mundial. Isso está aqui, no centro do Matopiba, no Tocantins. Essa é a mola propulsora e a musculatura que precisa o desenvolvimento da agricultura brasileira”, acrescentou.

Matopiba

“Implantar a região do Matopiba é um grande desafio aos gestores, porque teremos que mexer com nossas estruturas, traçar metas a serem alcançadas e agir com objetividade, para assim, estarmos preparados para o grande salto de qualidade da agropecuária brasileira. Eu estou muito satisfeito em ver o Tocantins ser beneficiado por esse grande projeto do País, por isso quero parabenizar o Minis­tério da Agricultura, na pessoa da ministra Kátia Abreu, e à presidente Dilma Rousseff por reconhecer a importância daquela região”, afirmou Marcelo Miranda, durante solenidade de assinatura de documento que cria o projeto, na semana passada, em Brasília.

A região do Matopiba abrange os estados do Maranhão (33%), Tocantins (38%), Piauí (11%) e Bahia (18%), sendo o Tocantins o de maior área, e contempla 337 municípios. Na região, existem 324.326 estabelecimentos agrícolas. Dados de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o Matopiba tem um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em R$ 53,4 bilhões.

Os quatro estados são responsáveis por 9,7% da produção de grãos prevista para o país na safra 2014/2015. Em uma área plantada de 7,6 milhões de hectares, o Matopiba produzirá 19,5 milhões de toneladas de grãos. A produção de soja na região, por exemplo, saltou de 84 mil para 7,6 milhões de toneladas, entre 1993 e 2014, de acordo com dados do Censo Agropecuário.

A região é considerada a última fronteira agrícola em expansão do mundo e por isso é estratégica para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que pretende apoiar o crescimento sustentável dos produtores locais com investimento em tecnologia e assistência técnica. Uma das principais propostas é a criação da Agência de Desenvolvimento do Matopiba, que está prevista para ser lançada ainda no mês de maio.

Presente à solenidade, o vice-governador do Maranhão, Carlos Brandão, lembrou a região denominada Matopiba como uma grande força para o desenvolvimento do país. “É muito importante o setor primário no Brasil, sem dúvida representa uma força no nosso PIB [Produto Interno Bruto] nacional, e hoje precisam disso, da presença do governo. E o que vejo aqui é uma quantidade de produtores, que mostra que o Tocantins está no caminho certo. Tem transferência de tecnologia, experiências trocadas entre produtores. O futuro está aqui”, ressaltou o vice-governador.

Fertirrigação

“Que tal economizar com a mão de obra e, principalmente, na quantidade de fertilizantes, além de aumentar a produtividade em mais de 25%?”. Foi com esse argumento bastante atrativo que o pesquisador da Fundação Universidade do Tocantins (Unitins), professor Leonardo Lopes, iniciou sua palestra “Fertirrigação para aumento da produtividade no cultivo de hortaliças”, na Clínica Sebrae, dentro da programação da Agrotins 2015.

Com o uso da fertirrigação, o adubo é aplicado juntamente com a água destinada à irrigação. Ao invés do produtor fazer uma aplicação de adubo granulado no pé da planta e perder parte dos benefícios, a fertirrigação é um processo em que o aproveitamento é de 100%.

“Outro aspecto importante desse mecanismo é que o produtor pode evitar a compactação do solo. Por exemplo, se o produtor é olericultor, e vai utilizar o modelo tradicional de adubação, ele vai acabar promovendo a compactação do solo, pois terá que pisar, muitas vezes, em torno das hortaliças. Mas se a aplicação for realizada via fertirrigação, não haverá necessidade de ficar pisando e com isso manterá a qualidade do solo”, explicou Leonardo Lopes.

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