Goiás tem 103 mil casos de dengue e avanço do DEN-3 preocupa com retorno das chuvas, aponta SES sobre avanço da doença
11 setembro 2026 às 15h26

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Goiás enfrenta uma mudança no cenário da dengue em 2026. O sorotipo DEN-3, que não predominava no estado nos últimos anos, passou a representar 53,8% das amostras positivas analisadas pelo Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen). A alteração ocorre em um ano no qual mais de 103 mil pessoas já tiveram a doença confirmada.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), foram registradas 158.461 notificações de dengue desde o início do ano, com 103.213 confirmações. O resultado representa aumento de 16% em relação ao mesmo período de 2025.
A doença também já provocou 81 mortes em Goiás neste ano. Outros 31 óbitos permanecem sob investigação.
A circulação do DEN-3 chama atenção porque o sorotipo tomou o espaço ocupado anteriormente pelo DEN-2. Em 2025, o DEN-2 correspondia a 87,4% das amostras analisadas no estado. Agora, representa 45,8%, ficando atrás do DEN-3.
A mudança é ainda mais evidente quando observado o histórico recente. Em 2024, o DEN-2 respondia por 74,7% das amostras, enquanto o DEN-1 representava 25,2%. Em 2023, era o DEN-1 que predominava, com 95,4%.
Mudança aumenta população suscetível
A entrada de um sorotipo diferente em maior circulação significa que pessoas que tiveram dengue anteriormente podem voltar a contrair a doença. Isso ocorre porque a infecção gera proteção duradoura principalmente contra o mesmo sorotipo, e não contra todos os quatro tipos do vírus.
Para a subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, o avanço do DEN-3 pode aumentar o número de pessoas suscetíveis à infecção.
“É como se a população estivesse acostumada a enfrentar um ‘adversário’ conhecido (DEN-2), mas agora surge um ‘adversário’ diferente (DEN-3) e, como muitas pessoas não têm defesa específica contra ele, é possível que tenhamos um aumento de pessoas adoecendo com dengue com possibilidade de agravamento dos sintomas e óbitos”, afirmou.
Chikungunya cresce 356%
Os números da chikungunya também apresentam avanço em Goiás. O estado contabiliza 13.317 notificações e 11.223 casos confirmados em 2026.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento das confirmações chega a 356%. Cinco mortes causadas pela doença foram registradas neste ano.
Chuvas aumentam preocupação
O cenário epidemiológico coincide com a ocorrência de chuvas em diferentes regiões de Goiás. A combinação de água acumulada e temperaturas elevadas cria condições favoráveis para a reprodução do Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão de dengue, chikungunya e zika.
Os ovos depositados pelo mosquito podem permanecer aderidos às paredes de recipientes e eclodir quando entram novamente em contato com a água. Por isso, chuvas depois de períodos secos podem contribuir para o surgimento de novos criadouros.
A recomendação é verificar calhas, quintais, pneus, vasos, baldes, bebedouros de animais e outros locais onde a água possa ficar acumulada. Reservatórios também devem permanecer tampados.
A orientação é que a vistoria seja repetida após as chuvas, com a retirada da água parada e a limpeza das paredes dos recipientes, onde os ovos podem permanecer aderidos.
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