Mudar os horários das refeições entre os dias úteis e o fim de semana pode estar associado a um maior risco de doenças cardiovasculares entre os homens. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Communications Medicine, que acompanhou mais de 104 mil adultos durante uma média de 8,1 anos.

Os pesquisadores analisaram as diferenças entre os horários da primeira e da última ingestão de alimentos ou bebidas durante a semana e aos fins de semana. A intenção era verificar se essa mudança de rotina, relacionada ao chamado “jet lag social”, poderia ter relação com a saúde cardiovascular.

Entre os homens, quanto maior a diferença nos horários das refeições, maior foi a associação observada com problemas cardiovasculares. Cada hora de atraso esteve relacionada a um aumento de 14% no risco de doenças cardiovasculares e de 21% no risco de doença arterial coronariana, condição que inclui problemas como o infarto.

O mesmo resultado não foi identificado entre as mulheres participantes. Os pesquisadores levantam a possibilidade de que diferenças hormonais e metabólicas entre os sexos estejam envolvidas, mas o estudo não conseguiu determinar a razão dessa diferença.

O que o horário das refeições tem a ver com o organismo

Uma das hipóteses investigadas está relacionada aos ritmos circadianos, conhecidos popularmente como o “relógio biológico” do organismo. Esses ciclos de aproximadamente 24 horas participam da regulação de diferentes funções, incluindo sono e metabolismo.

Alterações frequentes nos horários de dormir, acordar e se alimentar podem provocar um desalinhamento desses ritmos. É nesse contexto que aparece o chamado “jet lag social”, expressão usada para descrever diferenças entre a rotina mantida durante os dias de trabalho e aquela adotada nos períodos de folga.

No estudo, os cientistas observaram especificamente a variação dos horários de alimentação entre esses períodos e sua possível relação com a ocorrência de doenças cardiovasculares ao longo dos anos.

Resultado não significa que mudança de horário cause infarto

Apesar dos percentuais encontrados, os próprios pesquisadores fazem uma ressalva importante: o estudo identificou uma associação, e não uma relação direta de causa e efeito.

Isso significa que os resultados não permitem afirmar que atrasar uma refeição no sábado ou no domingo aumentará, por si só, o risco de infarto ou de outra doença cardiovascular.

Também não está comprovado que uma pessoa que passe a manter exatamente os mesmos horários de alimentação durante toda a semana terá redução no risco cardíaco.

Os autores defendem a realização de pesquisas mais amplas e novos testes para confirmar os achados e avaliar se intervenções destinadas a diminuir as diferenças entre os horários das refeições podem efetivamente trazer benefícios à saúde cardiovascular.

Diferença apareceu apenas entre homens

Outro ponto que ainda precisa ser esclarecido é por que a associação foi encontrada entre homens, mas não entre mulheres.

Diferenças hormonais e metabólicas são apontadas como possíveis explicações, mas os dados disponíveis não permitem estabelecer qual mecanismo estaria por trás do resultado.

Por isso, os achados não devem ser interpretados como uma recomendação para que homens simplesmente deixem de alterar os horários das refeições aos fins de semana. O estudo acrescenta evidências sobre a possível relação entre a regularidade da rotina alimentar e a saúde cardiovascular, mas novas pesquisas serão necessárias para determinar se mudar esse hábito é capaz de prevenir doenças.

Leia mais: Doenças cardiovasculares matam 25 pessoas por dia em Goiás; calor aumenta alerta para o coração