Doenças cardiovasculares matam 25 pessoas por dia em Goiás; calor aumenta alerta para o coração
26 setembro 2026 às 15h27

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As doenças cardiovasculares provocaram 9.123 mortes em Goiás ao longo de 2025, o equivalente a cerca de 25 óbitos por dia. Os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e reforçam o alerta para a prevenção às vésperas do Dia Mundial do Coração, celebrado na próxima terça-feira, 29.
Do total registrado no Estado, 4.678 mortes foram relacionadas ao infarto, 2.728 ao Acidente Vascular Cerebral (AVC) e 1.717 à insuficiência cardíaca. Goiás aparece na 9ª posição entre as unidades da Federação em número de óbitos por complicações cardiovasculares.
Além dos fatores de risco já conhecidos, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e obesidade, o período de calor intenso e baixa umidade exige atenção adicional. As condições típicas desta época do ano no Centro-Oeste podem favorecer a desidratação e provocar alterações na circulação sanguínea.
Segundo o cardiologista Giuliano Serafino Ciambelli, coordenador da área de Cardiologia do Ânima Centro Hospitalar, em Anápolis, idosos, hipertensos e pacientes que utilizam medicamentos de forma contínua estão entre os grupos que precisam redobrar os cuidados.
“Em dias muito quentes, os riscos de desequilíbrio circulatório aumentam consideravelmente, sobretudo entre idosos, hipertensos e pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos diuréticos ou anti-hipertensivos”, explica.
Calor pode alterar pressão e batimentos cardíacos
Em temperaturas elevadas, o organismo dilata os vasos sanguíneos como parte do mecanismo utilizado para controlar a temperatura corporal. Ao mesmo tempo, a transpiração aumenta a perda de água.
Essa combinação pode reduzir o volume de sangue circulante e provocar alterações na pressão arterial. Para compensar, o coração pode acelerar os batimentos para manter o fluxo de sangue necessário aos órgãos.
“A desidratação ‘invisível’ reduz o volume sanguíneo, podendo provocar tonturas, arritmias, picos pressóricos descontrolados e sobrecarga no miocárdio. Manter a ingestão constante de água e não suspender remédios sem orientação médica são regras de ouro no calor”, afirma Ciambelli.
O cuidado deve ser ainda maior entre pessoas que utilizam diuréticos e medicamentos para controle da pressão. Qualquer mudança na dose ou interrupção do tratamento deve ser feita somente após avaliação médica.
Pressão 12 por 8 também exige atenção
Outro ponto destacado pelo cardiologista é a mudança nos parâmetros utilizados para avaliar a pressão arterial. A 9ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial passou a enquadrar valores entre 120 e 139 mmHg de pressão sistólica ou entre 80 e 89 mmHg de pressão diastólica na categoria de pré-hipertensão.
Na prática, uma medição de 120/80 mmHg, o popular “12 por 8”, já se enquadra nessa faixa e deve servir como sinal para reforçar medidas preventivas.
“Muitos pacientes se surpreendem ao descobrir que o ‘12 por 8’ agora exige atenção. A mudança da comunidade médica se baseia em evidências de que o risco de lesões vasculares em órgãos-alvo, como rins, cérebro e o próprio coração, começa a subir silenciosamente antes mesmo que a hipertensão estágio 1 se estabeleça”, explica o especialista.
Isso não significa que uma pessoa com uma única medição de 12 por 8 seja automaticamente diagnosticada com hipertensão. A avaliação deve considerar medições repetidas, histórico clínico e outros fatores de risco.
O médico também chama atenção para os homens a partir dos 40 anos, período em que o acompanhamento cardiovascular deve ganhar espaço na rotina preventiva devido ao avanço gradual da aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias.
Infarto nem sempre provoca dor no peito
A sensação de pressão ou aperto no peito, que pode irradiar para braço, pescoço ou mandíbula, está entre os sinais mais conhecidos do infarto. Nem todos os pacientes, entretanto, apresentam esse quadro.
Mulheres, idosos e pessoas com diabetes podem desenvolver manifestações menos características, o que pode atrasar a procura por atendimento.
“Em idosos, mulheres e pessoas com diabetes, os eventos cardiovasculares graves frequentemente se manifestam sem a dor no peito tradicional. O paciente pode apresentar apenas suor frio repentino, náuseas, tontura, falta de ar desproporcional ao esforço ou um mal-estar indefinido”, alerta Ciambelli.
Diante do aparecimento súbito desses sintomas, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
Como medir a pressão corretamente
A aferição feita de maneira inadequada pode produzir resultados diferentes da pressão real do paciente. Para quem realiza o acompanhamento em casa, alguns cuidados ajudam a aumentar a precisão.
Antes da medição, a pessoa deve permanecer sentada e em repouso por pelo menos cinco minutos. As costas precisam estar apoiadas, os pés no chão e as pernas descruzadas.
O braço deve permanecer descoberto e apoiado na altura do coração, com a palma da mão voltada para cima. Também é recomendado esvaziar a bexiga antes da aferição e evitar conversar durante o procedimento.
Além da pressão arterial, o acompanhamento preventivo pode incluir avaliação de colesterol, glicemia e outros indicadores definidos pelo médico de acordo com idade, histórico familiar e fatores de risco.
Prevenção antes dos primeiros sintomas
Para o cardiologista, o acompanhamento não deve começar apenas quando surgem sintomas. Atividade física regular, alimentação equilibrada, controle da pressão, glicemia e colesterol, além de acompanhamento médico conforme o perfil de risco, são medidas que ajudam a reduzir a probabilidade de eventos cardiovasculares.
“A mensagem central do Setembro Vermelho e do Dia Mundial do Coração é que não se deve esperar um sintoma grave ou a dor no peito aparecer para começar a cuidar da saúde vascular”, afirma Ciambelli.
O especialista também recomenda atenção à qualidade do sono e acompanhamento periódico, principalmente para pessoas com fatores de risco ou histórico familiar de doenças cardiovasculares.
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