Em diversos centros de transplante no Brasil, uma proporção significativa das cirurgias está sendo realizada devido a complicações decorrentes da esteatose hepática, um acúmulo de gordura no fígado que pode levar à inflamação, cirrose e até câncer hepático. Nos Estados Unidos, a cirrose resultante do acúmulo de gordura hepática agora superou a hepatite C como a segunda principal causa de transplante de fígado, com o álcool sendo a única causa mais frequente.

A maioria dos casos envolve pessoas com mais de 60 anos que têm um histórico prolongado de obesidade, diabetes e hipertensão, além de um estilo de vida sedentário. Essa população precisa passar por uma avaliação rigorosa antes de se submeter ao transplante devido ao aumento do risco cirúrgico.

Um desafio adicional é que de 20% a 30% das pessoas que passam por transplantes devido a esta condição acabam ganhando peso após a cirurgia e voltam a desenvolver a esteatose hepática. Além disso, entre cinco e dez anos após o transplante, existe o risco de desenvolver cirrose novamente.

Uma abordagem que está sendo explorada é a combinação da cirurgia bariátrica com o transplante de fígado como forma de prevenir a recorrência da doença. No entanto, é crucial tomar medidas para evitar que as pessoas cheguem a esse estágio dramático da doença.

Especialistas enfatizam que tanto a população em geral quanto os médicos não devem subestimar a esteatose hepática, que é o estágio inicial de todo esse processo. O acúmulo de gordura no fígado pode não causar sintomas imediatos, mas serve como um indicador de comportamentos de risco, como dieta inadequada e sedentarismo, que levam ao sobrepeso e à obesidade.

Esses fatores de risco estão associados a várias outras condições que desregulam o organismo, incluindo diabetes tipo 2, níveis elevados de colesterol, triglicerídeos e pressão arterial elevada (síndrome metabólica).

Se esses problemas não forem enfrentados por meio de medidas preventivas, podem evoluir ao longo do tempo, resultando em uma inflamação conhecida como esteato-hepatite não alcoólica, afetando um percentual significativo de pessoas com esteatose hepática, que pode variar de 10% a 30%.

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