Seca não dá trégua ao Aedes e Goiás registra quase 100 mil casos confirmados de dengue em 2026
02 agosto 2026 às 16h04

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O período de estiagem exige atenção redobrada em Goiás por conta dos registros de altas temperaturas e chuvas irregulares que podem manter as condições favoráveis para a produção de Aedes aegypti. A preocupação aumenta com a previsão de calor acima da média em 2026, influenciada pelo fenômeno El Niño.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), até julho deste ano, Goiás registrou 147.084 casos notificados de dengue. Desse total, 96.174 foram confirmados. O Estado também contabiliza 75 mortes provocadas pela doença e outras 37 que ainda estão sob investigação.
Apesar dos números altos, houve redução em relação ao mesmo período de 2025. No ano passado, eram 164.536 notificações e 101.415 casos confirmados, além de 122 mortes confirmadas e outras nove em investigação.
A situação é diferente quando o assunto é chikungunya. Em 2026, Goiás já registrou 13.243 casos notificados, com 11.128 confirmações. Quatro pessoas morreram em decorrência da doença e outras seis mortes estão sendo investigadas. No mesmo período de 2025, foram 3.463 notificações e 2.034 casos confirmados. Os números mostram, portanto, dois movimentos distintos: enquanto a dengue apresenta queda em relação ao ano passado, a chikungunya teve aumento expressivo da circulação em Goiás.
Calor acelera desenvolvimento do mosquito
A influência do calor sobre o ciclo de reprodução do Aedes aegypti é um dos motivos para a necessidade de manter os cuidados mesmo durante a seca. De acordo com a superintendente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da SES, Cristina Laval, o mosquito pode chegar à fase adulta mais rapidamente quando as temperaturas estão elevadas.
“O El Niño traz um cenário de estiagem prolongada e temperaturas mais elevadas, o que acelera o ciclo de vida do mosquito. Se antes ele levava de sete a dez dias para chegar à fase adulta, com o calor esse período pode cair para cinco a sete dias. Por isso, mesmo durante a seca, não podemos relaxar os cuidados”, explica.
A água acumulada dentro das residências continua sendo um dos principais problemas. Vasos de plantas, ralos, vasos sanitários sem uso e recipientes que armazenam água podem se transformar em criadouros. O alerta também vale para quem precisa guardar água durante a estiagem. Nesses casos, os reservatórios devem permanecer completamente vedados para impedir o acesso do mosquito.
“Os criadouros continuam existindo dentro das residências. Vasos de plantas, ralos, vasos sanitários em desuso e recipientes que armazenam água permanecem sendo locais ideais para a reprodução do mosquito. Muitas famílias também armazenam água durante a estiagem, e esses reservatórios precisam permanecer sempre vedados”, reforça Cristina.
Zika tem poucos casos confirmados
Os registros de zika permanecem bem abaixo dos números de dengue e chikungunya. Em 2025, Goiás teve 310 casos notificados e 21 confirmados. Neste ano, até julho, foram 394 casos suspeitos, com apenas duas confirmações. Não houve mortes relacionadas à doença no período.
Vacina contra dengue está disponível no SUS
A vacina contra a dengue está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para adolescentes de 10 a 14 anos, seguindo as regras do Programa Nacional de Imunizações.
Mas a imunização não elimina a necessidade dos cuidados do dia a dia. Mesmo durante a seca, é importante dar uma volta pela casa e pelo quintal para procurar qualquer lugar onde possa haver água parada.
Caixas-d’água precisam estar bem fechadas, enquanto calhas e ralos devem ser mantidos limpos. Pneus, garrafas, vasos e outros recipientes que possam juntar água também merecem atenção.
A dengue até apresenta redução nos casos em comparação com o ano passado, mas o mosquito continua circulando e outras doenças, como a chikungunya, avançaram em Goiás. Por isso, a recomendação é não baixar a guarda, mesmo quando a chuva dá uma trégua.
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