Você já pensou que pode morrer em uma guerra por água?

Neste século, a ação do homem causará mudanças climáticas que vão deixar imensas áreas inúteis à sobrevivência. A partir de então, conflitos armados serão permanentes, alerta pesquisador alemão

Foto: reprodução

Garrafa PET se destaca em meio à sequidão no reservatório da Cantareira, em São Paulo: tendência é de que a crise hídrica se torne cada vez mais grave, na metrópole paulista e em todo o Brasil

Elder Dias

Foram muitos meses de pré-campanha e 90 dias de acirrada disputa eleitoral. Um tempo que os protagonistas da cena — Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos, depois Marina Silva (PSB) — gastaram da forma que melhor lhes ocorreu para garantir o êxito final. Nesse sentido e com esse objetivo, baseados em conclusões de pesquisas qualitativas de suas equipes de marketing, falaram bastante sobre os problemas pelos quais os brasileiros se consideram mais afetados. Saúde, inflação, segurança, corrupção, reforma política, queda do crescimento econômico, virou pauta todo assunto que pudesse trazer votos — ou tirá-los do adversário.

Campanha eleitoral é assim. Diz-se o que a população quer ouvir. Se isso é viável ou não, isso já é questão para depois do pleito. Não foi à toa que Aécio afirmou que intensificaria a segurança das fronteiras para conter o tráfico (como se o Brasil fosse um quarteirão fácil de cercar); que Marina se comprometeu a dar o 13º salário a quem recebe o Bolsa Família (mais de olho em resultado de urna do que convicta da medida como política social); e que Dilma desmentiu a todo custo qualquer medida que levasse a algum tipo de arrocho (e na semana seguinte à de sua reeleição subiu a taxa de juros e o preço da gasolina).

Não obstante sua premência, durante toda a corrida pela Presidência, um tema literalmente vital passou longe do interesse dos presidenciáveis e de seus marqueteiros: o meio ambiente e as mudanças climáticas. Nem mesmo Marina, reconhecida por sua militância verde, pôs a questão em foco. Houve apenas dois mo­men­tos em que os gladiadores da sucessão tangenciaram o assunto: primeiro, quando Aécio questionou Dilma sobre o aumento do desmatamento na Amazônia, o que foi prontamente negado — um desmentido que foi desmentido, pós-eleição; em outro momento, a petista criticou a gestão tucana por causa da crise da água em São Paulo. Ataque de um lado, contra-ataque de outro. Vi­ce-versa. Mas nenhuma proposta, nenhuma sinalização de prioridade em termos de políticas públicas.
Não é exclusividade do Brasil, mas geralmente demandas de difícil resolução somente começam a ganhar importância quando se escancaram de forma grave no cotidiano. Em outras palavras, elas só são enxergadas quando se impõem definitivamente como problema. Aí, sim, urge buscar uma saída. Às vezes, infelizmente, tarde demais.

A população de São Paulo se depara com uma pane hídrica de proporções muito mais sérias do que a maioria incauta poderia imaginar. Hoje, mesmo se o governador paulista fosse do PT, nem o ex-presidente Lula jamais chamaria a falta d’água de “marolinha”. A metrópole tem seis reservatórios que a abastecem, alguns deles já praticamente exauridos. Na terra da garoa, hoje, torce-se por chuva da mesma maneira como um dia lamuriou o sertanejo nordestino pela voz de Luiz Gonzaga em canções como “Triste Partida”, que con­ta o abandono da terra por causa da seca no agreste, a qual leva uma família a tomar o rumo de… São Paulo.

Apesar de não falar em racionamento — a palavra causa calafrios em tucanos desde o apagão do governo FHC — a direção da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) admite que adotou a redução da pressão da água como estratagema. Mais do que isso, assinala que tal medida veio para ficar, como afirmou o superintendente de Produ­ção de Água da Sabesp, Marco Antônio Lopez de Barros, no programa “Fantástico”, da Rede Globo, exibido em 9 de novembro. “A gente não deve abandonar, nunca mais [a diminuição da pressão]. É uma condição que vai perpetuar-se (sic) dessa forma, porque é a melhor condição para o aproveitamento da água, sem desgaste da tubulação e sem desperdício. Essa é a herança que a crise nos trará.” Há um senão: essa tática de economia causa falta d’água nos lugares mais altos e mais distantes. Isso ocorreu em Goiânia, nos meses de setembro e outubro, e boa parte dos bairros — principalmente na região norte da cidade (mais alta) — passou, várias vezes, longas horas sem abastecimento.

Do esgoto para o filtro

A mesma Sabesp, em sua página na internet na semana passada, anunciava em manchete principal que “utilizará tecnologia moderna para transformar água de reuso em potável”. Em português mais direto, isso quer dizer que os paulistas matarão a sede com a resultante “limpa” e “cristalina” do tratamento do esgoto que produzem. Duas estações de produção de “água em reuso” vão reaproveitar os dejetos da região de Interlagos (sul da capital) e da estação de Barueri, na Grande São Paulo. Em declaração ao site, Paulo Nobre, superintendente da Sabesp para Tratamento de Esgotos da Região Metro­politana, diz que “o reaproveitamento da água é uma evolução natural para conferir segurança hídrica e atender às novas tendências climáticas”.

“Evolução natural”, diga-se, por absoluta falta de opção, como saída praticamente única para a crise. Mas o drama da água vivido pelos paulistas é apenas a ponta de um iceberg — o melhor seria dizer o cume de uma duna — de proporções devastadoras. Tudo porque, até que se beire o caos, o círculo vicioso do homem o impede de alterar seu rumo e estabelecer novos hábitos. No decorrer da história, a sina do ser humano tem sido extrair os recursos naturais que o cercam até o limite; ao atingir esse ponto, ele parte para outra paragem. Se deixar o local é inviável, só assim então passar a agir de forma diferente de pragas, vírus e bactérias; age, enfim, para priorizar a própria sobrevivência — o que não quer dizer ser racional. Para tentar restabelecer sua harmonia, frequentemente há muito sofrimento a ser padecido e muito sangue a ser derramado. Principalmente pelas populações mais vulneráveis.
Em meio a carros, iPhones e toda a tecnologia digital, a notícia para esta e as próximas gerações não é muito boa: o cenário apocalíptico em que a humanidade desembocará é iminente — e desenhado por questões ambientais. Esse é o mote de “Guerras Climáticas” (Geração Editorial, 317 páginas), livro do pesquisador, sociólogo e referência em Psicologia Social Harald Welzer. O subtítulo da obra é bem direto e seco: “Por que mataremos e seremos mortos no século 21”.

Não por acaso, estampa a capa de “Guerras Climáticas” um navio em meio a uma paisagem desertificada. Não é uma montagem, mas a foto do vapor Eduard Bohlen, que serviu à administração colonial na denominada África do Sudoeste Alemã, região onde hoje está a Namíbia. A embarcação encalhou perto da praia, em setembro de 1909. Um século depois, a carcaça do barco está a 200 metros das águas: o deserto engoliu o mar, uma mutação da natureza que reflete a decadente ação exploratória humana no continente africano, que continua tendo fauna e flora dizimadas. Fica uma questão inquietante: para onde irão as centenas de milhões de pessoas que veem cair tudo ao seu redor, em guerras que duram décadas, convivendo com fome, sede, promiscuidade, violência e absoluta falta de condições mínimas para a sobrevida?

Como em “Walking Dead”

A partir desse exemplo, com a falência da África para a substência, Welzer prevê uma aceleração do fluxo migratório em busca de algum oásis, principalmente a Europa e suas benesses. Como reflexo, haverá uma contrarreação da comunidade europeia impedindo cada vez mais brutalmente a entrada de estrangeiros em busca de refúgio. Uma cena de “Walking Dead” na vida real, com zumbis e viventes se digladiando, insanamente.

Mais grave: fazendo um percurso pela história recente de grandes horrores, como o Holocausto, o pesquisar encontra um sintoma nada agradável. O genocídio planificado dos nazistas não pode ser considerado o que hoje se chamaria de “ponto fora da curva”, algo que nunca mais será repetido; pelo contrário, desde o morticínio nazista houve ocorrências semelhantes em países tão diversos como China, Ruanda e a antiga Iugoslávia. Em todas, as pessoas conseguem justificar, com certa razoabilidade que internalizam, cada um dos genocídios. E isso só tenderá a se agravar com os êxodos que serão promovidos por causa dos flagelos ambientais.

O livro de Welzer é de 2008, mas, ao tratar da problemática de cada região do globo, tem um intrigante parágrafo sobre o continente sul-americano: “A América do Sul já está sendo atingida por problemas de diminuição das reservas de água do subsolo e pela formação de desertos. As derrubadas e queimadas que ocorrem nas florestas tropicais, independentemente das condições climáticas, com a consequente erosão do solo, exercem aqui a função de agravamento dos efeitos das variações climáticas, o que, em seu conjunto, também significa a diminuição das espécies animais e vegetais. O perigo de inundações também afeta as regiões costeiras, do mesmo modo que em outras partes do mundo; as possibilidades de compensação e de defesa também aqui variam de acordo com os países atingidos.”

Nada a que pesquisadores nativos não tenham alertado. Em entrevista recente ao Jornal Opção, o professor Altair Sales Barbosa, do Instituto Tropical Subúmido (ITS) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), explicou, de forma bastante didática, como a destruição do Cerrado vai impactar no regime das águas em todo o País. “Podemos prever grandes colapsos sociais e econômicos”, conclui.

A Ilha de Páscoa já deu a prévia do fim do mundo

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Estátuas gigantes (“moais”) se destacam na paisagem da Ilha de Páscoa, cuja fauna e flora foram totalmente consumidas pelos nativos, o que levou ao colapso da civilização

Em “Guerras Climáticas”, Harald Welzer lembra que nada é mais conveniente a um historiador ambiental do que uma ilha. Quanto maior for seu isolamento, melhores são as condições de estudo que oferecerá para qualquer fenômeno. E ele conclui: a Ilha de Páscoa pode ser considerada “a terra dos sonhos” para pesquisas assim. Conhecida mundialmente pelas gigantescas estátuas de pedra, chamadas de “moais”, essa ilha do Pacífico, a 3,7 mil quilômetros da costa do Chile, foi encontrada pelos europeus pela primeira vez em 1722, em expedição liderada pelo explorador holandês Jacob Roggeveen, que anotou, sobre o cenário avistado: “A aparência destruída não poderia dar outra impressão além de pobreza e improdutividade singulares”.

Já em 1744, o capitão britânico James Cook fez um breve relato do que encontrou na ilha: não existiam árvores com mais de 10 metros de altura; o pequeno número de habitantes, por volta de 2 mil na época, vivia em desordem civil, “pequenos, magros, tímidos e miseráveis”; não havia praticamente nenhum animal, além de ratos que habitavam a ilha; não havia embarcações tecnologicamente viáveis para navegar em alto-mar. O que destoava eram as estátuas de pedra, de 5 a 23 metros de altura, pesando dezenas ou centenas de toneladas. Era um enigma sobre como aquele povo, os rapanuis, teria conseguido mover estruturas gigantes como aquelas.

A resposta está no passado da ilha. Um termo pode resumir muito do que ocorreu naquele lugar: “Pas­cha­lococos disperta”. É o nome científico da palmeira nativa da Ilha de Páscoa, que já estava extinta quan­do aportaram os europeus (segundo análises por meio do pólen, a árvore deixou de existir por volta do início do século 15). Era com os espécimes da árvore que se construíam canoas grandes, que podiam entrar mar adentro; também usavam sua madeira como lenha para alimentação; outra finalidade, importante na cultura da ilha, era seu uso como rolagem para o transporte das estátuas de pedra de seu lugar de produção até o altar, perto das aldeias.

Um dia, a madeira acabou naquela que tinha sido uma exuberante floresta tropical. Acabou-se, também, a matéria-prima para o transporte às pescas no mar, o que restringiu severamente a alimentação à base de peixes e demais animais marinhos; as aves, outra fonte de alimentação, logo desapareceram também; sem árvores, a erosão tomou conta da ilha e aniquilou a agricultura. O resultado: as aldeias se consumiram em guerra e a população declinou de algo entre 20 mil e 30 mil, no auge da civilização, para os 2 mil habitantes da época de chegada dos europeus, até pouco mais de uma centena no fim do século 19.

A lição que poderia ser aprendida pelo restante da humanidade com os rapanuis está exatamente no entendimento de que os acontecimentos da Ilha de Páscoa são uma versão “tubo de ensaio” para o que pode ocorrer com o planeta. A exploração desordenada dos recursos e a alta demanda por uma população relativamente alta causaram o colapso da sociedade.

Mas aprender com os erros dos outros, mesmo sendo alertado para um futuro sombrio caso não mude a rota, não é uma qualidade que sobressalta no ser humano, conforme salienta o sociólogo alemão: se todos estivessem certificados de que uma grande catástrofe aconteceria, suponha-se, em 2050, caso não mudassem os próprios hábitos, haveria um quadro de apreensão e até temor, mas isso não refletiria em comportamentos diferentes. Os padrões de consumo e de uso dos recursos seguiriam. Como vêm sendo mantidos, aliás: por mais que se fale do uso intensivo de energia fóssil como uma armadilha, a emissão de gases continua em ascensão e, neste mês, atingiu a maior concentração em 800 mil anos.

A dificuldade de o homem desfazer-se do que considera “prioridade” tem um exemplo na própria civilização rapanui, o qual Welzer descreve em seu livro: “A partir do momento em que não havia mais madeira para o transporte, nem fibras para a produção de cordas, sucumbiram à tentação de transportar e erigir as estátuas com a madeira de suas próprias canoas”, relata, apoiando no documentado pelo biólogo norte-americano Jared Diamond em seu livro “Colapso” (Editora Record, 686 páginas). A força do hábito cultural daquele povo foi implacável, mesmo diante da consciência de que era algo desprovido de qualquer senso de sobrevivência.

Hoje, em várias regiões do mundo, já se percebem alterações climáticas importantes. A resposta dada pelas sociedades afetadas, em vez de uma mudança de atitude, tem sido a readaptação ou até mesmo a assimilação capitalista do fator. Em regiões do norte da Europa em que já não há mais um inverno tão rigoroso, houve a implantação de vinhedos, aproveitando o clima agora mais ameno.

O “nós” que não existe

Harald Welzer traça perfil aterrador sobre o futuro da humanidade

Harald Welzer traça perfil aterrador sobre o futuro da humanidade

Quando o assunto é meio ambiente, aparece indefectivelmente o uso da primeira pessoa do plural para exposição de argumentos e busca de soluções. Harald Welzer trata de desfazer o mito de que haveria um “nós” que pudesse abarcar todos em relação aos problemas climáticos, como se esse pronome tratasse de toda a humanidade.

Para o pesquisador alemão, a humanidade não é nada mais do que uma abstração, “composta por indivíduos contados em bilhões, os quais, a partir de seus substratos culturais muito diferenciados (…) agem dentro de comunidades de sobrevivência complexas”. E dá o exemplo: qual “nós” pode unir “o presidente da diretoria de uma empresa multinacional fornecedora de energia (…) e uma camponesa do interior da China”? Ele vai mais além: esse “nós” não faz correspondência nem entre esse mesmo executivo e seus netos.

Está posto o grande problema em torno das celeumas do meio ambiente: nada une ninguém a qualquer outro enquanto não haja um alvo em comum. E as reações, em quase 100% dos casos, só começam a ocorrer a partir do momento em que haja uma ameaça visível, concreta. Um exemplo concreto de “nós”: a luta recente de moradores do Parque Anhanguera e outros bairros em Goiânia contra a implantação de uma rede de alta tensão da Companhia Energética de Goiás (Celg) sobre suas cabeças. Muito provavelmente, essa deve ser a primeira experiência de embate ambiental na vida da maioria desses cidadãos, motivada por um invasor indesejado e perigoso de seu espaço. Do mesmo modo, a primeira preocupação da vida de milhões de paulistanos com o uso racional da água deu-se apenas agora, com a crise hídrica que afeta a região metropolitana — e ainda é possível ter notícia de argumentações do tipo “eu pago pela água, então posso usar o quanto eu quiser”, de pessoas flagradas em situação de desperdício.

Guerras climáticas à vista

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Menino arrasta galão de água em Darfur, no Sudão, na região que sofre desde 2001 com a primeira das chamadas “guerras climáticas”: mais de 200 mil mortes e 2 milhões de refugiados

Ninguém morre de fome se ficar sem comida e sem bebida ao mesmo tempo. A causa que levará ao óbito será a desidratação. Morre-se de sede. Logo no começo de “Guerras Climáticas”, um relato impressiona: é o cerco promovido pela tropa do general Lothar von Trotha aos hereros, em 1904, na área de domínio alemão na África que hoje corresponde à Namíbia. “Von Trotha adotou desde o início o conceito de uma guerra de extermínio, de acordo com o qual ele não procurou simplesmente vencer os hereros por meios militares, mas os impeliu para o extermínio no deserto de Omaheke, onde ocupou todas as nascentes de água, provocando pura e simplesmente a morte de seus adversários pela sede. Esta estratégia foi tão bem-sucedida quanto fora cruel; foi relatado que os sedentos cortavam as gargantas de seus animais para beber-lhes o sangue e que finalmente esmagavam seus intestinos para deles retirar os últimos restos de umidade. Não obstante, acabavam morrendo.”

A previsão é de que, em 2050, pelo menos 1 bilhão de seres humanos estejam sem acesso a água potável. Hoje, em boa parte da África (Etiópia, Somália, Chade, entre outros países) já há disputas pelo líquido. Em seis anos, 250 milhões de africanos — 50% a mais do que o total da população da Nigéria — não terão acesso à água.

Os já graves conflitos no continente tenderão a se agravar, bem como as correntes migratórias de refugiados. As guerras climáticas — que tiveram seu primeiro capítulo no Sudão, na província de Darfur, em um conflito que já matou mais de 200 mil pessoas e fez 2 milhões de refugiados — tendem a proliferar.

A situação deverá ser mais grave na África, em um primeiro momento, mas as mudanças no clima trarão consequências a todos os outros continentes: além de a água potável se tornar um recurso cada vez mais escasso, cidades litorâneas serão submersas; fenômenos como ciclones, tornados, enchentes e secas drásticas se intensificarão; haverá maior incidência de alguns tipos de doenças, por causa do desequilíbrio ambiental. Todo o cenário conspira a favor de disputas por espaços onde haverá alguma comodidade — o que, em outras palavras, significa batalhas mortais.

Como lembra o próprio Welzer, o homem é racional somente até o ponto em que sua integridade e convicções não sejam ameaçadas. A tendência é de que, por mais tecnologia que haja, as mudanças que estão por vir hão de tornar o mundo mais violento. Os mais pobres podem até ser os primeiros atingidos, mas não serão os únicos. Um provérbio já bastante conhecido sintetiza toda a história: “Quando a última árvore for cortada, quando o último rio for poluído, quando o último peixe for pescado, aí sim eles verão que dinheiro não se come.” O provérbio é creditada à tribo Cree, da América do Norte. Com as devidas adaptações, serviria tanto aos habitantes da Ilha de Páscoa quanto aos 7 bilhões de seres humanos hoje na Terra. l

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Pablo Faria

Bela reflexão, Elder. E, de fato, é um fato triste de se constatar: só mudamos quando a corda está no pescoço, infelizmente.