Tudo muito igual na Câmara de Trindade

Sessão solene na Casa legislativa do município foi dedicada a celebrar a igualdade racial e levou ao plenário diversos representantes classistas e raciais

Mestres de capoeira se reúnem no plenário do Legislativo trindadense

Mestres de capoeira se reúnem no plenário do Legislativo trindadense

Fábio PH
Especial para o Jornal Opção

Isabel do Brasil. Por incrível que possa parecer, 127 anos depois, ainda existem brasileiros que não entenderam a verdadeira proposta da Princesa Isabel, que, ao abolir a escravatura, proclamou a óbvia igualdade entre brancos e negros e no mesmo ato condenou qualquer tipo de discriminação entre raças.

Ela nasceu no Rio de Janeiro, filha mais velha do imperador Dom Pedro II e de sua esposa Teresa Cristina das Duas Sicílias, sendo assim membro do ramo brasileiro da Casa de Bragança. Ela foi reconhecida como a herdeira de seu pai após as mortes de seus dois irmãos, Afonso Pedro e Pedro Afonso. Isabel se casou com o príncipe francês Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, com quem teve três filhos: Pedro, príncipe do Grão-Pará, Luís e Antônio Gastão.

Isabel do nosso Brasil serviu como regente do império enquanto seu pai viajava pelo exterior. Ela promoveu a Abolição da Escravatura durante sua terceira e última regência, ao assinar a Lei Áurea em 1888. Apesar de sua ação ter se mostrado amplamente popular, houve forte oposição contra sua sucessão ao trono. O fato de ser mulher, seu forte catolicismo e o casamento com um estrangeiro foram questões vistas como impedimentos contra ela, acrescidas de a emancipação dos escravos ter gerado descontentamento entre os ricos fazendeiros. A monarquia brasileira foi abolida em 1889 e ela, com sua família, foi exilada por um golpe militar. Isabel passou seus últimos 30 anos de vida na França.

Neste viés histórico e por propositura da vereadora Aninha (PTB), a Prefeitura de Trindade, a Secretaria de Ação Social, a Superintendência da Igualdade Racial e a Câmara Muni­cipal de Trindade realizaram nesta terça-feira, 1º de dezembro, uma sessão solene homenageando e levando ao palco da Casa diversas representatividades classistas e raciais.

Em meio às muitas autoridades, com uma maioria dos vereadores e auditório com bom público, um plenário lotado de artistas, dançarinos e cantores. Entre eles, os célebres Mestre Sabu, bem assediado no evento e um dos nomes mais respeitados da capoeira nacional; e a matriarca goiana da igualdade racial, Maria Dalva de Mendonça.

Representando o prefeito Jânio Darrot (PSDB), o secretário do Meio Ambiente, Alexandre Cesar, citou como exemplo Nelson Mandela, o pacifista e ex-presidente da África do Sul que viveu pela causa da igualdade racial, e disse que Trindade vive um momento de paz, no qual o governo atua e respeita todas as crenças, raças e opções sexuais.

Em uma fala perfeita, um dos grandes momentos da noite, representando os homenageados, o professor Eloiso Matos ressaltou que a desigualdade é o mesmo que um tsunami, que destrói e desestabiliza uma nação. “É preciso que trabalhemos em favor da cultura da educação do bem, da paz, erradicando todos os focos deste mal que é o preconceito racial”, finalizou, aplaudido.

A vereadora Aninha dividiu a realização com os superintendentes municipais Kelly Brasil e Carlos Rosa. “O conceito de que perante Deus somos todos irmãos, independentemente de credo, raça ou sexo, precisa estar embutido em nosso ser, em nosso dia a dia. A Câmara de Trindade nunca esteve tão radiante e tão iluminada e nós estamos muito agradecidos por esta realização”, destacou Aninha.

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