Situação das rodovias se agrava, causa transtornos e prejuízos a produtores

17Agricultores se queixam de danos e governo decreta estado de emergência para facilitar investimentos em recuperação

Local onde o bueiro cedeu na GO-O60: municípios estão em situação de emergência | Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

Em uma tempestade no dia 5 de março, um bueiro no quilômetro 171 da GO-060 cedeu e fez o acostamento da rodovia desmoronar. Uma semana depois, todo o asfalto foi levado e a via interditada, causando o isolamento de 12 cidades da Região Oeste de Goiás. No dia do segundo desmoronamento, 10, o governador Ronaldo Caiado visitou o local, entre Israelândia e Fazenda Nova, anunciou a instalação de uma ponte metálica provisória e, quatro dias depois, decretou situação de emergência nas cidades afetadas.

Com o decreto, a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra, antiga Agetop) pode operar na região sem necessidade de licitações. As empresas de manutenção, que já possuíam contratos com o Estado, voltaram a trabalhar sem licitações nesta sexta-feira, 15. A última licitação foi concluída em outubro de 2018 e três cadeiras importantes para o processo continuam vagas desde a troca de governos – as de diretoria de Obras Civis, de Obras Rodoviárias e de Manutenção Rodoviária. Não há previsão de indicações ou explicação pela vacância.

Ronaldo Caiado descreveu a situação das estradas herdadas do governo anterior como “calamidade total”. Jayme Rincón, ex-presidente da antiga Agetop, rebateu as acusações em nota. Ele criticou a indicação dos primos do governador para cargos de Presidente da Agência e Diretor de Fiscalização e Monitoramento de Obras (Ênio e Aderbal Caiado, respectivamente); criticou o abandono do programa Rodovida; e criticou a tentativa de convênio com as prefeituras para que elas ajudem na revitalização das rodovias.

Na quinta-feira, 14, Ênio Caiado, presidente da Goinfra, pediu por meio de ofício ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-GO) uma força-tarefa para realizar auditoria e análise da legalidade das licitações e contratações da Agetop nos últimos anos. Entretanto, o presidente não esclareceu de que tipo de irregularidades suspeita nos contratos ou por que não enviou o pedido a Controladoria-Geral do Estado (CGE), o órgão normalmente incumbido da tarefa.

Na Região Oeste do Estado, há cem mil pessoas atingidas pelo rompimento da rodovia. Para ter acesso a mantimentos, medicamentos e insumos, têm de usar rotas alternativas, em vias de terra. Mas segundo produtores rurais a condição das estradas é precária em todo o território. O consenso entre eles é de que a culpa pelas fatalidades e prejuízo é da falta de manutenção das vias.

Antonio Chavaglia, presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (COMIGO), afirmou que “as estradas não estão boas. Entre Rio Verde e Itumbiara existe um problema sério. Na pista simples passam mais de 5 mil carros diariamente e as notícias de acidentes fatais são constantes. Perto de Montes Claros faltam dez quilômetros de asfalto em uma rodovia estadual. Fora da minha região reclamam ainda mais, tanto das estaduais quanto das federais”.

Trabalhadores atuam na recuperação de trecho de rodovia esburacada. Foto: Goinfra

Um produtor rural de Rio Verde ouvido pelo Jornal Opção afirmou que nesse momento do transporte da safra, o colapso das rodovias que cortam o Oeste e Sudoeste onera o frete. “Aumenta o tempo necessário para fazer o transporte, cresce o custo e diminui a lucratividade do produtor”, disse. Para ele, a medida mais urgente é a manutenção, que não tem sido feita pelas empresas responsáveis.

O Jornal Opção tentou falar com o presidente da Goinfra, Enio Caiado, mas não obteve resposta. O órgão imputa as más condições das rodovias ao governo anterior. “Por falta de pagamento por mais de 90 dias do governo anterior, desde 2018, as empresas haviam suspendido os trabalhos e não atuavam mais na realização de serviços de rotina, como reparo localizado, roçagem da faixa de domínio, limpeza de elementos de drenagem e outros serviços emergenciais”, diz uma nota publicada no site da Goinfra.

Segundo Enio Caiado, a falta de pagamento levou à deterioração da malha asfáltica e ao péssimo estado de conservação encontrado quando assumiu a pasta.

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