Sebrae Goiás participa da Tecnoshow Comigo, capacita produtores rurais e dá destaque ao ramo do artesanato

“O evento tornou-se fundamental para o produtor rural goiano, pois é hoje uma vitrine internacional do que o campo é capaz de produzir e entregar para a população mundial”, diz Diretor Técnico do Sebrae-GO

Alda de Assis Lima, artesã do ramo de biojoias, teve parte de seu trabalho exposta na Tecnoshow 2017 | Divulgação Sebrae

De segunda a sexta-feira da semana passada, 3 a 7 de abril, ocorreu a edição da maior feira de tecnologia rural do Centro Oeste e uma das maiores do Brasil, a Tecnoshow Comigo 2017. O evento foi realizado no Centro Tecnológico Comigo (CTC), no município de Rio Verde, Goiás. Estima-se que, a exemplo da edição do ano passado, a Tecnoshow Comigo deva ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão. O Serviço de Apoio às Micro e Pe­quenas Empresas em Goiás (Sebrae-GO) esteve presente no evento, junto com o sistema conjunto da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar-Go), conhecido como Sistema Faeg/Senar. O Sebrae-Go e o Sistema Faeg/Senar ocuparam, acompanhados de sindicatos rurais, um espaço de 1.100 m², no CTC.

Uma das grandes novidades apresentadas no evento foi o estande do Aqua Negócios (que congregou tanto a Associação dos Aquicultores da Região Sudoeste do Estado de Goiás (Aquasud), quanto Associação Goiana de Piscicultura (AGP ), programa que tem por objetivo divulgar a piscicultura como uma das atividades em potencial a serem instaladas em propriedades rurais, o que resulta também na ampliação da renda do produtor rural. Outro ponto importante do evento foi o estande responsável ocupado pelo Programa Sebrae Brasil Original, um projeto concebido pelo Sebrae-GO que aproveita a oportunidade da realização de grandes eventos sobre negócios, a nível nacional e internacional, para promover o trabalho do artesanato produzido no Brasil. Além dessas dois exemplos, outros ramos do empreendimento rural, como a apicultura e produção de artigos derivados do leite, como iogurtes, tiveram destaque.

Tendo em vista a importância desse evento, o Jornal Opção conversou duas empreendedoras, uma do ramo do artesanato, Alda de Assis Lima, que teve suas peças exposta na Tecnoshow 2017, e Maria José Oliveira, apicultora, membro da Associação dos Apicultores do Estado de Goiás (Api-Goiás), doutora em Química com ênfase em pesquisa sobre abelhas. Além disso, o diretor-técnico do Sebrae-GO, Wander­son Portugal Lemos, também nos deu detalhes sobre o evento realizado em Rio Verde a participação do Sebrae-Go no mesmo.

Exemplos
Alda de Assis Lima, artesã, proprietária da empresa Filhas de Maria Biojoias, foi indagada a respeito dos problemas que enfrentou quando começou a empreender no ramo do artesanato, em Goiás. Em resposta ao Jornal Opção, a artesã disse que há quase seis anos começava a sua produção “de uma forma tímida, mas que, ao passar do tempo, foi ganhando novos contornos, mais experiência e mais segurança na produção”. Alda informa que iniciou seu trabalho com sementes e aprendeu a trabalhar com chifres, ossos, pedras, tudo de forma bem artesanal. “Aos poucos, meu pai adaptou pequenos maquinários para que a produção se tornasse um pouco mais leve e até com melhor acabamento”, completa. Alda explicitou ainda que as técnicas por ela empregadas no trabalho foram revistas na medida em que ia experimentando novas possibilidades. O principal problema enfrentado por ela no início do negócio foi a falta de oportunidade e de eventos para divulgar seu trabalho. “Goiás”, segundo Alda, “começa a engatinhar na abertura, divulgação e valorização de produtos artesanais.”

Quando, por outro lado, indagada se eventos como a feira Tec­noshow Comigo desempenham alguma importância para o pequeno empreendedor do ramo do artesanato, Alda foi enfática: “Sim, são de grande importância. O público desses tipos de eventos são variados e isso contribui para a divulgação do meu trabalho e do artesanato em ge­ral. E os contatos também são valiosos, já que aproveito a oportunidade para intercâmbio de matérias primas e até inspiração para futuras coleções. No entanto, muito ainda pode ser feito, como por exemplo utilizar essas oportunidades de uma maneira mais proveitosa, como distribuição de cartões e panfletos que divulgam o trabalho de cada um e também do artesanato goiano de uma maneira geral. A divulgação desse segmento, mesmo em grandes eventos, ainda é discreta e não se aproveita o potencial dessas organizações.”

Para Alda, apesar de haver muito ainda a ser melhorado, o trabalho que o Sebrae-GO faz, tanto com au­xílio com cursos, orientações de profissionais competentes e, em seu ramo, que são as biojoias, abrindo espaço em eventos onde tem o público alvo para a divulgação, é fundamental.

Alda relatou ainda que uma das dificuldades enfrentadas pelos empreendedores do ramo do artesanato hoje é a falta de divulgação na mídia e falta de apoio do governo. “Não existe projeto para o artesanato, mas com a criação de associações estamos nos organizando e cobrando investimentos, em breve esperamos ter retorno,” A artesã destacou também outras dificuldades, como: a de financiamento para aquisição de maquinários, as baixas oportunidades para divulgação em eventos e falta de valorização do trabalho artesanal. “Infelizmente, grande parte do público ainda não valoriza os produtos, ainda existe muita dificuldade em mostrar que cada peça tem uma história, uma técnica e um trabalho envolvido, mas a gente chega lá.”

Vice-governador José Eliton e o diretor-técnico do Sebrae-GO, Wanderson Portugal: incentivo ao pequeno negócio | Divulgação Sebrae

Sobre as perspectivas para o futuro do seu negócio, Alda acredita que, com certeza uma delas é melhorar o espaço físico. Com a divulgação da Central do Artesanato, pretende também ampliar a visibilidade do seu trabalho e exportar seus produtos. “Estou sempre atrás de novidades em produtos para ampliar o leque de opções, atingir mais públicos-alvos, tanto o final quanto o meu fornecedor, e acompanhando as tendências mundiais”, ressaltou a especialista em biojoias.

Já Maria José Oliveira, apicultora e pesquisadora especialista em abelhas, disse ao Jornal Opção que começou nesse ramo em 1976, quando ainda fazia graduação em Química. Prosseguiu com pesquisas a respeito de abelhas no mestrado e no doutorado e, desde então, sempre procurou esmerar tanto a produção de mel quanto as pesquisas sobre as condições de criação de abelhas.

Maria José destacou que, entre os principais problemas que o pequeno produtor de mel enfrenta, hoje, em Goiás está a questão da acomodação das abelhas nas zonas rurais. Isto porque o uso de pesticidas e demais agrotóxicos “comprometem a manutenção de criação das abelhas, que não sobrevivem, pois são facilmente intoxicadas”. Desse modo, Maria José julga extremamente necessária a capacitação e orientação dos pequenos criadores de abelha e produtores de mel no sentido de contornar esses problemas. Tendo isso em vista, a apicultora disse que as ações do Sebrae-GO tem sido imprescindível, pois fornece auxílio a esses empreendedores com consultorias, palestras, capacitações, missões dedicadas aos iniciantes no ramo, bem como orientações quanto à produção, distribuição e venda tanto do mel quanto de própolis.

Maria José frisou ainda que eventos como Tecnoshow Comigo têm si­do muito importantes para esta área da produção rural, haja vista que o “o apicultor tem projeção no Tec­noshow Comigo, sobretudo por con­ta do auxílio dado pelo Sebrae-GO.”

O diretor-técnico do Sebrae-GO, Wanderson Portugal Lemos, ressaltou o caráter de projeção que Tecnoshow Comigo tem dado ao produtor rural goiano. Disse ele que o evento “pois o evento é hoje uma vitrine internacional do que o campo é capaz de produzir e entregar para a população mundial. Como nas edições anteriores, o pequeno produtor rural recebeu total apoio do Sebrae-GO e do Sistema Faeg/Senar, bem como dos sindicatos rurais. De forma arrojada, juntos disponibilizamos um espaço de 1.100 m² onde eles puderam participar de toda a pro­gramação (oficinas, palestras, atendimento) especialmente voltada para o segmento. O espaço foi u­tilizado para várias reuniões de câ­maras setoriais do Sistema Faeg/Senar.”

Tal espaço, completa Wander­son, também foi ponto de apoio para dezenas de caravanas de produtores rurais que vieram de mais de 20 municípios goianos para participar do evento: “No local a e­qui­pe de analistas e consultores do Se­brae-GO puderam atender to­dos os interessados em conhecer as soluções da instituição voltadas pa­ra o empreendedor rural. Uma das novidades que levamos para o Te­cnoshow foi um grupo de em­pre­sários da cidade de Aruanã e do distrito de Luiz Alves, que, com apoio do Sebrae-GO e da pre­feitura, bem como dos empresários do setor de turismo que, também de forma parceira e conjunta, lançaram o projeto Cir­cuito Araguaia Pesca & Praia de Luiz Alves e Aruanã – #partiuaraguaia.”

O Circuito Araguaia Pesca & Praia consiste, segundo Wander­son, num trabalho que irá captar turistas para conhecer e usufruir das belezas do Rio Araguaia, das águas mornas e das praias, na cidade de Aruanã, em época de temporada, bem como da atividade de pesca esportiva de Luiz Alves voltada para o turista. Os praticantes da pesca esportiva podem encontrar por lá diversas espécies de peixes de grande porte, como pintados, douradas, pirararas, tucunarés e a piraíba, que voltou ao Rio Araguaia graças à regulamentação da pesca e a cota zero para o transporte de peixe. Os interessados podem conhecer mais sobre o projeto no site.

Piscicultura e Artesanato

Estande do programa Sebrae Brasil Original na Tecnoshow, dedicado à divulgação do trabalho artesanal brasileiro

Sobre o estande do Aqua Negócios, que divulgou a piscicultura como uma das atividades em potencial para ser instalada nas propriedades rurais, buscando ampliar a renda do produtor rural, Wanderson informa que estiveram representantes da Aquasud, da AGP, da Comigo e Rações Co­mi­go, do Projeto Tambacu, Aquatro­pic, MSD Saúde Animal, Instituto Federal Goiano e Piscicultura Por do Sol. No espaço passaram mais de mil pessoas entre piscicultores, produtores rurais, empresários, profissionais da área, estudantes (Agronomia, Veterinária e Zoote­cnia), mestres e doutores que pesquisam e fomentam a piscicultura. O espaço também mostrou o trabalho que vem sendo desenvolvido pelas associações (Peixe BR, AGP e Aquasud), empresas privadas, órgãos públicos e piscicultores e produtores rurais de Jataí, Caiapônia, Mineiros e Rio Verde.

Indagado sobre como o Sebrae-GO auxilia os pequenos piscicultores, Wanderson diz que isso se dá por meio de serviços de atendimento, consultorias e capacitação, bem como no apoio à busca de novas tecnologias e inovação com o programa Sistema de Gestação e Consultoria Tecno­lógica (Sebraetec). O Sebrae-GO dedicou espaço e sua programação aos produtores de peixe e apicultura em Goiás, com ações que aconteceram no estande da instituição na Tecnoshow. Para os piscicultores, as ações foram reuniões para outorga de água e licenciamento ambiental. Expo­si­ção de tanques, peixes, peças em artesanato (sapatos, bolsas, acessórios feitos com a pele de tilápia), bem como a apresentação de uma nova tecnologia (bioflocos) que faz o reaproveitamento total da água em criatórios de alevinos, aumentando a produtividade dos peixes. Na região Sudoeste de Goiás, existem mais de 40 produtores que estão em processo de outorga. “Com isso, a atividade poderá ser explorada comercialmente e em maior escala de forma ambientalmente responsável”, diz.

Wanderson explicou ainda qual é o propósito e como funciona o programa Sebrae Brasil Original, que dá destaque ao ramo do artesato. O diretor lembrou que cerca de 20 artesãos goianos das cidades de Goiânia, Pirenópolis,
Olhos D´Água, Rio Verde, Jataí, dentre outras, puderam expor e comercializar suas peças para o público da Tecnoshow. O programa Brasil Original é um projeto concebido pelo Sebrae-GO para aproveitar os grandes eventos de visibilidade nacional e internacional como forma de estimular o desenvolvimento do artesanato brasileiro, por meio da inovação, competitividade e acesso a mercados. A estratégia é elevar o patamar de qualidade do artesanato e, ao mesmo tempo, buscar a melhoria da percepção e o valor do artesanato pelo mercado. “Artesãos goianos têm todo o apoio do Sebrae-GO para aprimorar e comercializar suas peças em barro, metais, fios, dentre outras matérias-primas, e expor em eventos locais, estaduais e nacionais, onde o Sebrae-GO tem a possibilidade de montar espaços específicos para o Brasil Original.”

Wanderson disse que o Sebrae-Go tem a oferecer muito ao pequeno empreendedor rural, sobretudo através de ações como planejamento, atendimento e consultorias presenciais, que são algumas das estratégias para atender e levar mais conhecimento ao produtor rural. O Sebrae-GO, afirma, auxilia na capacitação do produtor, seja para uma melhor gestão do seu empreendimento rural, seja para a busca de novos mercados, na comercialização de seus produtos, capacita as pessoas e realiza seminários e rodadas de negócios. Cursos de boas práticas de manipulação de alimentos, programa empreender rural e temas como associativismo e cooperativismo são essenciais na capacitação dos representantes deste segmento, que se utiliza de redes de informação e troca de experiências para que o setor inteiro cresça e tenha relevância econômica. “Além dos cursos, o Sebrae-Go também oferece programas com foco na sustentabilidade, destacando o uso consciente e responsável de recursos naturais”, lembra Wanderson Porgtugal.

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