Recuperados, goianos que tiveram Covid-19 revelam suas experiências com a doença

Pulmões queimando, falta de ar, febre alta por dias e até manchas cobrindo o corpo: sobreviventes do Sars-CoV-2 contam como foi superar o vírus

Sintomas foram experimentados de formas diferentes, mas sofrimento foi o mesmo | Foto: Arquivo pessoal

O corpo humano é a estrutura orgânica mais complexa que existe. Ele é capaz de criar defesas para agentes infecciosos que permanecem ativas para o resto da vida e consegue até expelir, espontaneamente, impurezas e micro-organismos considerados desnecessários para o funcionamento da engrenagem vital. São, literalmente, trilhões de células trabalhando de forma ininterrupta para manter tudo funcionando bem. Porém, basta uma “simples” avaria da natureza, como o surgimento de um novo vírus, para escancarar a fragilidade dessa fantástica máquina orgânica. Desde que o Sars-Cov-2, popularmente conhecido como novo coronavírus, começou a levar ao óbito milhares pelo mundo todo com a temível Covid-19, pessoas de todas as idades, gêneros e classes sociais têm corrido para cumprir as recomendações das autoridades sanitárias e se prevenir desse mal. Mesmo assim, a contaminação de muitos torna-se inevitável – mas o óbito não.

Apesar do exorbitante número de mortes causadas pela Covid-19 nos países, a quantidade de indivíduos que foram infectados pelo novo coronavírus e conseguiram vencer esse inimigo invisível é notavelmente maior, muito maior. Para se ter uma noção, segundo dados da plataforma Bing Covid, da Microsoft, até o dia 29 de abril o mundo tinha quase dois milhões de casos ativos de Covid-19, com 224.708 mortes e 958.353 pessoas recuperadas da doença. São quase 735 mil curados a mais do que mortos.

No Brasil, assim como no cenário global, a coisa não é diferente. Mesmo já contando com uma impressionante taxa de letalidade de 7%, conforme o Ministério da Saúde (MS), o número de mortes é infinitamente menor do que o de vítimas fatais. Até o dia 29 de abril, ainda segundo os dados da Microsoft, foram contabilizados 39.718 casos ativos, com 34.132 recuperados e 5.511 óbitos.

No Estado de Goiás, até o dia 29, 705 casos haviam sido confirmados, com 27 óbitos. E apesar a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), através do boletim epidemiológico, confirmar o descarte de 2.422 casos suspeitos, não há um dado concreto por parte da pasta de pacientes recuperados. Mas que eles estão ali, gratos por terem superado uma das doenças mais terríveis da história moderna, isso estão.

O Jornal Opção falou com alguns dos pacientes goianos que se enquadram como recuperados da Covid-19. À reportagem, eles contaram como foi experimentar o vírus que nasceu na Ásia e, desde então, tem assolado o mundo inteiro. Além dos variados sintomas, que vão desde a perda temporária do olfato e paladar, até o aparecimento de manchas vermelhas pelo corpo inteiro, além da típica tosse e falta de ar, alguns dos sobreviventes do coronavírus têm que lidar com um problema que remédios convencionais não curam, como o preconceito.

“Disseram que eu estava indo em festa e contaminando todo mundo”

Em março deste ano, o diretor de Articulação Política da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e odontólogo Joel de Sant’Anna Braga Filho levou um susto ao descobrir que os sintomas que o estavam afligindo, e que ele julgava se tratar de apenas uma sinusite, eram na verdade de Covid-19.

Joel, que é irmão do secretário de Transportes de São Paulo e ex-ministro das Cidades, Alexandre Baldy, contou que, após uma viagem a Portugal, esteve em São Paulo e após menos de duas semanas, já em Goiânia, começou a apresentar febre e dor de cabeça. O diretor da Alego não se preocupou muito a princípio, e procurou um médico otorrino.“Fui ao médico, mas ele não identificou que era coronavírus, disse que era uma sinusite. E como eu já tinha isso já há algumas vezes, achei que era isso mesmo”, relata.

Para Joel, o temos de uma doença desconhecida era o pior | Foto: Arquivo pessoal

Porém, dois dias após ir ao médico, Joel piorou e teve que ser internado às pressas na emergência do Hospital Anis Rassi, em Goiânia. Ao passar por um exame de tomografia, o irmão de Baldy descobriu que estava com pneumonia dupla. Mas foi só na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), aonde Joel foi levado e ficou por cinco dias, que um exame específico atestou que ele havia contraído o novo coronavírus.

O diretor da Alego conta que jamais experimentou algo parecido. Ele falou sobre o medo que sentiu da doença nova, uma vez que foi um dos primeiros diagnosticados do Estado, e recordou sua experiência numa UTI. “É um lugar frio, assusta. Lá eu comia porque eu sabia que tinha que comer, porque eu sabia que meu corpo precisava disso pra se recuperar. Mas sobre a doença, você nunca sabe se vai melhorar, se vai piorar, porque você não tem um tratamento específico, não sabe o que pode acontecer. Meu maior temor era o desconhecimento da doença”, diz. Além da febre alta (39 graus) e dor de cabeça, Joel revela que chegou a ficar temporariamente sem olfato e sem paladar, e tinha dificuldades para respirar.

Joel passou por um tratamento que durou 30 dias: 12 dias no hospital e 18 em casa, em isolamento. Todavia, mesmo depois de ter afastado todo e qualquer risco de complicações e de ser considerado recuperado, o diretor da Alego destaca as situações de discriminação que teve que enfrentar em razão da doença e do desconhecimento dela por parte das outras pessoas.

Segundo ele, alguns moradores de seu condomínio, por maldade ou ignorância, começaram a espalhar boatos, levando a crer que ele, consciente da enfermidade, havia quebrado de propósito todos os protocolos recomendados. “Disseram que eu estava indo em festa e contaminando todo mundo, sendo que era outra pessoa, não era eu. Falaram também que estava andando no condomínio, indo na área de lazer, mesmo sabendo que estava com Covid, o que não é verdade. Eu não sabia que estava com isso”, afirma. Para ele, “o preconceito é o mais complicado”.

Hoje, Joel pode ser considerado curado da Covid-19. Entretanto, a recuperação da pneumonia dupla que lhe acometeu ainda está em processo, uma vez que é uma doença bastante agressiva. Ele conta que ainda faz uso rigoroso da máscara de proteção, e se isola o máximo possível.

Em uma reflexão, Joel diz que teve sorte de ter uma boa saúde e ter sido atendido por bons médicos, de ter tido a oportunidade de ocupar uma UTI devidamente equipada, mas enfatiza o que é o medo de todos: “Se aumentar muito o grau de contaminação, não vai ter UTI pra todo mundo”.

“Fiquei cinco dias sem paladar e sem olfato”

O empresário Marcelo Trindade, 43, também pode se considerar um vencedor da Covid-19. Morador de Goiânia, Marcelo conta que, no dia 23 de março, decidiu se submeter ao teste que detecta o Sars-CoV-2, após apresentar sintomas como dor no corpo, nos olhos, dor de cabeça e dificuldade para respirar.

Após cinco dias, veio a confirmação de que ele estava com Covid-19. O empresário revela que se recorda, inclusive, do momento em que acredita ter contraído a doença. “Eu estava nos Estados Unidos e fui almoçar com uma pessoa. E lembro que ela espirrava e tossia muito. Acho que foi dela que peguei”, conta.

Marcelo revela que algumas pessoas ainda o evitam | Foto: Arquivo pessoal

Todavia, mesmo após testar positivo para a doença, Marcelo não foi internado. Ele relata que alguns sintomas foram relativamente leves e que nem chegou a ter febre, já outros deixaram sua marca, como a perda temporária de alguns sentidos. “Fiquei cinco dias sem paladar e sem olfato. E também tinha um pouco de dificuldade para respirar. Minha respiração foi bem atingida, ardiam meus pulmões, as vias respiratórias, tudo”, relembra.

Marcelo atribui os sintomas pouco agressivos, em relação aos tipicamente descritos, ao uso de hidroxicloroquina reuquinol, medicamento que havia sido receitado por sua médica dermatologista dias antes de sua viagem aos EUA em razão de problemas no couro cabeludo. O medicamento, porém, ainda é alvo de polêmica. O Conselho Federal de Medicina (CFM) chegou a divulgar um parecer no qual estabelece critérios e condições para a prescrição de cloroquina e de hidroxicloroquina em pacientes com diagnóstico confirmado de Covid-19, mas enfatizou que, após analisar extensa literatura científica, seu entendimento é o de que não há evidências sólidas de que essas drogas, cujo uso já causou mortes no Brasil e nos EUA, tenham efeito confirmado na prevenção e tratamento da doença.

O tratamento de Marcelo foi todo realizado no isolamento de sua casa. O empresário relata que consumiu muitas frutas, sobretudo cítricas, no tempo em que ficou apartado da sociedade. Ele menciona que sua filha de 12 anos também acabou sendo infectada, tendo que ficar no isolamento. Porém, o caso da menina foi “praticamente assintomático”. “Ela só teve perda do paladar”, diz.

Mesmo curado, assim como Joel de Sant’Anna, Marcelo revela que também sente na pele o preconceito. “Muitos, até hoje, não querem me encontrar”. Ele associa o fato ao medo que as pessoas têm de contraírem o Sars-CoV-2. Para ele, “é falta de entendimento do assunto”.

Após o sufoco, o empresário vincula sua recuperação aos devidos cuidados tomados, e esclarece que seguia à risca as recomendações de isolamento absoluto. Porém, ele também destaca a importância de sua fé em todo o processo. “Eu sou uma pessoa crê muito em Deus, então eu vejo que isso é um propósito para a humanidade. Eu passei a valorizar mais a vida, passei a entender que nem tudo é trabalho, que a gente tem que olhar mais o ser humano”, conclui.

“Só quem viveu o pesadelo que nós vivemos sabe”

Morador de Nova Glória, pequeno município a cerca de 198 quilômetros de Goiânia, Paulo Cândido Belarmino, 55, não se deixou vencer pela Covid-19. Entretanto, seu estado emocional ainda abalado o impossibilita de contar sua história, questão resolvida por sua esposa, Susana de Oliveira Viegas, 49, que narrou à reportagem o pesadelo vivido pelo marido.

A professora da rede estadual conta que o esposo, que é empresário, ainda está muito emotivo. “Foi muito traumático pra ele”, relata. Eles não sabem quando e de quem exatamente Paulo Cândido contraiu a doença, uma vez que, devido ao seu negócio, uma revendedora de automóveis seminovos, Paulo precisa estar em contato frequente com seus clientes.

Os primeiros sintomas vieram no início de março: mal-estar, tosse e dor no corpo. Porém, a possibilidade de o marido ter sido infectado pelo novo coronavírus nem sequer passou pela cabeça de Susana. “A gente nem desconfiou. Quando ele internou na emergência eu pensei que fosse complicação de uma gripe, porque a gente mora aqui, é interior, não tem nem como a gente imaginar que essa doença estaria aqui. A gente vê os noticiários, e pensa que isso está só em cidades maiores”, relembra.

Paulo Cândido teve quer ficar 13 dias em estado de sedação. Na foto, ele e a esposa, Susana | Foto: Arquivo pessoal

O primeiro local de atendimento foi no posto de saúde do município de Nova Glória. Lá, o empresário foi submetido a um hemograma que descartou as suspeitas de dengue. Paulo, então, retornou para casa, onde estava decidido a se recuperar. Mal sabia ele que o pior ainda estava por vir.

Susana relata que três dias após ser atendido no posto de saúde, o marido piorou e medidas mais drásticas precisaram ser tomadas. “O quadro respiratório dele agravou, e ele precisou ser levado às pressas no dia quatro de abril para Ceres. Lá eles fizeram uma tomografia e viram que ele tinha um quadro avançado de pneumonia. Foi aí que a médica suspeitou que pudesse ser coronavírus”, conta. Logo em seguida, Paulo Cândido foi transferido para o Hospital Órion, em Goiânia, onde veio a confirmação da famigerada Covid-19.

Dando entrada no hospital já em estado grave e com grande dificuldade de respirar por si mesmo, o empresário precisou ser entubado e internado em um leito de UTI com isolamento. Susana recorda que o procedimento provocou nela grande confusão, uma vez que ela não entendia o fato de o marido ter sido infectado pelo Sars-CoV-2.

“Eu não sabia que esse vírus tinha chegado aqui [em Goiás]. A gente não sabe direito nem como lidar, porque quando a gente lida com a pneumonia normal, a gente já sabe qual o processo […], mas no caso dele foi extremo, porque ele foi internado e logo sendo entubado, porque não tinha mais condições de respirar. O pulmão dele não estava mais conseguindo”, revela.

Paulo Cândido ficou 20 dias internados, dos quais 13 em estado de sedação. Susana relembra que às vezes o marido acordava em estado de desorientação, mas logo voltava a dormir. No dia 21 de abril, ela recebeu alta e pôde voltar para casa.

O atual estado de saúde do empresário de 55 anos é considerado bom, e ele já entra para as estatísticas de recuperados. Susana diz que o marido ainda está fazendo uso de alguns antibióticos receitados pelo médico. Ela conta que Paulo tem recebido uma alimentação reforçada, com muitas frutas e líquido, e que tem feito exercícios físicos para estimular o corpo, após tantos dias imóvel na sedação. “Hoje mesmo ele saiu pra tomar um banho de sol, dar uma caminhada. Ele está bem mais disposto”, comemora.

Para Susana, ainda é cedo para dizer se o vírus deixou alguma sequela no marido, uma vez que ele ainda está no processo em que “o organismo está respondendo o tratamento feito”. Ela diz que em nenhum momento entrou em desespero, e que sua fé “e as orações dos amigos da comunidade ajudaram muito”. Entretanto, faz um alerta: “Só quem viveu o pesadelo que nós vivemos sabe. Não levem com leviandade, porque não é simples como as pessoas estão pensando, não se pode minimizar o vírus”, arremata.

“Não fiz teste, o Ministério da Saúde classificou o meu caso como paciente de Covid por exclusão de diagnósticos”

Enquanto fala com a reportagem, a jornalista goiana Maria (nome fictício, a fonte pediu para não ser identificada), de 45 anos, pede desculpas enquanto precisa pausar a entrevista repetidas vezes para tossir. Ela está confinada há exatos 14 dias em casa com todos os sintomas da Covid-19, mas o pior é: ela não pôde fazer o teste para confirmar seu diagnóstico.

Maria conta que há pouco mais de duas semanas começou a apresentar os primeiros sintomas. Uma familiar, que é médica, foi até sua casa e informou que Maria apresentava todos os sintomas da doença e mais alguns não tão típicos. “Eu estava evoluindo outros [sintomas] que, segundo ela, eram mais raros. Eu desenvolvi dor de cabeça, dor nos olhos, diarreia, vômito, muita secreção e tosse. E além disso eu manchei o corpo inteiro. Até fiquei meio feliz achando que era dengue, olha que ideia! Mas fiz o teste duas vezes e não constatou dengue”, relata.

A jornalista lembra que procurou tanto a rede pública quanto a privada para ser submetida ao teste que detecta o novo coronavírus no organismo, mas a resposta, nas duas redes, foi só uma: “Nenhum dos dois fazem o teste em paciente fora da UTI. Disseram que eu tinha que buscar um médico para que ele me desse o pedido para o exame”, recorda. Porém, mesmo tendo conseguido o pedido por escrito de sua médica na rede privada. Maria não obteve êxito.

“Todo o material [de testagem] estava sendo direcionado para pacientes de UTI. A informação que a gente recebe nas unidades de saúde é a de que o Ministério da Saúde (MS) recolheu tudo. A sensação que eu tive, sinceramente, é que era só pra ter a causa da morte”, desabafa.

Como não conseguiu realizar o teste convencional, e o teste rápido da rede privada – que tem o custo de R$ 300 – precisava ser feito por três vezes consecutivas para se excluir o resultado de falso negativo, o que seria extremamente dispendioso para Maria, a jornalista ouviu de sua médica que, a solução no caso em questão, era seu isolamento social. E foi o que ela fez.

No dia 29 de abril, Maria completou 14 dias no confinamento domiciliar, e revela que ainda não está totalmente recuperada. Segundo ela, sintomas como tosse, dor de cabeça e vômito ainda são sentidos. A jornalista, que mora em Goiânia com a mãe de 70 anos e o filho de 17, não sai do quarto para nada, e teve que adotar uma rotina digna de Chernobyl para se alimentar sem correr o risco de contaminar os moradores da casa. “Minha mãe colocou uma mesinha pequena na porta do quarto. Ela deixa minha alimentação e bate na porta, ela de máscara e eu também. Eu espero ela se distanciar, abro a porta e pego a comida. Me alimento, vou ao banheiro, lavo a louça, coloco em cima da mesinha e borrifo álcool. Depois que eu borrifo álcool ela recolhe e lava a louça de novo”, descreve.

Na primeira vez que procurou uma unidade de saúde da rede pública, o Cais de Campinas, para tentar fazer o teste, a equipe do cais colheu os dados de Maria e os repassou para o Ministério da Saúde e para a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia. Agora, tanto a pasta federal quanto a municipal entram em contato diariamente, por telefone. Ao completar 14 dias de confinamento, Maria, que também é asmática, conta que o MS a telefonou e, após uma série de perguntas sobre seu estado, recomendou mais dois dias fechada em casa.

“Não fiz teste, o Ministério da Saúde classificou o meu caso como paciente de Covid por exclusão de diagnósticos. Eles entram em contato comigo todo santo dia por telefone, e você tem que responder às perguntas que o médico ou o enfermeiro faz. Não só o Ministério, mas também ligações diárias da Secretaria Municipal. Eu estou sentindo um monte de coisa, mas eu não posso sair porque se eu sair eu posso infectar alguém, sem nem um diagnóstico preciso, então fico esperando. É um absurdo”, finaliza.

A reportagem do Jornal Opção questionou a Secretaria Municipal de Goiânia sobre o protocolo de testagem que está sendo seguido nos cais de Goiânia quanto ao novo coronavírus. Em nota, a pasta informou que “o protocolo do Ministério da Saúde é para que somente pacientes internados sejam testados.

Ainda segundo a nota, a Secretaria “comprou e começou a fazer teste PCR, que possui maior precisão para detectar vírus como o coronavírus em profissionais de saúde e pacientes não internados, desde que estejam sintomáticos e que tenham passado pela avaliação de algum médico das unidades de saúde do município”.

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