R$ 1.000.000.000.000,00

O número deste título é mais facilmente lido por extenso: 1 trilhão de reais. É este o montante de impostos que os brasileiros já pagou este ano. Em troca, serviços públicos sofríveis

Impostômetro em São Paulo: marca de R$ 1 trilhão foi alcançada mais cedo este ano

Impostômetro em São Paulo: marca de R$ 1 trilhão foi alcançada mais cedo este ano

Cezar Santos

Você está satisfeito com os serviços que o poder pú­blico lhe oferece em termos de segurança, educação e saúde? Se você quer que seus filhos tenham uma educação melhor, não terá como fugir: a escola privada será inevitável. Se você quer uma saúde melhor, não terá como abrir mão de um plano privado de saúde. Quanto à segurança, você deverá ter muito cuidado e rezar.

Portanto, a resposta à pergunta que abre esse texto, com certeza, é negativa. Isso para além de um discurso meramente “do contra”, a depender de simpatia ou antipatia pelo partido que está no comando do governo nas três esferas — federal, com o PT de Dilma Rousseff; estadual, com o PSDB de Marconi Perillo; e municipal, com o PT de Paulo Garcia.

Não, nós brasileiros não temos serviços públicos em nível satisfatório em troca dos impostos que pa­ga­mos. E que carga de impostos nós temos!

Pouco depois do meio-dia da segunda-feira da semana passada, o “impostômetro” na cidade de São Paulo registrou que valor dos impostos que pagamos ao governo nas três esferas em 2015 bateu a marca do R$ 1 trilhão — no ano passado, o mesmo valor foi alcançado apenas no dia 10 de julho. Para se ter ideia, 24 horas depois, a marca estava em 1 trilhão e 5 bilhões. Esse montante equivale ao que pagamos em impostos, taxas e contribuições no país desde o primeiro dia do ano. A coisa segue nesse ritmo.

Como funciona o “impostômetro”?

Uma rede automatizada recebe os dados de todo o Brasil e informa os valores em um painel. Criado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, o mecanismo computa os tributos federais, estaduais e municipais e é a­tualizado em tempo real no site.

O que mais pesa na conta é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com 20,09% do total. “O ICMS incide em praticamente tudo que as pessoas consomem”, explica Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo, que mantém um painel da contagem do Impostômetro no centro da capital paulista. Em seguida, vêm a contribuição para o INSS (17,26%) e o Imposto de Renda (16,82%).

Neste ano, nós brasileiros vamos “morrer” com mais de R$ 2 trilhões nos caixas governamentais — no ano passado, o total foi de R$ 1.955,80 trilhão. Esse dinheiro é destinado à União, aos Estados e aos municípios, que deveriam realizar os investimentos em obra, serviços e programas. Mas a maior parte disso é jogada no ralo da corrupção — como mensalões e petrolões —, do desperdício e da ineficiência.

Outro escoadouro de dinheiro público é a escolha de prioridades erradas. Faz sentido, por exemplo, os governos petistas de Lula da Silva e de Dilma Rousseff jogarem bilhões de reais em apoio a ditaduras africanas e cubana e à semiditadura venezuelana? Faz, se esses governos pagarem “comissões” polpudas a lobistas a serviço da máquina petista e para enriquecimento pessoal, como José Dirceu e o próprio Lula da Silva.

“Revoltadas, as pessoas hostilizam autoridades”, diz líder classista

“A opção do nosso governo sempre foi aumentar a arrecadação através de impostos. Quem quer desenvolvimento, produção, emprego, otimiza a arrecadação e o gasto, incentiva o investimento. Mas o que percebemos é o contrário.”

A afirmação é de uma líder classista que sente na pele o arrocho da altíssima carga de impostos no Brasil. Helenir Queiroz, além de presidente da Associação Comer­cial, Industrial e de Serviços de Goiás (Acieg), é empresária de sucesso, proprietária da empresa Multidata Tecnologia. Ela sabe na prática o que é fechar as contas ao fim de cada balanço e o agravante de políticas econômicas equivocadas por parte do governo.

Empresária Helenir Queiroz: “Modelo que gera cada vez mais dependência e pobreza”

Empresária Helenir Queiroz: “Modelo que gera cada vez mais dependência e pobreza”

Em relação à pesada tributação, Helenir diz que o modelo que o Brasil está adotando gera cada vez mais dependência e pobreza, porque está se enxugando o dinheiro que há no mercado, via impostos que são repassados ao governo, sem nenhum retorno pra a sociedade. “Hoje a máquina pública brasileira é irracional, não tem a menor preocupação com produtividade e eficiência.”

A líder diz que a população está enxergando claramente que o governo está aumentando impostos, tirando mais dinheiro dela, sem dar nenhum retorno. Lembra que os governantes criam cargos para atender interesses políticos, o que gera um vácuo de serviços que a população demanda.

“O absurdo dessa situação é que PIB [Produto Interno Bruto] está caindo, mas a arrecadação está aumentando. Aumentou o imposto sobre a gasolina, energia elétrica, a metade do custo disso é imposto. São itens que refletem em tudo. Em outras palavras, a máquina pública está tirando dinheiro da população. E o pior é que muito mais da metade desse dinheiro é desperdiçado e o povo já percebeu isso”, reclama Helenir.

A presidente da Acieg afirma que o governo erra nas prioridades, por exemplo, quando manda milhões para construir um porto em Cuba, sendo que nossos portos no Brasil, sucateados, geram prejuízos aos produtores. Segun­do ela, alguns iluminados se reúnem e sem a menor sem-cerimônia tomam decisão sobre o dinheiro suado da população.

Ela afirma que não é diferente no Estado ou no município. “Um exemplo em Goiânia: alguns iluminados se reuniram e decidiram que tínhamos que ter o primeiro túnel na capital. Certamente agora vão construir uma montanha em cima desse túnel, mas o túnel já temos. Olha o desperdício de dinheiro, com tantas coisas que precisam de recursos.”

Ela dá outro exemplo no prédio novo do Tribunal de Contas do Estado e pergunta: qual é o valor agregado disso para a população? “Se pelo menos o TCE evitasse o uso irracional do dinheiro público, a gente até poderia dizer ‘vale a pena’. Se fosse assim o Tribunal de Contas dos Municípios já teria percebido há muito tempo o problema da merenda escolar (na rede municipal de ensino) que veio à tona agora”, lembra.

Essa situação, segundo Helenir Queiroz, está criando um clima muito ruim no País. “Os políticos e governantes ainda não se deram conta de que a população, à medida que percebe os abusos, vai criando um ódio surdo, uma raiva contida, que está começando a explodir em fatos como as recorrentes hostilidades contra autoridades do governo federal. A última delas, há poucos dias, com o ministro Miguel Rossetto (petista do Rio Grande do Sul, secretário-geral da Presidência), que foi vaiado num voo, os passageiros todos se levantaram para hostilizá-lo.”

Essa mágoa, essa raiva — diz Helenir — que as pessoas estão sentindo do governo, dos políticos e gestores públicos, está vindo à tona. “Eles não estão percebendo que a população está cada dia mais informada e pronta para aplaudir quem é sério, mas também para hostilizar quem não é. Vamos assistir cada vez mais cenas como essa do ministro Rossetto e do ex-ministro Guido Mantega (PT-SP), que já por duas vezes foi hostilizado em locais públicos.”

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Eurânio Batista Alves Batista

Com esta administração que estamos vendo aqui no Brasil, não podemos esperar nada que presta. A metade de nossa receita evapora no ar, e o resto estão pagando salários mensais de até 125.000,00 para muita gente dos Tribunais, Procuradores, Conselheiros, e outros cargos públicos do Governo Federal e Estadual, enquanto muitos coitados em nosso Brasil ainda tem sorte em ganhar um salário minimo. É uma vergonha ou não é? É certo uma pessoa que contribui com a previdência sobre 7 salários minimo e receber de aposentadoria hoje menos de dois?

Santos Van

Demorou para acontecer. Depois de anos em que a Associação Comercial de São Paulo divulga em praça pública os números do impostômetro, uma estimativa em tempo real da arrecadação de tributos no País, no início de junho apareceu uma resposta, o sonegômetro, uma igualmente estimativa de quanto se sonega de tributos. De acordo com o estudo “Sonegação no Brasil – Uma estimativa do desvio da arrecadação”, do Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional, a sonegação chegou a R$ 350 bilhões em 2011 no País, o que corresponde a 24% do total da arrecadação federal, estadual e municipal e 8,4% do… Leia mais