Quem topa o sacrifício?

Reuniões com presidentes do PSDB, PTB e PSD e com os pré-candidatos desses partidos têm resultado unânime: unir, sim, mas quem será o ungido?

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Luiz Bittencourt (PTB), Giuseppe Vecci (PSDB) e Francisco Júnior (PSD), os três pré-candidatos da base aliada governista: a melhor saída seria que dois deles abrissem mão de ir para a disputa | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Afonso Lopes

A depender das pesquisas de momento, a única coisa realmente sensata que a base aliada estadual pode fazer é unir todas as suas forças em uma só candidatura. O Palácio das Esmeraldas tem se empenhado nesse sentido, mas até sexta-feira, 29, o quadro permanecia como sempre esteve: uma só base estadual e uma porção de candidaturas a prefeito de Goiânia.

Ao contrário do que quase sempre ocorre nessas operações de união de candidaturas, as discussões estão acontecendo em clima ameno. Inclusive quanto ao fato de que todos reconhecem que a fusão de todos os nomes em um só candidato é a melhor solução diante do quadro que aí está, principalmente após a anunciada aposentadoria de Iris Rezende, que era o candidato a ser batido. Candidatos e presidentes dos partidos envolvidos diretamente, PTB, PSDB e PSD concordam com a tese da unidade. O problema é escolher quem deve ser o escolhido para representar a todos. Luiz Bittencourt, Giuseppe Vecci e Francisco Júnior estão plantados em suas candidaturas. O resultado é um grande impasse que pode ser resolvido ou não durante a semana. Até porque não resta mais tempo.

Vanderlan
Até a possibilidade de os três candidatos abrirem mão para todos se unirem em torno de Vanderlan Cardoso, do PSB, foi discutida. O problema aí é que Vanderlan não é um político agregador. Ele quer o apoio, mas não se compromete com a base. É óbvio que isso seria uma rendição incondicional e não uma composição política.

Essa forma de fazer política já causou o esvaziamento da força eleitoral de Vanderlan em 2010 e, especialmente, em 2014. Como não agrega antes e perde espaço depois, o candidato do PSB costuma se desidratar durante o processo eleitoral. O PMDB e seus aliados, DEM, SD e PRP, também tentaram se aproximar de Vanderlan, mas ele realmente não ajuda, apesar da boa vontade de todos. É como se ele acreditasse que pode ganhar as eleições com ou sem apoios.

Uma forma de resolver paradas político-eleitorais tão complicadas como essa que se vê na base aliada estadual é a decisão de cima para baixo. E a única pessoa com força suficiente para fazer algo assim é o governador Marconi Perillo. Mas se depender de um gesto como esse, as candidaturas vão seguir com vida independente até o final. O governador sabe que se forçar a barra ficará apenas uma candidatura, mas ele sabe também que isso não significaria união ou unidade. Ao contrário, os preteridos cruzariam os braços, sem se comprometer com o objetivo comum a todos.

Alvo é 2018
Do ponto de vista de 2018, a situação do governo é tranquila nas eleições municipais deste ano. Recentemente, um cálculo feito por analistas palacianos concluiu que o PMDB poderá até manter a Prefeitura de Aparecida e recuperar Catalão nas sempre muito disputadas eleições da cidade, mas certamente ficará sem espaço em Goiânia. O PT tem chance de vencer em Anápolis com o prefeito João Gomes, mas também perde Goiânia.

Se o quadro pintado para 2018 é assim, por que se dá tanta importância à disputa na capital? Por causa de todo o simbolismo e pelo efeito psicológico que se obtém com uma vitória em Goiânia. Pode até não ter grande significação eleitoral, já que o goianiense gosta de pulverizar os votos, mas sempre conta muito. Ao se reeleger com expressiva votação já no primeiro turno, em 2008, Iris Rezende se tornou imediatamente o principal nome do PMDB para a sucessão estadual de 2010. É esse tipo de situação que está em jogo, e também é aí que a situação dentro da base aliada se complica para desenvolver naturalmente e sem problemas de ego a tese da união de candidaturas. Será que ainda da tempo de unir? l

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