Quem passará pelo funil da oposição

Os dois nomes mais cotados atualmente são os do senador Ronaldo Caiado, do DEM, e do deputado federal Daniel Vilela, do PMDB. Maguito pode surgiu como “tertius”?

Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Maguito Vilela: a foto pode ser repetida em 2018? | Foto: reprodução

O principal grupamento de oposição ao grupo governista liderado pelo governador Marconi Perillo estartou o processo de afunilamento das candidaturas para 2018 muito cedo. Normalmente, isso vai sendo tocado em banho-maria durante todo o ano e pega maior embalo por volta de novembro e dezembro. Desta vez, desde meados do ano passado o deputado federal Daniel Vilela, presidente regional do PMDB, e o senador Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM, jogam seus dados políticos para tentar se firmar no horizonte desse grupamento. Não é uma disputa qualquer. Envolve nada menos que dois presidentes de partido.

Exatamente por envolver, digamos assim, gente muito grande na ordem do dia, é totalmente imprevisível qualquer resultado que possa sair daí. Inclusive contando com a possibilidade, neste momento bastante remota, de ambos serem atropelados por um terceiro cogitado, o ex-governador, ex-prefeito de Aparecida de Goiânia e pai de Daniel, Maguito Vilela.

Trunfos – Dentre os três, ninguém tem tanto destaque assim em relação aos concorrentes quando se usa a balança política para pesar as chances de cada um. Daniel conta, evidente e naturalmente, com bom apoio dentro do PMDB que não segue a liderança do prefeito Iris Rezende, de Goiânia. Já Caiado é o aliado mais poderoso de Iris e dos iristas.

Maguito, nesse ponto, apenas assiste ao jogo que está sendo jogado, sem dar muita atenção para a bola. Até aqui, ele nem formalizou seu apoio à pretensão do filho e herdeiro. Sobre esse assunto, Maguito disse apenas que se Daniel for o candidato do PMDB ao governo do Estado, ele não disputará nenhum cargo em 2018. Aliás, ele havia anunciado sua aposentadoria às vésperas do encerramento de seu segundo mandato como prefeito de Aparecida, o que faz da frase anterior um esquema enigmático: se está aposentado, ele não será candidato mesmo que o filho dele não seja também. Ou então a tal aposentadoria é mas poderá deixar de ser em seu devido tempo.

Fora os apoiamentos necessários à qualquer candidatura competitiva, Caiado e Daniel tem méritos e problemas que, embora completamente diferentes, terminam por “empatar” a disputa entre eles. Pelo menos, até aqui. Não se pode dizer, portanto, que dentro de seis meses esse equilíbrio será mantido ou se um deles conseguirá se desgarrar um pouco mais.
Caiado é um nome muito mais consolidado no eleitorado estadual. Sua primeira candidatura foi em 1989, na primeira disputa presidencial com voto direto, após a abertura do regime instalado em 1964. Não foi bem nessa estréia, mas marcou posição. Até por um certo radicalismo de ideias. Ele é um liberal e faz absoluta questão de manter essa coerência até hoje. Para seus inimigos, Caiado é apenas um direitista prepotente e que exata conservadorismo. É certo que ele se identifica, sim, com a direita do sistema, mas está muito longe de ser um cidadão à moda antiga. É um médico de gestos educados, que sabe se portar socialmente. Só volta a ser o político agressivo que é quando começa o debate político.
Daniel ainda é um político em formação dentro do que se refere ao eleitorado. Ele é muito menos conhecido do que Caiado, por exemplo. Inclusive dentro do próprio PMDB. Começou carreira como vereador, se elegeu deputado estadual e subiu para a Câmara dos Deputados já na terceira eleição que disputou. Por enquanto, tem uma carreira inegavelmente vitoriosa. Mas existe uma dúvida se essas eleições não foram muito um substrato do pai famoso ou se foi apenas pelo seu próprio tamanho político. A primeira hipótese não tem como ser descartada.

Olhando assim, essas condições, que em tese são negativas, podem ser armas importantes para ele se usadas de forma adequada e inteligente. O fato de ser pouco conhecido significa que o PMDB estaria se renovando, mudando a cara do candidato. Ou, até mais do que isso, (e sem qualquer provocação, mas apenas como fator de detalhamento da ideia), Daniel é o único dentre os três que pode trabalhar a imagem de ser ele o “tempo novo” do PMDB. É claro que algo assim teria que passar antes por exaustivos testes em pesquisas qualitativas. O eleitor de 2018 não tem o mesmo perfil de 1989, quando surgiu o “tempo novo” original, de Marconi Perillo.

Já o veterano Maguito Vilela dispensa apresentações. Ele liderou o governo peemedebista mais popular da história do partido em Goiás, batendo com muita folga mesmo os melhores momentos de Iris Rezende. Ninguém que siga a política estadual tem qualquer temor em afirmar que se ele tivesse disputado a reeleição, em 1989, venceria com muita facilidade qualquer adversário. E ele só não foi candidato a mais quatro anos como inquilino no Palácio das Esmeraldas porque foi derrotado dentro do PMDB por Iris Rezende, seu antigo padrinho. Por mais incrível que isso possa parecer, o atropelamento da candidatura de Maguito foi consequência de sua enorme popularidade.

Mas qual seria o caminho para a candidatura, mais uma vez, de Maguito ao governo do Estado em 2018? Como “tertius”, aquele que está sempre ao lado da disputa e de repente se transforma em solução para o impasse/empate. O caminho de Maguito é esse tortuoso labirinto político cuja porta de saída é ele se transformar na única candidatura capaz de pacificar o partido.

Diante de tantas questões e lances políticos que ainda vão ser feitos, é mero palpite dizer que o candidato será este ou aquele. Aliás, não se pode descarta nem mesmo a possibilidade de um quarto nome.

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