PMDB terá candidato à Presidência?

Prefeito do Rio, presidente da Câmara dos Deputados e vice-presidente da República despontam como nomes do partido para a disputa

Eduardo Paes (foto maior), Eduardo Cunha e Michel Temer: peemedebistas mais em evidência para pleito nacional | Fotos: veja/abril/Lula Marques/Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Eduardo Paes (foto maior), Eduardo Cunha e Michel Temer: peemedebistas mais em evidência para pleito nacional | Fotos: veja/abril/Lula Marques/Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Cezar Santos

Maior partido do País em número de filiados, o PMDB está sem lançar candidato próprio à Presidência da República desde 1994. A última vez que a legenda lançou nome próprio à sucessão presidencial foi em 1994, quando Orestes Quércia ficou apenas na quarta colocação, com 2,7 milhões de votos. Mas, parece que uma parte do comando peemedebista entende que chegou a hora de mudar. É dado como certo que o PMDB vai anunciar, no congresso nacional da sigla marcado para agosto, que terá um nome próprio disputando a Presidência em 2018.

A informação foi confirmada ao site Congresso em Foco, há duas semanas, pelo líder do partido na Câmara, deputado Leonardo Picciani (RJ). Segundo ele, prevalece na sigla o entendimento de que essa decisão é inadiável. “Esse é um ponto pacífico dentro do partido, de unidade interna. O PMDB precisa – até por razões de manter o partido unido, grande – ter um projeto próprio depois de 24 anos. Acho que agora está maduro este momento.”

É mais uma confirmação de que o governo de Dilma Rousseff está de mal a pior. Até o PMDB, que há mais de duas décadas se limita a ser linha auxiliar de quem ganha o poder, obtendo largos benefícios políticos e financeiros para seus líderes através de cargos e domínio político regional, que lançar candidato. É o mais inequívoco sinal de que o partido percebe possibilidade de ganhar o poder no vácuo do petismo, que está fazendo o pior governo da história republicana.

Não é de hoje que alguns líderes insistem na necessidade de candidatura própria, mas ficam isolados. Há dificuldade de unificar a legenda em torno de um nome. Agora, há pelos menos três peemedebistas que podem, em tese, conseguir essa unificação. Não por acaso, os três estão ganhando destaque nacional. São eles: Eduardo Paes, prefeito do Rio; Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados; e Michel Temer, vice-presidente da República e articulador político do governo Dilma.

A hora será em 2018, dizem lideranças peemedebistas, por causa do desgaste que certamente o PT enfrentará chegando a 16 anos no comando do governo federal. Lembrando que Dilma Rousseff já teve enormes dificuldades para se reeleger. E Lula também sofre o desgaste ético que o PT enfrenta na corrupção do mensalão e do petrolão. O PT não tem outro nome, dizem os peemedebistas.

Os nomes

O partido não tinha nomes, agora tem. O prefeito Eduardo Paes desponta como favorito dentro do partido. O problema é que ele tem pouco trânsito no partido. Recente reportagem de O Globo anotou que líderes nacionais do PMDB dizem que, se quiser ser candidato, Paes terá que trabalhar internamente, buscar apoio, conversar. Outras fragilidades de Paes: “imaturidade” e discurso “belicoso”.

Além disso, Paes depende do sucesso da Olimpíada, em 2016, para viabilizar eventual candidatura.

Michel Temer também é citado como possibilidade, mas sua eventual candidatura está atrelada ao sucesso do governo Dilma. E aí, outro problema, porque se Dilma conseguir se recuperar, o que é muito difícil mas não impossível, o PT terá facilidade para emplacar um nome nadando de braçada na discurso de continuidade, o que esvaziaria uma candidatura peemedebista atrelada ao governo petista. Pessoas próximas a Temer afirmam que ele não tem pretensão de candidatura, mas que ele também não pode descartar a possibilidade.

Já Eduardo Cunha — anota a reportagem —, teria dificuldade, segundo integrantes do PMDB, devido a conflitos assumidos com trabalhadores, como o projeto que regulamenta a terceirização para atividades-fim, e com o movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis). Ele é contra, por exemplo, a união homoafetiva. O presidente da Câmara teria o apoio, no entanto, de evangélicos.

“Agora temos nomes”, dizem peemedebistas goianos

Dois deputados peemedebistas goianos, um federal e um estadual, querem candidatura do partido para a Presidência da República em 2018. Daniel Vilela e Adib Elias dizem que isso fortaleceria a sigla e destacam que, agora, o partido tem nomes com potencial para “chegar lá”.

“Está na hora de o PMDB lançar candidato à Presidência. E o partido está criando quadros com potencial para disputar de forma competitiva. Esse era o grande problema nosso: a ausência de nomes para disputar. Lá atrás tivemos o Garotinho (RJ), que era contestado internamente. O Germano Rigotto (RS) também, apesar de ser governador do Rio grande do Sul, não tinha protagonismo dentro do partido, tanto que acabou não se reelegendo”, diz Daniel Vilela, deputado federal.

Deputados Daniel Vilela: o PMDB precisa disputar a Presidência / Fernando Leite/Jornal Opção

Deputados Daniel Vilela: o PMDB precisa disputar a Presidência / Fernando Leite/Jornal Opção

Segundo Daniel, hoje é diferente. “Temos o Eduardo Paes, o prefeito (do Rio de Janeiro) mais importante do partido, bem avaliado pela população de uma cidade que vai ser sede de Olimpíada. O próprio deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, que assumiu um protagonismo nacional e parcela expressiva da sociedade está satisfeita com o trabalho dele”, afirma, destacando que a presença de nomes fortalece a discussão interna no PMDB no sentido de lançamento de candidatura.

O deputado estadual Adib Elias faz um histórico, lembrando que o PMDB é o maior partido do País, com maior capilaridade, e mesmo assim, nas últimas cinco eleições presidenciais, não teve candidato próprio. “Nós peemedebistas não conseguimos explicar como um partido desse é rabeira de qualquer outro partido. Por isso, eu considero que o PMDB corre risco muito sério de extinção se continuar nesse caminho de não ter candidato próprio.”

| Foto: Edilson Pelikano

Adib Elias lembra que o governo Dilma perdeu apoio popular e partidário | Foto: Edilson Pelikano

Felizmente, diz Adib, percebe-se nas discussões atuais, que o PMDB está definindo que vai ter candidatura a presidente da República. “Então, vejo que nosso partido está mudando essa rota de ser apenas linha auxiliar dos outros. Parece que estamos voltando ao caminho normal do partido, cuja história é de muitas lutas e glórias.”

Sobre nomes, Adib fecha o foco em dois: Eduardo Cunha e o vice-presidente Michel Temer. “Michel quer ser presidente. O Eduardo Cunha, pelas suas atitudes na Câmara, pode despontar também. E ele tem outro fator, pois é evangélico, que representa um eleitorado em torno de 20% do total. O PMDB tem esses dois nomes muito viáveis”, acredita Adib Elias.

E quanto ao discurso a ser adotado pelo PMDB? Daniel Vilela diz que vai depender do que o partido quer, considerando o desempenho do governo Dilma, já que ela corre o risco de ser impedida. “Não podemos agora precipitar uma avaliação de governo. Até não acredito que Dilma consiga reverter a situação difícil de sua gestão, mas é preciso levar a possibilidade em consideração.”

Segundo ele, no momento apropriado, depois das eleições municipais, em 2017, o PMDB terá de se posicionar. “Aí se de fato, for para uma candidatura antagonista ao atual modelo de governo, então terá de entregar os cargos que tem neste governo. Se não fizer isso, não teremos coerência e credibilidade junto à população. O PMDB terá de fazer a escolha e não dá para fazer isso apenas no momento da eleição, porque aí não se descola da imagem do governo. Se a opção for pelo discurso de oposição, temos de ter um tempo hábil para construir esse discurso.”

O estadual Adib Elias lembra que o governo Dilma é muito fraco e ela perdeu apoio popular e partidário. Nesse caso, o PMDB tem de voltar a suas origens e mudar seu discurso. “A política do governo não deu certo e o PMDB tem o direito de mudar, de falar a linguagem do povo e trazer alegria para a Nação. Se o partido embarcou num projeto que não dá certo, tem de refazer.”

Mas, e os cargos? Adib diz que o PMDB terá de entregá-los se partir para um rumo diferente do que o governo petista está trilhando. “Não dá para participar de um projeto no qual não se acredita, por isso, os cargos terão de ser devolvidos.”

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