Pequenos negócios são aprimorados quando o empresário se torna MEI

As vantagens de ser um microempreendedor individual vão desde sair da informalidade a impostos mais baixos

Com a ajuda do Sebrae, o pequeno empresário pode se registrar como MEI e, assim, passar a usufruir dos vários benefícios | Foto: Reprodução

Empreender no Brasil é um desafio e tanto. Segundo um relatório de 2018 do Banco Mundial, as principais dificuldades para quem se aventura nesta área são impostos altos e burocracia. Em um ranking que mede a facilidade de se fazer negócios em 190 países — disponível no relatório em questão —, o País ocupa a 125ª posição — duas abaixo da edição anterior —, atrás de países como Tajiquistão, Uganda e Papua Nova Guiné.

Contudo, há a possibilidade de descomplicar um pouco esta situação quando um empresário se torna Microempreendedor Indivi­dual (MEI). Dessa forma, ele fica isento de tributos federais e passa a pagar um valor fixo mensal conforme segmento de atuação e legislação vigente, além de ter o seu negócio devidamente regularizado, ou seja, sair da informalidade.

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Goiás (Sebrae-GO) é um dos meios pelo qual o empreendedor pode se registrar como MEI. O Jornal Opção conversou com pequenos empresários que são ou já foram MEI e obtiveram ajuda do Sebrae-GO para aprimorar seus respectivos negócios.

O Coma Bem e Saudável, bistrô gourmet de alimentos saudáveis localizado em Goianésia, serve comida por quilo

Exemplos
Elder José de Souza, proprietário do Coma Bem e Saudável, um espaço gourmet de alimentos saudáveis localizado em Goia­nésia, é MEI desde o início do negócio, três anos atrás. A princípio, a ideia era fazer entrega de marmitas a domicílio. Hoje, o delivery deixou de ser realizado, mas, com a expansão do empreendimento, há um espaço físico com comida por quilo.

O empresário conta que sempre teve a intenção de transformar o negócio em uma empresa sólida e, por isso, decidiu se tornar MEI. Para ele, a regularização e um pagamento de impostos mais acessíveis são as principais vantagens. “Seria difícil pagar um imposto alto em uma empresa pequena, que não tem lucro tão grande.”

Além disso, ressalta Elder, foi adquirida por ele uma maior noção de administração. E isso se deu em virtude do Sebrae-GO, que o ajudou por meio de cursos e no registro da marca. “Sempre que preciso, recorro a eles, que estão presentes me apoiando”, frisa.

Após se tornar MEI, José Aleixo Bernardo relata que seu negócio melhorou | Foto: Reprodução

Josélio Aleixo Bernardo, dono da Eletrônica JM, empresa de Jaraguá especializada na manutenção de antenas parabólicas, é MEI desde 2009, quando ainda trabalhava em casa — a loja foi aberta dois anos depois.

“Prestava serviço em uma loja e me exigiram nota fiscal. Foi aí que resolvi ir atrás do Sebrae-GO para me tornar MEI”, relata Josélio. Segundo ele, as orientações e treinamentos da instituição se mostraram importantes e vantagens obtidas a partir daí foram inúmeras. “O negócio foi só melhorando. Aprendi a organizar caixa, por exemplo. Conhecimento, hoje, é a base de tudo.”

Paulo Batista de Sousa trabalhou durante 20 anos na informalidade. Foi só em 2016 que ele decidiu se regularizar e se tornou MEI. Seu empreendimento é a Auto Capas Ferrari, de Goiânia, especializada na fabricação de tecidos, acessórios, capota de caminhonete, bancos de couro e adaptação de banco, entre outros.

Com a ajuda do Sebrae-GO, a Auto Capas Ferrari aumentação a sua demanda de trabalho em 80% e já prestou serviço a grandes empresas, como a Triunfo e a Belcar | Foto: Divulgação

A razão pela qual Paulo optou pelo registro como MEI, de acordo com ele, era a falta de informação de qualidade que tinha à época. “Com a formalização, a demanda foi aumentada em pelo menos 80%. A empresa passou a conquistar respeito e ganhar espaço no mercado”, pontua.

Com o Sebrae-GO, o pequeno empresário recebeu orientações e adquiriu mais sabedoria no tocante à administração e a investimentos. A Auto Capas Ferrari já prestou serviços a grandes empresas, como a Triunfo e a Belcar.

Em 2002, Fábio Vieira dos Santos inaugurou, em Goiânia, o Salão do Fabão, uma barbearia voltada para o público masculino. Mas fazem apenas oito anos que ele atua como MEI. “Ouvia falar que o MEI abria a mente e ajudava muito as pequenas empresas”, diz.

Salão do Fabão: Barbearia voltada para o público masculino | Foto: Divulgação

Entre os serviços oferecidos pelo Salão do Fabão estão tratamento de cabelo e barba. Ademais, está disponível aos clientes uma área de lazer, com mesa de sinuca, TV, fliperama e um bar, além de revistas e jornais.

Segundo Fábio, o Sebrae-GO dá a oportunidade para os empreendedores crescerem. “As consultorias e os cursos de aprimoramento ajudaram muito na evolução e crescimento do salão.”

Tetê Ribeiro: “Não basta só ganhar dinheiro. É necessário planejamento, ações de melhoria e avaliação constante dos objetivos alcançados” | Foto: Divulgação

A jornalista Tetê Ribeiro faz consultoria educacional para crianças, pais e escolas e tem uma empresa de assessoria e consultorias em comunicação chamada TtEducom. Ela é MEI desde 2011 e diz ter escolhido esta opção por ser uma maneira de formalizar o seu negócio e desenvolver projetos com diversos clientes — tanto públicos quanto privados.

“Além de emitir nota fiscal, o MEI garante outros benefícios, como auxílio-doença e licença-maternidade”, comenta Tetê, que já participou de vários cursos online e presenciais do Sebrae-GO. “Não basta só ganhar dinheiro. É necessário planejamento, ações de melhoria e avaliação constante dos objetivos alcançados.”

Foi durante uma viagem a Londres, em 2015, que João Couto e Ademar Neto tiveram a ideia de abrir um empreendimento no Brasil. A Bubble Bike, como é chamada a empresa, tem como carro-chefe o Egg Waffle, uma massa esférica a base de ovo recheada com sorvetes — muito popular nas ruas de Hong Kong e Macau, duas províncias autônomas da China.

Na Inglaterra, eles tiveram o primeiro contato com este tipo de doce, na barraquinha de um chinês no distrito londrino de Shoreditch. Quando voltaram ao Brasil, decidiram fazer testes para adaptar o Egg Waffle ao paladar do brasileiro em uma feira temporária em Florianópolis, onde, de acordo com Ademar, o ramo do empreendedorismo é melhor devido ao público ser mais aberto a novas ideias.

Pioneira no Brasil, a Bubble Bike tem lojas em Rio Verde, Jataí e Goiânia | Foto: Divulgação

Entretanto, foi em Rio Verde, sua cidade natal, que o negócio decolou de vez. “Pensei que em Goiás o público seria mais fechado, mas a aceitação aqui acabou sendo melhor do que em Florianópolis”, revela. Ademar já era MEI quando iniciaram o projeto na cidade catarinense. A Bubble Bike evoluiu e, atualmente, é uma Microempresa. “Ser MEI ajudou a empresa a crescer e a se regularizar.”

Pioneiros em todo o País, Ademar e João buscaram consultoria do Sebrae-GO desde o princípio e fizeram cursos de como lidar com a concorrência e de planejamento estratégico e financeiro, haja vista que a intenção sempre foi expandir. Além de Rio Verde, a Bubble Bike já tem duas outras lojas — em Jataí e em Goiânia — e o objetivo futuro é abrir unidades até mesmo em outros países.

Semana do MEI será realizada de 14 a 19 de maio

Igor Montenegro: “As equipes estão a postos para realizar o atendimento” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O Sebrae-GO realiza, de 14 a 19 de maio, a Semana do MEI, que conta com programação em mais de 100 cidades goianas. Os microempreendedores individuais ouvidos pelo Jornal Opção vão estar presentes e demonstraram animação com o evento, que será uma oportunidade de aprendizado e para fazer networking.

Diretor-superintendente do Sebrae-GO, Igor Montenegro sublinha que o empreendedor goiano tem atuado de forma incisiva e inovadora para transformar a sua vida, de seus pares e de todo o Estado. Ele cita números Portal do Empreendedor, do governo federal, segundo os quais o Brasil já ultrapassou a casa dos sete milhões de MEIs. “Em Goiás, são cerca de 300 mil novos empreendimentos com o propósito de desenvolver e fomentar a economia e, com certeza, gerar renda e novas oportunidades de trabalho para os personagens.”

É com base nisto que a entidade vai oferecer, durante a Semana do MEI, serviços de atendimento, oficinas e capacitações gratuitas para todos os que já registraram sua empresa e para os que se interessam em se formalizar. “As equipes do Sebrae-GO e dos parceiros estão a postos para realizar o melhor atendimento à população. Estamos de portas abertas para que todos possam receber o melhor serviço voltado ao apoio e fomento dos pequenos negócios”, enfatiza.

Parceiros
A nível estadual, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação (SED), a Goiás Fomento e o Banco do Povo são os principais parceiros do Sebrae-GO na realização da Semana do MEI, além da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) e do Vapt Vupt Empresarial.

Regionalmente, destacam-se outros parceiros, como prefeituras, secretarias bunicipais, Câmaras Municipais, instituições de ensino, associações comerciais, Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDL), sede regional do Serviço Nacional de Aprendizagem (Senac) e bibliotecas municipais.

Clique aqui e confira a programação completa da Semana do MEI do Sebrae-GO em 2018.

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