O futuro dos deputados sem mandato a partir de 2019

Com motivos variados, alguns políticos deixam a política, enquanto outros podem voltar a disputar cargos

A Assembleia Legislativa de Goiás e a parte goiana da Câmara de Depu­tados contará com novos nomes no próximo mandato, que se inicia em janeiro de 2019. Assim, políticos que estávamos acostumados a associar a alguma das Casas não estarão em exercício legislativo até, pelo menos, a próxima eleição. Alguns já têm planos definidos. Outros, não. Há ainda aqueles que preferem não comentar o futuro, que é cercado de especulações.

As razões para a ausência de mandato são variadas tanto entre os deputados federais quanto entre os estaduais. Há aqueles que disputaram a reeleição, mas não a tiveram garantida por motivos diversos. Também existe uma boa parte que não disputou o pleito por motivos igualmente variados — entre uma simples escolha sabática à tentativa de transição para um cargo diferente.

Federais

Daniel Vilele pode ir para a iniciativa privada ou se candidatar a prefeito | Foto: reprodução

Daniel Vilela foi um dos parlamentares goianos da Câmara dos Deputados que não disputou a reeleição. O presidente estadual do MDB candidatou-se ao governo de Goiás e ficou em segundo lugar no primeiro turno, vencido por Ronaldo Caiado (DEM). Vilela tem dado sinais de que se dedicará à iniciativa privada.

Há quem diga que o emedebista pode ser o nome do partido — ou, quem sabe, de outro, como o PP — para a eleição de 2020 a prefeito. Entretanto, aliados indicam que Vilela pode, na verdade, se resguardar para disputar o governo novamente em 2022. Recentemente, saíram rumores de que o goiano poderia, inclusive, assumir como ministro no governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Heuler Cruvinel descarta candidatura a prefeito de Rio Verde em 2020 | Foto: reprodução

Heuler Cruvinel (PP) é outro que não continua deputado federal em 2019. Como Vilela, Cruvinel se dedicou à candidatura ao governo de Goiás na chapa do emedebista como vice-governador. Com a derrota, o pepista fica sem mandato. Ao Jornal Opção, Cruvinel disse que se dedicará à iniciativa privada e organizará sua vida pessoal. Questionado sobre possível candidatura para prefeito de Rio Verde em 2020, ele descartou: “Pelo menos até o momento, não penso nisso”.

Pedro Chaves (MDB) também não disputou a reeleição e fica sem mandato a partir de 2019, mas será suplente de Vanderlan Cardoso (PP), que, se decidir disputar algum cargo executivo nos próximos oito anos, abrirá vaga para o emedebista no Senado.

Thiago Peixoto não disputou eleições e deve fazer doutorado no exterior | Foto: reprodução

Já Thiago Peixoto (PSD), que era citado como possível candidato a vice-governador na chapa de José Eliton (PSDB), desistiu de disputar as eleições deste ano. Seus rumos futuros ficaram incertos, mas, nas entrelinhas de sua declaração sobre a desistência, ficou subentendido uma possível dedicação a projetos pessoais, como um doutorado no exterior.

O atual presidente do PSDB de Goiás, Giuseppe Vecci, compõe o grupo que buscou a reeleição, mas saiu derrotado nas urnas. Em entrevista ao Jornal Opção, o tucano disse que aproveitará a ausência de mandato para se dedicar aos negócios e que não tem planos para a política. Inclusive, descarta possibilidade de se candidatar a vereador de Goiânia em 2020.

Fábio Sousa (PSDB) também tentou continuar na Câmara dos Deputados, mas não garantiu votos suficientes. Chateado, o deputado já anunciou que sairá do partido por ter se sentido desvalorizado e percebido diferenças ideológicas. Segundo ele, irá, agora, dar aulas e se dedicar à vida pessoal.

Roberto Balestra (PP) é mais um que deixará a política após derrota nas urnas. Ao Jornal Opção, ele disse que cuidará dos negócios de sua fazenda e quer ajudar companheiros com a força que acredita ter conseguido com os oito anos de mandatos.

Sandes Júnior, também do PP, dá volume ao grupo de parlamentares federais que tentaram reeleição, mas não conseguiram. À reportagem, o deputado disse que continua com seus dois programas de rádio, volta a advogar e quer reativar agência de publicidade para atender programas de rádio e TV. “Vou advogar no escritório da esposa do Demóstenes Torres”, disse e reiterou que não pensa mais em política.

O Jornal Opção tentou contato com Jovair Arantes (PTB) e Marco Abrão (PPS), mas os deputados não atenderam.

Estaduais

Isaura Lemos continuará trabalhando junto às suas bases | Foto: reprodução

A deputada estadual Isaura Lemos (PCdoB) disputou cadeira na Câmara dos Deputados. Der­ro­ta­da, acabou ficando sem mandato no próximo ano. Em entrevista recente, Isaura disse que continuará com atividades junto ás suas base. “Continuamos nos movimentos sociais, levantando a bandeira da emancipação da mulher e da luta contra a violência doméstica.”
Marquinho Palmerston (PSDB) disse ao Jornal Opção recentemente que não buscou a reeleição para dar uma pausa na vida política. A intenção do deputado estadual é se dedicar aos negócios. “Foi uma escolha difícil, mas resolvi focar nos negócios que eu e minha família temos em Caldas Novas e que, querendo ou não, deixei de lado durante o meu mandato”, justificou.

Luis Cesar Bueno diz que ainda é cedo para definir o futuro na política | Foto: reprodução

Luís César Bueno (PT) fica sem mandato no próximo ano, pois pleitou o Senado por Goiás e não obteve êxito. Em entrevista ao Jornal Opção, o petista citou a música “Ainda é Cedo”, da banda Legião Urbana. A citação foi usada para responder sobre possibilidade de candidaturas futuras. Segundo ele, por ora, volta ao seu trabalho como servidor público e não tem planos para a política. “É necessário aguardar o desenrolar da conjuntura política em 2019 para decidir”, disse.

A reportagem não conseguiu contato com Daniel Messac (PTB) e os tucanos Jean Carlo e José Vitti. O primeiro, no entanto, já havia dito que desistiu de candidatura para apoiar Henrique César. Jean Carlo é um dos nomes cotados para pleitar a presidência estadual do PSDB. Já em relação a Vitti, há rumores de que possa assumir uma pasta no governo Caiado, além de também ser cotado para disputar a prefeitura de Goiânia em 2020.

Entre os estaduais que buscaram reeleição e não conseguiram, apenas Waguinho (MDB) quis comentar. “Sou produtor rural médico veterinário. Vou me dedicar a isso e estou aberto para o que o partido definir”, disse. Ele também afirmou que está aberto para apoiar Caiado no governo.

Os demais deputados estaduais que saíram derrotados nas urnas na em 2018 não quiseram falar sobre planos futuros ou não foram encontrados, apesar de tentativas. Há, no entanto, rumores de que Lívio Luciano possa ser secretário no governo de Caiado, mas ainda não confirmações.

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