Microempreendedores brasileiros têm capacidade para gerar 12 milhões de empregos

De 8 a 13 de maio, o Sebrae-GO realiza uma série de oficinas, seminários e palestras destinados às pessoas que já são microeemprendedoras ou procuram formalizar seu próprio negócio se registrando como MEI

“Make móvel”, automóvel de Ludmilla Viana (foto abaixo), adaptado para o seu empreendimento

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Em­pre­sas em Goiás (Se­brae-GO), no segundo semestre de 2016, realizou uma pesquisa que constatou o seguinte fato: a maior parte do público atendido pela instituição entre janeiro e dezembro daquele ano era constituída de Microempreendedores Individuais (MEIs). Do total de atendimentos, 55% foram dados aos MEIs, seguidos de 36% dados a Microempresas (MEs) e 9% a Empresas de Pequeno Porte (EPPs). Ao logo do ano de 2016, foi constado que, só em Goiás, havia 238.150 Microempre­en­dedores Individuais devidamente registrados. Estes números indicam que o perfil do Microempreendedor Individual tende a crescer mais a cada ano e que, à medida que ocorre esse crescimento, mais a procura por capacitação, instruções sobre regulamentação e sobre formalização do próprio negócio, junto ao Sebrae-GO, se intensifica.

A fim de dar atenção especial ao MEI, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional) e, por conseguinte, o Sebrae-GO, vêm realizando desde 2010 a Semana do Microempre­en­dedor Individual, que este ano acontecerá entre 8 e 13 de maio. Todavia, antes de darmos destaque à importância da semana dedicada ao MEI, vejamos dois exemplos de microempreendedores radicados em Goiânia.

Exemplos

Ludmilla Viana já pensa em se tornar uma grande empresária dos cosméticos

O Jornal Opção entrevistou Ludmilla Viana, proprietária do Ateliê da Lú, registrada como MEI. O Ateliê da Lú é um microempreendimento desenvolvido por Ludmilla a partir de sua experiência como vendedora de produtos cosméticos, sobretudo maquiagem. Ludmilla adaptou seu automóvel (toda a área do porta-malas) com gaveteiros específicos para a guarda de produtos de maquiagem, cada gaveta contendo compartimentos que facilitam a organização das vendas e a relação com os clientes.Ludmilla diz que, a ideia do “make móvel”, nome que ela dá à invenção, “surgiu quando passei a vender maquiagem de porta a porta, mas sempre estava muito desorganizado. Às vezes, eu ia a bares, festas de família e outros lugares movimentados, e as pessoas me pediam mercadoria e eu nunca tinha, então foi quando veio a ideia do meu negócio.” Ludmilla ainda destaca que, pelo fato de o perfil dos produtos seu trabalho ser principalmente maquiagem, isto é, por ser algo do ramo da beleza, o fator diferencial do seu empreendimento “é o pre­ço, a qualidade no atendimento, a comodidade de entregar em domicilio e agilidade para responder via instrumentos como o WhatsApp e o Facebook.”

Indagada a respeito da importância que o Sebrae-GO teve no pro­cesso de estabelecimento de seu microempreendimento, Lud­milla enfatiza que “foi um grande parceiro. O Sebrae-GO tem me orientando e me auxiliando com cursos para melhorar meu atendimento, minha administração, sem contar que, agora, possuindo um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), tenho mais credibilidade com bancos, empresas e clientes.”

Ludmilla afirma ainda que participará da Semana do MEI, edição 2017, e que as perspectivas futuras para seu empreendimento é a de “possuir uma frota de carros e atender não apenas Goiânia mais o Estado todo”. O plano dela é passar de microempreendedora a uma grande empresária.

Exemplo semelhante ao de Lud­milla é o de Soraia Camargo Cardoso Fonseca, que possui um empreendimento ainda com estrutura domiciliar, relacionado à produção de doces e bolos para pessoas diabéticas. Ela, que está registrada como MEI há aproximadamente três anos, relata que pretende abrir uma loja muito em breve. Segundo ela, quando começou a fazer doces e produtos de confeitaria para diabéticos, já trabalhava com comida, “mas apenas com salgados, vendidos congelados, sob encomenda”. A ideia do microempreendimento apareceu há seis anos, quando Soraia descobriu que era diabética e percebeu “que era ex­tremamente difícil encontrar produtos, sobretudo doces e bolos, para diabéticos no mercado.”

“A partir de então”, completa ela, “eu procurei aprender a fazer esse tipo de produto para meu próprio consumo e da minha irmã, que também é diabética. Aconteceu, porém, de muitas outras pessoas gostarem de meus produtos, e recomendarem para mais gente. Daí comecei a comercializar. Fiquei mais ou menos um ano vendendo, sem muita organização comercial, sem um padrão definido, sem praticamente nenhum auxílio.”

Depois de um tempo, um primo de Soraia a orientou a procurar ajuda do Sebrae-GO. De acordo com ela, o primo a assegurou que, indo ao Sebrae-GO, “eles me auxiliariam a regularizar meu negócio e a estabelecer um padrão de vendas, de produção etc. Daí em diante, procurei o Serviço e gostei muito. Par­ticipei de várias oficinas, que me ajudaram em praticamente tudo. Por exemplo, eu não sabia nem estabelecer os preços certos em cada produto, não sabia sequer vender de forma eficaz. Foi o Sebrae-GO que me ajudou com tudo isso.”

Auxílios do Sebrae ao MEI

Estes exemplos mostram como foi importante a instituição da Lei Complementar nº 128, de 19 de dezembro de 2008, que criou situações favoráveis para que o trabalhador saia da informalidade e possa se tornar um empreendedor legalizado como MEI. O trabalhor que já tem o seu negócio, mas ainda não está formalizado, pode fazê-lo se se enquadrar em algumas características, como: possuir uma empresa individual, ou seja, sem sócios; ter o faturamento médio mensal de até R$ 5 mil; ter no máximo um empregado que receba somente um salário mínimo ou piso da categoria.

Para ser um MEI, o empreendedor precisa que a atividade da empresa se enquadre no Anexo XIII do Simples Nacional e também é necessário não ter empresa em seu nome e não participar de outra empresa como sócio ou administrador, em contrato social.

Indagada pelo Jornal Opção a respeito dos principais serviços que o Sebrae-GO pode oferecer ao MEI, a gerente da instituição, Elaine Moura, disse que “destacam-se os serviços de apoio à formalização, declaração de Imposto de Renda (IR), emissão de boletos da Documentação de Arrecadação Simplificada (DAS) e baixa e/ou alteração de inscrições que possuem natureza burocrática.”

Segundo Elaine, apesar de estas ações poderem ser feitas pelo MEI de forma autônoma, via portal do empreendedor, ocorre que muitos ainda encontram dificuldades para acesso à internet ­ou mesmo ficam inseguros em realizar estes serviços sozinhos e, então, procuram o Sebrae-GO. Além disso, completa, o Sebrae-GO “também oferece capacitações sobre temas relacionados à gestão empresarial, tais como: finanças, vendas, compras, planejamento e liderança.”

Elaine reforça ainda o fato de que o MEI é a categoria mais representativa dentre todas as que compõem os Pequenos Negócios e, por esse motivo, há uma maior prevalência de MEI na busca por capacitação. “No entanto”, diz Elaine, “o fato de que seja frequente que os MEIs estejam empreendendo por necessidade, e, entenda-se por empreendedorismo de necessidade aquela condição que o indivíduo se depara com o desemprego ou com outras situações que o impedem de manter-se no emprego formal e acaba ‘abrindo seu próprio negócio’, implica que esta categoria de empresários necessita de mais acesso à capacitação.”

Semana do MEI

Perguntada ainda sobre qual seria a principal finalidade da Semana do MEI, a gerente do Sebrae-GO, Elaine Moura diz que é “levar aos mi­croem­preendedores individuais a mais vasta gama de informações que se concretizam através de atendimentos e capacitações coletivas.” Para Goiás, em termos gerais, estão previstos para a edição de 2017 da Semana do MEI: 301 capacitações, totalizando 1.140 horas, distribuída por 123 municípios e com cerca de 7.525 pessoas atendidas.

Igor Montenegro: “Estamos focados no desenvolvimento dos micronegócios”

Para Igor Montenegro, Diretor-superintendente do Sebrae-GO, nesta edição da Semana do MEI, o Sebrae, em todo o Brasil, estará ao lado de parceiros (instituições e órgãos federais, estaduais, municipais, entidades empresariais) a postos com suas equipes técnicas para atender todas as pessoas que já formalizaram sua atividade e as que pretendem formalizar. Além do atendimento, diz Montenegro, “realizaremos palestras, oficinas e os órgãos também vão auxiliar o público a formalizar o seu negócio. A semana será bem movimentada e o Sebrae-GO, junto a seus parceiros, vai levar todos os seus serviços aos empreendedores para apoiá-los com informações e orientações que contribuam com o seu negócio, além de ser uma oportunidade para os empreendedores se atualizarem sobre seus benefícios e obrigações.”
Montenegro frisa ainda que “as entidades e instituições não estão medindo esforços para prestar um serviço de qualidade e estar em pontos estratégicos e de fácil acesso para que todos possam participar de uma programação especialmente preparada ao atendimento de todos os interessados em atividades empreendedoras. O Sebrae-GO é parceiro e os empreendedores podem contar com todos os nossos serviços, programas e soluções que são focadas no fomento e no desenvolvimento dos micro e pequenos negócios.”

Igor ressalta ainda que o Sebra-GO “ajuda o MEI a organizar o seu negócio, bem como orienta e assessora todos os empreendedores que já formalizaram ou que tenham o interesse de formalizar a sua atividade, por meio de atendimento, capacitações (cursos, palestras e oficinas) e acompanhamento dentro das empresas por meio de um programa denominado negócio a negócio.”

Completa o Diretor-superintendente do Sebrae-GO que, “em sete anos de existência, o MEI já responde por cerca de sete milhões de novos negócios no Brasil e perto de 300 mil só em Goiás. São números extremamente significativos, pois mudaram a realidade de milhares de pessoas que puderam abrir o seu negócio e que, em certos casos, puderam ofertar mais uma vaga de emprego. Se calcularmos que cada MEI pode empregar uma pessoa, só aí já são perto de 12 milhões de pessoas trabalhando na economia formal”, explica.

Outros impactos positivos que, ao se tornar MEI, os empreendedores receberam foram os seguintes: 75% deles conquistaram melhores condições de negociação junto aos seus fornecedores; 66% aumentaram suas vendas e 40% passaram a vender seus serviços e produtos para outras empresas.

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