Micro e pequenos empreendedores contam com auxílio nos negócios

Crise aponta para necessidade de aperfeiçoamento mais que precisa na gestão empresarial, em suas diversas áreas, para encontrar soluções no mercado

Na hora que o negócio começou a crescer demais, João Pedro precisava de profissionalizar a gestão das finanças | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Na hora que o negócio começou a crescer demais, João Pedro precisava de profissionalizar a gestão das finanças | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Augusto Diniz

João Pedro Ribeiro, de 29 anos, é um daqueles exemplos que a gente tanto ouve falar de buscar uma oportunidade sabe-se lá de onde. Ele se formou em Direito, trabalhou como advogado, foi morar no Chile, mas em determinado momento resolveu voltar para o Brasil. O jovem chegava a Goiânia com uma proposta de emprego que acabou por não dar certo. E agora, o que fazer?

“Comecei a fazer um monte de buscas de empresas lucrativas. Vi empresas de limpeza, de diarista, de cuidadores de idosos, só que nenhuma dessas empresas me atraía. Eu ficava pensando que seria uma coisa que eu não ia gostar de fazer. Então, eu comecei a procurar algo que eu fosse gostar de fazer”, lembra João Pedro.

Foi quando ele uniu um gosto muito evidente a uma oportunidade de negócio. “Eu sempre fui apaixonado em açaí. Eu era referência nisso para os meus amigos: o homem que vive à base de açaí, que come açaí todos os dias, que é louco por açaí, que só fala em açaí, que só pensa em açaí.” E isso foi algo que começou a chamar a atenção de João Pedro como uma chance de criar uma empresa que fizesse algo com o produto, já que seria algo prazeroso de se lidar e conviver como trabalho.

Mas como oferecer uma loja que vende açaí sem ser igual a todas às outras do mercado? João Pedro explica que a proposta era a de criar um diferencial para “cativar” o cliente dele. “Uma das ideias foi um ambiente descolado, um ambiente mais tranquilo, mais intimista.” Aliado a esse espaço desejado, o agora empreendedor pensou em oferecer produtos com nomes próprios da U Açaí: amor, sucesso, liberdade, alegria e harmonia.

“Com isso, que todas as pessoas que entrassem na minha loja estando de bem com a vida ou mal humorada falassem ao menos uma palavra positiva. Ela batia o dedo no açaí e a gente perguntava ‘você quer um harmonia?’. A ideia era passar esse espaço de alegria e descontração.” E assim surgiu em 18 de dezembro de 2014, de uma brincadeira com amigos, a U Açaí. “A ideia da loja já existia e eu não sabia, porque desde 2013 eu brincava com os meus amigos que se eu ganhasse R$ 1 a cada vez que eu tomasse um açaí ou um amigo meu me chamasse para tomar um açaí eu ficaria rico. A ideia já existia e eu não sabia”, conta.

Profissionalização

O negócio começou a dar certo, mas João Pedro precisava melhorar as condições de administrar sua loja. “Eu procurei o Sebrae porque a loja começou a crescer muito. Enquanto era pequeno ainda dava para tocar, não precisava saber muita coisa.” A partir daí, ele precisou de buscar uma assessoria financeira profissionalizada para “continuar no caminho do sucesso” do empreendimento.

Por meio de uma consultoria na área financeira do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Goiás (Sebrae-GO), João Pedro diz que foi então que a U Açaí passou a ter uma visão correta do negócio, tanto do que estava certo e errado quanto o que precisava ser melhorado ou mudado. “A gente não tinha um planejamento muito definido, e o Sebrae nos ajudou a planejar melhor as coisas, desde as compras a pagamentos, aquisição de computadores, móveis. O Sebrae deu uma profissionalização nos nossos processos.”
João Pedro passou, a partir dessa consultoria financeira, a saber quanto ganhava e gastava na loja, com uma melhora significativa no controle das economias da empresa. “O melhor de tudo é quanto eu poderia gastar. Foi identificado que eu fazia uns gastos que estavam fora da minha realidade. O Sebrae me mostrou que eu não podia gastar tanto, eu precisava gastar menos”, descreve.

O recém-chegado ao meio em­presarial aprendeu se readequar à realidade do empreendimento. “Eu fiz uma adaptação rápida dos meus gastos para a viabilidade financeira da minha loja melhorar”, afirma. A U Açaí, que agora tem cinco funcionários, já teve outra realidade. “Quando a gente fez a consultoria do Sebrae, percebeu que o número de funcionários estava muito alto. Tínhamos mais funcionários do que precisávamos. Então, nós diminuímos o quadro de funcionários, o que foi fundamental para diminuir os custos da empresa.”

Perfil de Goiás

João Pedro faz parte de uma realidade em Goiás que representa 97,9% das empresas goianas. De acordo com o perfil econômico elaborado pelo Sebrae em cima dos dados consolidados de 2015, 170.783 empreendimentos goianos são microempresas e 30.618 são pequenas. As médias e grandes chegaram a 4.280 no ano passado.

Além desse cenário, o setor comercial, como é o caso da U Açaí, tem 101,7 mil empresas goianas, com 49,5% da fatia das atividades econômicas do Estado. Os serviços vêm na sequência e acumulam 65.442. A indústria goiana é composta por 35.838 empreendimentos, de acordo com o perfil econômico de Goiás.

Com base nos dados da classificação da atividade econômica da Receita Federal em 2015, o comércio varejista goiano representa 35,4% das empresas em Goiás, com total de 72.948. O Produto Interno Bruto (PIB) do comércio e de serviços, de R$ 65,35 milhões, acumula 52,7% do PIB goiano.

Empregos

Em 2015, o comércio varejista foi responsável por 222.383 empregos em Goiás entre as micro e pequenas empresas (MPE), o que representa 40,55% do total de 548.430 funcionários nos diversos setores da atividade econômica no Estado.

Mesmo com a crise, que, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempre­gados (Caged) do primeiro semestre de 2016, registrou saldo negativo nos postos de trabalho em 21 Estados e no Distrito Federal nas micro e pequenas empresas, esses empreendimentos goianos terminaram os primeiros seis meses do ano na segunda posição, com saldo positivo de 10.513 novas vagas.

Nova identidade visual

Com foco na costura de alto padrão, Reginaldo Ribeiro buscou ajuda para mudar a identidade visual da alfaiataria | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Com foco na costura de alto padrão, Reginaldo Ribeiro buscou ajuda para mudar a identidade visual da alfaiataria | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

A Alfaiataria Costura Perfeita, na Avenida Couto Magalhães, foi aberta por Reginaldo Rodrigues Ribeiro há cerca de um ano e meio. Na hora de começar o negócio, ele pensou que o uso de cores fortes chamaria a atenção de quem passa na frente do local. “Escolhi pintar com amarelo e preto para atrair as pessoas.”

Mas, com o tempo, viu a necessidade de repaginar a loja. No Sebrae, Reginaldo buscou os serviços do Sebraetec em identidade visual para micro e pequenas empresas. “Como eu trabalho com costura de alto padrão, a intenção era achar algo mais fino para a loja.”
Há duas semanas com o projeto pronto, algumas mudanças já começaram a dar resultado. A troca do amarelo com preto pelas cores preto com prata na fachada da alfaiataria renderam elogios e comentários positivos, conta o proprietário.

Aos 54 anos, Reginaldo, que sempre trabalhou com moda, emprega hoje três funcionários diretos e outros três por meio de serviços terceirizados para paletós, calças sob medida e roupa feminina. As outras atividades, como conserto de roupas, são feitas na alfaiataria.
“Todos têm gostado das mudanças adotadas na imagem da loja. O resultado até o momento está dentro do que eu esperava. Eu precisava dar um ar mais chique à alfaiataria”, explica Reginaldo.

Aprimorar gestão de empresas é prioridade em outubro

Como reconhecimento à importância do micro e pequeno empresário para a economia, o Sebrae Goiás realiza em outubro o mês do micro e pequeno empreendedor com uma agenda de atividades, cursos e ofertas para atender às demandas das diversas atividades econômicas goianas e auxiliar no aprimoramento dessas empresas.

O Dia do Micro e Pequena Em­presa é comemorado no Brasil em 5 de outubro, mas o Sebrae afirma que é importante reforçar a importância do micro e pequeno empreendimento com uma agenda de atividades especiais que ocupem todo o mês de outubro. São 44 cursos, com gratuidade em 20 deles, em um total de 718 horas de aulas e atividades.

Além dos cursos, serão realizados 33 palestras sem qualquer cobrança dos participantes, que totalizam 80 horas. Ainda há outras atividades como eventos especiais e a oferta de 49 oficinas, 13 delas gratuitas, com total de 183 horas nessas oficinas. O Sebrae, por meio de seus 11 escritórios regionais e atuação em outros 41 municípios goianos, atuará com agenda especial no mês da micro e pequena empresa em 52 cidades de Goiás.

As capacitações serão realizadas com carga horária total de mais de mil horas, além da oferta de 66 soluções disponibilizadas pelo Sebrae de forma gratuita. As consultorias, que con­tam com subsídio do Sebrae, têm descontos de até 50% em seu custo.

Consultorias

Essas consultorias, por meio do Sebraetec, são realizadas para auxiliar micro e pequenos empresários em sete áreas. São elas propriedade intelectual, sustentabilidade, serviços digitais, design, produtividade, qualidade e inovação. De acordo com Ulisses Fontoura, gerente do Sebrae na Região Metropolitana, essa é uma oportunidade para que a micro e pequena empresa tenha acesso à inovação a um custo mais baixo. “Todo mês de outubro o Sebrae tem um carinho muito especial e concentra algumas ações com programação de capacitação direcionada.”

Além das atividades do Sebrae, há uma parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) que resultou em evento a ser realizado nesta semana, de 27 a 30 de setembro no Centro de Convenções de Goiânia e na Estação Goiânia, com atividades que incluem três temáticas: gestão empresarial, marketing e vendas; gestão financeira; e inovação, tecnologia e sustentabilidade. O CDL e Sebrae Aqui ainda contará com atendimento presencial gratuito de 28 a 30 de setembro na Estação Goiânia do Sebrae, CDL, Banco do Povo, Goiás Fomento, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e INSS.

Importância

“O Dia da Micro e Pequena Empresa foi criado em 1999 para marcar a sanção presidencial do Estatuto da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte (Lei 9841/99). À partir do Estatuto vieram grandes conquistas, como a Lei do Simples Nacional em 2006 e a aprovação da Lei 147/12, que universalizou o imposto. Desta forma, o Sebrae Goiás tem, historicamente, reforçado suas atividades em favor das pequenas empresas no mês de outubro”, explica o diretor-superintendente do Sebrae Goiás, Igor Montenegro.

Para ele, o importante é atender bem aos empreendedores e empresários com uma programação do Sebrae e parceiros oferecida em 52 cidades goianas. “A agenda oferece mais de mil horas de capacitação, sendo 44 cursos, 33 palestras, 49 oficinas, totalizando 126 atividades, das quais 66 serão totalmente gratuitas.”

Igor Montenegro informa que todos os dados dos cursos, programação de palestras, oficinas, cursos de capacitação e consultorias, sejam atividades pagas ou gratuitas, podem ser encontradas no site do Sebrae Goiás (que é o http://www.sebraego.com.br), nas redes sociais da internet (@sebraegoias) ou pela Central de Relacionamento Sebrae, que funciona no telefone 0800 570 0800.

“Onde tiver uma micro e uma pequena empresa lá estaremos trabalhando e oferecendo os serviços da instituição”, afirma o diretor-superintendente. Reforçamos, portanto, na prática, a missão do Sebrae de promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos pequenos negócios e fomentar o empreendedorismo, para fortalecer a economia goiana. O negócio do Sebrae é o desenvolvimento e sustentabilidade deste segmento.”

Satisfação

Consultor financeiro, Cláudio Bispo precisava criar um site para sua empresa se tornar um negócio 24 horas | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Consultor financeiro, Cláudio Bispo precisava criar um site para sua empresa se tornar um negócio 24 horas | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Assim como João Pedro e Reginaldo, Cláudio Bispo, de 39 anos, buscou o Sebrae, por meio do Sebraetec, para criar um site para sua empresa, a Equilíbrio Consultoria Financeira. A necessidade de ter um endereço eletrônico para sua atividade veio com a criação da empresa após começar um planejamento em 2015 para iniciar o próprio negócio.

“Eu queria um site que fosse mais leve, mesmo que o assunto seja consultoria financeira. Quando a gente fala em contabilidade a pessoa já fica com o pé atrás”, relata Cláudio. Sem funcionários, o microempreendedor individual (MEI) abriu sua empresa e disse que o resultado da consultoria do Sebrae foi “um site fantástico”.

Pronto na semana passada, o site deixou Cláudio satisfeito com o resultado, que era o de ter uma página “mais agradável” para o seu novo negócio. “Eu sou administrador de empresas com registro no Conselho Regional de Administração de Goiás (CRA-GO). Há 16 anos atuo na área financeira. Espero poder atuar para colaborar com o crescimento e geração de emprego de outras empresas por meio da prestação do serviço de consultoria”, afirma.

Esse passo, de deixar de ser um colaborador para se tornar um empreendedor, no caso de Cláudio, veio da oportunidade que enxergou de oferecer o que sabe fazer melhor. “Meu site já aparece na segunda página da busca do Google.” O www.equilibrioempresarial.com é a aposta do consultor financeiro na ampliação dos negócios, como uma forma de ter a empresa 24 horas em funcionamento por meio da página.

A expectativa de Cláudio de atingir uma carteira de clientes fixos de 10 a 12 empresas em um prazo de 12 meses, além de trabalhos esporádicos, foi o que fez com que ele, Reginaldo e João Pedro procurassem uma forma de profissionalizar ainda mais seus negócios por meio de consultorias. E os três afirmam que os resultados estão vindo, uns ainda embrionários e outros já evidentes.

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