Meirelles aposta que 2018 será de crescimento

Ministro da Fazenda diz que no ano que vem haverá o início da recuperação econômica. Se isso ocorrer, ele próprio será um dos nomes à sucessão de Temer, repetindo FHC no governo Itamar Franco

Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles: potencial candidato à Presidência, se os indicadores econômicos ajudarem

Afonso Lopes

O segundo trimestre deste ano trouxe alguns bons indicativos para a economia após mais de dois anos de profunda recessão. O índice de desemprego, por exemplo, que ninguém imaginava que melhoria antes do final deste ano, caiu para menos de 13%. É uma taxa elevadíssima, mas não há dúvidas de que houve uma tímida geração de novas vagas de trabalho. Em Goiás, essa recuperação é, proporcionalmente, a melhor do Brasil. E ao contrário do que habita o imaginário popular goiano, não é somente o agronegócio que vem respondendo bem. A retomada maior aconteceu no setor industrial, o que revela que a economia do Estado não é mais baseada somente no que se produz no campo.

Mas se essa foi uma notícia comemorada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ela está sendo exageradamente festejada. Embora Goiás e alguns outros Estados apresentem saldos positivos na geração de novas vagas de trabalho, a redução global anunciada pelo ministro envolve também trabalhadores que desistiram que correr de porta em porta atrás de uma vaga, e passaram a se virar por conta própria.

Ainda assim, a economia brasileira de uma maneira geral está mesmo começando a se descolar da fortíssima recessão, apontada como a mais severa de toda a história do país. Se esse ritmo vai continuar ou não é o que vai se constatar no segundo semestre deste ano. Se as coisas continuarem com vento a favor, Meirelles estará sendo realista com seu otimismo para 2018.

O que pode dar errado

Se o Brasil desde o início deste ano parou de piorar e agora apresenta os primeiros sintomas de que está melhorando, então é tudo uma questão de tempo, certo? Infelizmente, não. A economia só vai conseguindo tímidos lances de crescimento porque permanece praticamente descolada dos desarranjos da política. Não inteiramente, o que seria mais apropriado. O Congresso Nacional grandemente e o Poder Judiciário vez ou outra, não ajudam. Ao contrário, muitas vezes acabam comprometendo negativamente.

Agora, por exemplo, mesmo sabendo que a Previdência Social se transformou num saco sem fundo, que contribui para aumentar o rombo nas contas públicas, deputados federais e senadores não estão nem aí para o problema. O que eles querem é manter privilégios que custam caro, e negociar benesses diante das dificuldades judiciais do presidente Michel Temer. A flechada anterior de Rodrigo Janot custou muito dinheiro para ser barrada na Câmara dos Deputados. E já existe mais munição contra o presidente.

Paralelamente a tudo isso, a prestação de serviço pelo governo federal é uma lástima total. O grande exemplo é a saúde. Mesmo nos hospitais federais, como é o caso no Rio de Janeiro, faltam insumos de toda a ordem. Estados e municípios também reclamam que estão recebendo repasses menores do que aqueles que deveriam receber. O resultado é um caos nacional, com raríssimas exceções.

A educação está enfrentando perrengues financeiros de todos os lados, desde o ensino básico, normalmente mantido pelas Prefeituras — e boa parte delas estão com as contas no vermelho —, até o ensino superior. As universidades federais, todas elas, alegam que estão se mantendo, quando conseguem, a duríssimas penas. Em algumas unidades chegou a faltar água potável.

Todos esses exemplos dão mais ou menos a dimensão da larga travessia que o país ainda terá que fazer para retornar aos patamares em que estava antes de mergulhar na crise. Essa é a esperança de Meirelles. No fundo, ele sonha com uma boa caminhada da economia para se cacifar política e eleitoralmente. O ministro da Fazenda é candidatíssimo a presidente. Ele quer, assim, repetir o que Fernando Henrique Cardoso conseguiu fazer no governo do presidente Itamar Franco. Será Meirelles um novo FHC?

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